São José, esposo de Maria

Não é sem razão que a Igreja, no meio da Quaresma, tira o roxo, no dia 19 de março, e coloca o branco na liturgia, para celebrar a festa de São José, esposo da Virgem Maria.

Sabemos que Deus Todo-poderoso, para quem “nada é impossível” (Lc 1,37) e que tudo governa com sabedoria infinita, nada pode escolher de menos belo e perfeito, que não seja para sua glória.

São José foi pai de Jesus, pelo coração; protegeu o Menino das mãos assassinas de Herodes, o Grande e ensinou-lhe o caminho do trabalho. Jesus não se envergonhou de ser chamado “Filho do carpinteiro”. Naquela rude carpintaria de Nazaré, ele trabalhou até iniciar Sua vida pública, mostrando-nos que o trabalho é redentor.

Na história da salvação coube a São José dar a Jesus um nome, fazê-lo descendente da linhagem de Davi, como era necessário para cumprir as promessas divinas.

A Igreja celebra duas festas litúrgicas em sua homenagem: 19 de março (Esposo de Maria) e 1º de maio (São José operário patrono dos trabalhadores).
O Papa Pio IX o proclamou Patrono de toda a Igreja, em 1870, bem como “modelo e advogado de todas as famílias e lares cristãos”.

Leia também: O culto a São José

São José Operário, modelo de vida para o trabalhador

Súplicas a São José

Leão XIII, na Encíclica Quanquam Pluries, o propôs como “advogado dos lares cristãos”.
Pio XII o propôs como “exemplo para todos os trabalhadores” e fixou o dia 1º de maio como festa de José Trabalhador. Logo, peçamos sua intercessão.

São José era a própria “sombra do Pai”. “O Senhor escolheu para Si um homem segundo o seu coração” (1 Sm 13,14). José do Egito é sua imagem no AT.

Deus humanado quis ter um pai, legal, na terra, quis ter uma família; quis começar a Redenção do mundo pela família:
“José, filho de Davi, não temas receber Maria por esposa, pois o que nela foi concebido vem do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho, a quem porás o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo de seus pecados” (Mt 1,20-21).

Jesus era de fato filho legal de José: “Este não é o carpinteiro, o filho de Maria, o irmão de Tiago, José, Judas e Simão?” (Mc 6,3). No Templo, Maria diz a Jesus: “Teu pai e eu estávamos te procurando aflitos”.

SÃO TOMÁS dizia que “ao escolher alguém para uma missão, Deus dá-lhe graças proporcionais para realizá-la. Além do quê, quanto mais alguém se aproxima da fonte da graça, tanto mais dela participa”.

SANTO AFONSO DE LIGÓRIO (1696-1787), doutor da Igreja, garantia que todo dom ou privilégio que Deus concedeu a outro Santo também o concedeu a São José.

SÃO FRANCISCO DE SALES (1567-1655), doutor da Igreja; diz que “São José ultrapassou, na pureza, os Anjos da mais alta hierarquia”.

SÃO JERÔNIMO (348-420), doutor da Igreja: “José mereceu o nome de “Justo”, porque possuía de modo perfeito todas as virtudes”.

SÃO BERNARDO (1090-1153), doutor da Igreja, diz de São José: “De sua vocação, considerai a multiplicidade, a excelência, a sublimidade dos dons sobrenaturais com que foi enriquecido por Deus”.

SANTA TERESA DE ÁVILA (1515-1582), doutora da Igreja disse:
“Quem não achar mestre que lhe ensine a orar, tome São José por mestre e não errará o caminho”. “Tomei por advogado e senhor ao glorioso São José e muito me encomendei a ele. Claramente vi que dessa necessidade, como de outras maiores referentes à honra e à perda da alma, esse pai e senhor meu salvou-me com maior lucro do que eu lhe sabia pedir. Não me recordo de lhe haver, até agora, suplicado graça que tenha deixado de obter.

SANTO AGOSTINHO (354-430), doutor, compara os outros santos às estrelas, mas, a São José, ele o compara ao Sol. A ele Deus confiou suas riquezas: Jesus e Maria.

A missão e predestinação de São José e da Virgem Maria, requeriam uma santidade total; logo, por esta missão totalmente divina de S. José, Deus lhe concedeu todas as graças.

A teologia sobre São José se baseia em dois pontos fundamentas: primeiro, sua união com Maria pelo matrimônio; segundo, seu ministério paternal junto de Jesus Cristo.

SÃO BASÍLIO MAGNO (330-369), doutor da Igreja, diz: “Ainda que José tratasse sua mulher com todo afeto e amor e com todo o cuidado próprio dos cônjuges, entretanto se abstiveram dos atos conjugais” (Tratado da Virgem Santíssima, BAC, Madri, 1952, p. 36).
UMA REFLEXÃO: Se o Filho de Deus quis ter um pai, ao menos adotivo, neste mundo, o que dizer de muitos filhos que crescem sem o pai? O que dizer de tantos “filhos órfãos de pais vivos” que existem no Brasil.

São José, como Maria, com o seu ‘sim’ a Deus, no meio da noite, preparou a chegada do Salvador. Deus contou com ele e não foi decepcionado. Que possa contar também conosco! Cada um de nós também tem uma missão a cumprir no plano de Deus.

José é “o servo que faz muito sem dizer nada; o especial agente secreto de Deus”. Ele é o mestre da oração e da contemplação, da obediência e da fé. São José viveu o que ensinou João Batista: “É preciso que Ele cresça e eu diminua (Jo 3,30).

SÃO JOÃO PAULO II, na Exortação Apostólica Redemptoris Custos (o protetor do Redentor), de 15 de agosto de 1989, disse:
“Assim como cuidou com amor de Maria e se dedicou com empenho à educação de Jesus Cristo, assim também guarda e protege o seu Corpo Místico, a Igreja” (nº1). “Hoje ainda temos motivos que perduram para recomendar a todos e cada um dos homens a São José (nº 31)”.

AS 7 DORES E ALEGRIAS DE SÃO JOSÉ

1 – Pensar em abandonar Maria. A visão do Anjo Gabriel em sonho.
2 – Ver o Menino nascer numa gruta fria. O louvor dos pastores e dos Magos.
3 – A dor da circuncisão de Jesus. A honra de dar-lhe o Nome.
4 – A dor da espada de Simeão para Maria. O louvor de Ana e Simeão
5- A dor do desterro para o Egito. A queda dos ídolos de seus pedestais.
6 – A dor de não poder voltar para Jerusalém. A volta para Nazaré.
7 – A perda de Jesus no Templo. O encontro entre os doutores.

TERÇO DE SÃO JOSÉ

Credo, Pai Nosso, Ave Maria e Glória

OFERECIMENTO: “A vós, glorioso São José, ofereço este terço em louvor e glória de Jesus e Maria, para que sejam minha luz e guia, minha proteção e defesa, minha fortaleza e alegria em todos os meus trabalhos, aflições , tribulações, preocupações eprincipalmente na hora da morte.

NAS CONTAS GRANDES: Meu glorioso São José, nas vossas maiores aflições e tribulações, não vos valeu o anjo do Senhor? Valei-me, São José!

NAS CONTAS PEQUENAS: Valei-me, São José.

ORAÇÃO: Pelo nome de Jesus, pela glória de Maria, imploro o vosso poderoso patrocínio, para que me alcanceis a graça que tanto desejo. Falai em meu favor, advogai a minha causa no céu e na terra, alegrai a minha alma para honra de Jesus, de Maria e vossa. Amém.”

Prof. Felipe Aquino

Sobre Prof. Felipe Aquino

O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
Adicionar a favoritos link permanente.