O Perigo do Ativismo

Cuidado com a agenda cheia!

Um dos motivos que podem nos levar ao desânimo espiritual é o ativismo no apostolado, ou seja, o acúmulo de tarefas e funções dentro ou fora da Igreja.

Muitas vezes é um orgulho solerte que nos faz mergulhar no ativismo, mais do que o amor realmente a Jesus, à Igreja, e a salvação das almas. Talvez possa ser até um desejo não percebido, às vezes até inconsciente de se destacar.

Examine a razão real pela qual você está correndo, vivendo na agitação; será que não é por causa do amor-próprio secreto, que está te empurrando, acelerando, quem sabe, até mesmo inconscientemente buscando a própria glória? Mesmo que seja com uma reta intenção de servir ao Reino de Deus, é preciso não se afogar nas atividades e ficar sem tempo para estar com o Senhor.

Temos que ter a coragem de fazer esta pergunta para nós mesmos. O ativismo pode também ser fruto de um discernimento mal feito, quem sabe, gerado pelo iluminismo: “Deus me mostrou isto, e eu tenho que cumprir isso”… Ótimo, Deus muitas vezes mostra de fato a nós a Sua vontade, mas é preciso um correto discernimento antes de se lançar afoito aos trabalhos.

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Como manter acesa a chama da nossa fé?

A dimensão interior do Apostolado

Como fazer uma boa meditação?

Com nove anos de idade, Deus já mostrava a São João Bosco, qual era a missão que desejava dele, e até os 71 anos, até a hora da morte, São João Bosco viveu aquilo que Deus lhe pediu lá atrás, aos nove anos de idade, através de Nossa Senhora. Realmente Deus pode mostrar para nós, o que Ele quer, mas cuidado, não seja precipitado!

Os grandes místicos doutores da Igreja, como São João da Cruz, Santa Teresa D’Ávila, São Francisco de Sales, e tantos outros, nos ajudam quando se trata de discernimento espiritual.

São João da Cruz orienta que não deixemo-nos levar facilmente pelas revelações, por que também o demônio sabe fazer revelações e muitas vezes ele começa levando-nos ao Caminho da Verdade, mas depois, sorrateiramente, nos leva para o Caminho da Mentira.

Você pode perceber que todas as falsas religiões nasceram de um pretenso “iluminado”, que se acha o “escolhido” por Deus, para levar a salvação para o mundo. Alguém que pensa ter recebido a “revelação de Deus”, muitas vezes mais que o próprio Jesus Cristo!

Assim, muitos foram enganados e enganaram os outros. Muitas vezes também a soberba esta aí. Eu não estou aqui querendo apagar a chama do Espírito Santo em ninguém, mas não podemos nos esquecer de que o dom do discernimento dos espíritos é também é um dos dons do Espírito Santo.

São Paulo disse – “Não extingais o Espírito. Não desprezeis as profecias. Examinai tudo, e ficai com o que é bom. Guardai-vos de toda espécie de mal” (1Ts 5,19-22).

É fundamental buscar um discernimento à luz daquilo que ensina a Igreja, e é por isso que precisamos ter o conhecimento profundo da doutrina da Igreja e de Cristo.

Retirado do livro: “Esgotamento Espiritual”. Prof. Felipe Aquino. Ed. Cléofas.

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    Sobre Prof. Felipe Aquino

    O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
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