Uma Bíblia gay e igrejas para gays?

Uma notícia da ACIDIGITAL informa que um grupo de ativistas da comunidade LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transexuais) e alguns evangélicos decidiram publicar a primeira “Bíblia Gay”. Alguns editores anônimos decidiram que chegou a hora de “reinterpretar as Escrituras” para criar uma tradução favorável a gays e lésbicas.

Por outro lado, “cristãos homossexuais” estão criando suas próprias “igrejas” no Brasil. Hoje, existem 40 desse tipo no país.

Quer dizer então que cada segmento da sociedade pode agora reinterpretar a Sagrada Escritura a seu bel prazer, adaptando-a a seus interesses e ideologias? E pode também cada um criar a “sua” Igreja, como se a Igreja não fosse uma instituição divina de Jesus Cristo? Não nos surpreenderá se logo surgirem outras “bíblias” adaptadas aos gostos de cada segmento. Já conhecemos o “Evangelho Segundo Alan Kardec”; a Bíblia do mórmons – “o Livro de Mórmon’, um novo modo de ler, que já não conserva o cristianismo.

Que valor tem uma bíblia interpretada por quem não entende de exegese, hermenêutica, línguas antigas (aramaico, hebraico, grego, latim…), história antiga, arqueologia, etc.? E que não tem a autoridade e  a assistência do Espírito Santo para isso.

Aqui nós entendemos porque Jesus instituiu a Igreja e seu Sagrado Magistério ao qual Ele fez participar de sua infalibilidade, como diz o Catecismo da Igreja:

“Cristo quis conferir à sua Igreja uma participação em Sua infalibilidade” (§889). “Cristo dotou os pastores do carisma de infalibilidade em matéria de fé e costumes” (§890).

Aos Apóstolos Jesus disse: “Quem vos ouve a Mim ouve; quem vos rejeita, a Mim rejeita; e quem me rejeita, rejeita Aquele que me enviou” (Lc 10,16).

Na Santa Ceia, Jesus prometeu-lhes: “O Espírito Santo ensinar-vos-á TODA A VERDADE” (João 14,25 ;16, 12)

Jesus sabia que os homens, em sua insensatez,  iriam interpretar as Suas Palavras e ensinamentos segundo sua vontade, distorcendo tudo que Ele ensinou; por isso deixou o sagrado Magistério da Igreja confiado a Pedro e os Apóstolos.

No final de sua segunda Carta São Pedro, falando de São Paulo e de seus escritos, diz o seguinte: “É o que ele faz em todas as suas cartas, nas quais fala nestes assuntos. Nelas há algumas passagens difíceis de entender, cujo sentido os espíritos ignorantes ou pouco fortalecidos deturpam, para a sua própria ruína, como o fazem também com as demais Escrituras”. (12 Pe 3,16)

Este alerta de São Pedro é importantíssima: quem se atreve a interpretar as Sagradas Escrituras, sem a orientação do Magistério da Igreja, corre o risco de provocar a “própria ruína” diz São Pedro. Ele diz que há “passagens difíceis de entender” nas Cartas de São Paulo.

Ora, se São Pedro, que conversava com São Paulo, sabia o hebraico, tinha dificuldade de entender certas coisas que São Paulo escreveu, então, imagine nós que estamos há 2000 anos deles e não conhecemos de perto o que foi escrito e ensinado.

Fujamos dessas “interpretações novas” da Sagrada Escritura, certamente repletas de erros e de heresias. Não podemos esquecer que a Verdade é que nos salva. O Catecismo da Igreja diz que “a salvação está na verdade” (§851). Fujamos do erro e da mentira como o demônio foge da Cruz de Cristo.

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    Sobre Prof. Felipe Aquino

    O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
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