Sínodo dos Bispos: Assembleia especial para a América – Parte 3

Segunda Parte:

JESUS CRISTO
VIVO, CAMINHO PARA A CONVERSÃO

Capítulo I:
A conversão a Jesus Cristo

O encontro
com Jesus Cristo vivo provoca a conversão

22. É um
fato que na História da Salvação, após o pecado original, cada vez que Deus vai
ao encontro do homem para com ele dialogar, fá-lo para provocar no mesmo ser
humano a conversão do coração. Já no Antigo Testamento a pregação da penitência
se orienta a uma conversão interior do coração, isto é, a uma recusa do pecado
e a uma adesão a Deus (cf. Jn 3,4-10; Am 5,15; Ba 1,3-5; Sl 35,13; 51,3-6). Em
continuidade com a pregação do Antigo Testamento, Jesus Cristo iniciou o seu
ministério anunciando a Boa Nova do Reino e convidando à conversão:
“Cumpriu-se o tempo e o Reino de Deus está próximo. Arrependei-vos e crede
no Evangelho” (Mc 1,15). Estas palavras de Cristo constituem, em certo
sentido, o compêndio de toda a vida cristã: “Ao Reino anunciado por Cristo
só se pode chegar mediante a metanoia, ou seja, a íntima e total transformação
e renovação do homem todo, de todo o seu sentir, do seu julgar e do seu
agir”.(31) A Igreja primitiva seguiu fielmente as pegadas do seu fundador,
anunciando a sua mensagem de salvação e convidando todos a se converterem e a
se deixarem batizar em nome de Jesus Cristo para obter o perdão dos pecados
(cf. At 2,37-38). O Apóstolo São Paulo proclama inclusive a dimensão cósmica da
reconciliação, ao dizer que ao Pai aprouve “reconciliar por ele e para ele
todos os seres, os da terra e os dos céus, realizando a paz pelo sangue da sua cruz”
(Cl 1,20).

23. A conversão é um conceito complexo,
que significa uma profunda mudança de coração sob o influxo da Palavra de Deus.
Essa transformação interior exprime-se nas obras e, por conseguinte, na vida
inteira do cristão.(32) O pecado é uma realidade que afeta, fundamentalmente e
em primeiro lugar, a pessoa individual. No entanto, como esta vive em constante
relação com outros seres humanos, com os quais constrói a sociedade através de
instituições e estruturas, podem ser detectadas certas realidades sociais
contaminadas pelo pecado das pessoas livres e responsáveis.

Neste
sentido, pode-se falar de uma dimensão social do pecado, que incide na vida de
tantos homens e mulheres, e, mais concretamente, de “estruturas de
pecado”, como chama o Papa João Paulo II a estas relações de injustiça que
caracterizam a organização social de muitos países na

América (33)

É em tal
perspectiva que no presente documento, que recolhe as respostas ao questionário
dos Lineamenta, se fala não somente da necessidade de uma conversão pessoal –
que encontra o seu caminho de realização plena através do sacramento da
penitência ou da reconciliação – mas também da urgência de uma conversão de
certos aspectos da vida intra-eclesial e da sociedade humana. São realidades
complexas que, sendo fruto das ações humanas nem sempre de acordo com a vontade
divina, precisam ser iluminadas pelo Evangelho para servir ao homem e à sua
salvação pessoal. É nestes ambientes que Jesus Cristo deve entrar, para
provocar a conversão dos homens e, por conseguinte, a renovação das relações
sociais que eles vivem.

A Igreja
prega a conversão

24. A Igreja, enquanto comunidade dos
fiéis a caminho rumo à pátria celeste, precisa purificar-se e, enquanto prega a
conversão ao Evangelho, sente-se ela mesma chamada a se converter continuamente
a Jesus Cristo, para poder cumprir melhor a sua missão evangelizadora. Não é a
Igreja enquanto instituição divina, assistida pelo Espírito Santo e, por tanto,
infalível na transmissão da Revelação, que se deve converter e sim a Igreja
enquanto comunidade constituída por homens pecadores, que precisa se converter
constantemente em seus membros e nas suas estruturas pastorais, para dar
autêntico testemunho da proximidade do Reino dos Céus.(34) Os Pastores da
Igreja que vive na América, respondendo ao chamado do Santo Padre em preparação
à celebração

do Grande
Jubileu do Ano 2000, convidam todos os membros do Povo de Deus no Continente
americano a realizarem um sincero exame de consciência, como primeiro passo
para uma verdadeira conversão: “No limiar do novo milênio, os cristãos
devem pôr-se humildemente diante do Senhor, interrogando-se sobre as
responsabilidades que lhes cabem também nos males do nosso tempo”.(35)

Capítulo II:
A conversão na Igreja e na sociedade

Sinais
concretos do despertar religioso na Igreja

25. Muitos
sinais positivos de alegria e de esperança alentam e consolam o Povo de Deus na
América, enquanto caminha entre as tristezas e as angústias do nosso tempo.(36)
Por este motivo, ao abordar o tema da conversão, o questionário dos Lineamenta
propõe em primeiro lugar uma constatação dos sinais de vitalidade religiosa que
caracterizam a situação atual da Igreja no Continente. Estes aspectos são apresentados
nas respostas ao documento de preparação como os frutos mais valiosos do
Concílio Ecumênico Vaticano II e dos documentos do magistério episcopal que se
esforçaram continuamente por aplicá-lo. Entre os aspectos que refletem esta
realidade, merecem ser citados os seguintes:

Um claro
sentido de comunhão e participação na vida da Igreja, em níveis diversos: a
colegialidade entre os Pastores dentro da Conferência Episcopal, a comunhão do
Bispo com o presbitério, com os religiosos e os leigos na vida pastoral das
dioceses, o planejamento pastoral nas paróquias com a ativa participação de
religiosos e leigos, etc.

Um sensível
aumento, em algumas regiões, de vocações ao sacerdócio e à vida

consagrada
vem sendo registrado nos últimos anos. Além disso, embora em muitos casos o
crescimento das vocações não consegue cobrir as próprias exigências, existe em certas Igrejas
particulares um espírito de solidariedade missionária, em âmbito vocacional,
com relação a outras dioceses mais necessitadas.

Uma maior
consciência acerca da importância da formação do clero, tanto nos seminários
como durante a vida sacerdotal. Em várias respostas menciona-se a contribuição
positiva que representou, neste sentido, a Exortação Apostólica sinodal
Pastores dabo vobis, abrindo novos caminhos para a renovação da espiritualidade
sacerdotal. Um abnegado testemunho de vida sacerdotal por parte de muitos
sacerdotes comprometidos com a nova evangelização e fervorosos no exercício do
ministério.

Frequentemente,
ele é acompanhado também por um significativo interesse por experiências
comunitárias de oração, de apostolado, de convivência, retiros espirituais,
etc.

Uma
crescente participação ativa dos fiéis na liturgia,(37) fazendo dela não
somente um momento de comunhão pessoal com Deus mas também o centro da vida
pastoral da comunidade eclesial. A renovação litúrgica conciliar tem sido bem
recebida em todos os setores do Povo de Deus, cujos membros têm redescoberto o
valor da liturgia como encontro com Deus e com os irmãos, como celebração da comunhão
eclesial.

Uma maior
consciência nos leigos(38) acerca do dom do batismo, que os leva a um
compromisso eclesial, apostólico e missionário mais profundo. Assim mesmo, os
leigos, em geral, estão tomando consciência cada vez mais da necessidade de se
comprometer na transformação da sociedade segundo os valores do Evangelho,
participando na defesa da vida e da família, na promoção da solidariedade, da
justiça, dos direitos humanos e da ecologia, nas causas em prol da paz e da
reconciliação em regiões onde reina a violência,  ajuda solidária aos mais
necessitados através de obras assistenciais, etc.

Aspectos que
necessitam de conversão na realidade intra-eclesial

26.
Precisamente porque a Igreja é “uma realidade complexa em que se funde o
elemento humano e divino”,(39) não faltam nela sombras que obscurecem a
sua imagem de sinal e instrumento de salvação e que têm a sua origem na
condição pecadora dos homens que a integram. Por isso, a Igreja na América,
sendo ao mesmo tempo santa e necessitada de purificação, deseja avançar
continuamente pela estrada da penitência e da renovação.(40) É o que demonstram
alguns aspectos evidenciados pelas respostas aos Lineamenta, a saber:

Será sempre
necessário um testemunho de santidade mais vibrante e transparente por parte
dos evangelizadores – bispos, presbíteros, diáconos, consagrados e consagradas,
leigos e leigas – cada um segundo os dons e funções que lhes são próprios. A
santidade de cada um dos membros do Povo de Deus, nas ocupações e
circunstâncias da vida, é o meio mais eficaz para se levar adiante a tarefa da
nova evangelização.

Em não
poucas ocasiões verifica-se uma falta de comunhão, sobretudo no que diz
respeito à coordenação e colaboração dos carismas dentro da Igreja. Em
particular, indica-se em alguns casos uma carência de harmonia entre o carisma
da vida consagrada e o carisma da autoridade do Bispo, entre o carisma do clero
diocesano e os demais carismas de serviço na Igreja. Por sua vez, o clero
diocesano deve estar mais aberto para acolher os consagrados, como também os
movimentos eclesiais, que podem contribuir com seus respectivos dons e carismas
ao serviço da comunidade eclesial.

Por vezes
constata-se uma falta de sintonia de alguns teólogos com o magistério da
Igreja, sobretudo em relação a certos temas do dogma e da moral. É fácil
compreender que tais dissensões criam nos membros do Povo de Deus uma grande
confusão e, o que é pior, geram divisões que atentam contra a comunhão
eclesial. Dever-se-iam ter sempre presentes as palavras do Santo Padre João
Paulo II: in necessariis, unitas; in dubiis, libertas; in omnibus, caritas.(41)

Não poucas
vezes verifica-se uma certa ineficácia pastoral provocada por uma inadequação
de algumas estruturas pastorais, seja porque estas não correspondem às novas
situações da sociedade, seja por não se ter dado lugar aos leigos nessas mesmas
estruturas pastorais.

Uma
incompleta aplicação do Concílio Ecumênico Vaticano II, sobretudo em certas
áreas relativas às estruturas diocesanas e paroquiais (especialmente no que se
refere à constituição e ao funcionamento de conselhos pastorais e de
administração). Uma maior difusão dos ensinamentos conciliares e pontifícios,
através de programas de formação nos distintos níveis, pode ajudar eficazmente
a pôr em prática estes e outros aspectos do Concílio Ecumênico Vaticano II.

Uma falta de
renovação dos métodos de catequese, tanto no que se refere à preparação para a
recepção dos sacramentos (sobretudo do sacramento do batismo, da confirmação e
do matrimônio) como no que diz respeito à formação permanente. Neste sentido,
sugere-se uma maior aplicação do Catecismo da Igreja Católica e da Exortação
Apostólica Catechesi tradendae.(42)

 Uma
inadequada aplicação, em alguns casos, dos princípios da renovação litúrgica
propostos pelo Concílio Vaticano II. Às vezes, com efeito, mesmo quando se agiu
com boas intenções de uma melhor adaptação à cultura popular, caiu-se em
arbitrariedades litúrgicas que ocultaram o sentido transcendente da celebração
litúrgica.(43)

Aspectos
positivos da sociedade contemporânea, com relação ao Evangelho

27.
Respondendo ao convite do Concílio Ecumênico Vaticano II de conhecer e
compreender o mundo com suas esperanças e aspirações,(44) o questionário dos
Lineamenta propunha dirigir o olhar às realidades temporais, para descobrir
nelas alguns sinais positivos que predispõem o homem contemporâneo para o
encontro com Jesus. As respostas recolhem os seguintes elementos:

Crescente
consciência da dignidade da pessoa humana e dos seus direitos inalienáveis, como
também do sentido da justiça. Isso se manifesta, entre outros aspectos, em uma
recusa de qualquer tipo de discriminações sociais, como conseqüência do
respeito pela pessoa, e na busca de uma sempre maior transparência na
administração da justiça. Respeito pela natureza, que se exprime em uma atenta
consideração aos problemas ecológicos. Este é um aspecto positivo na medida em
que predispõe adequadamente o ser humano a tomar consciência do seu caráter de
criatura e o convida ao respeito pela obra do Criador.

Existe um
acentuado interesse pelos valores espirituais e uma notável inquietude pelas
realidades transcendentes. Embora isso, às vezes, se manifeste em práticas
pseudo-religiosas e sincretistas, não deixa de ser um ponto de interesse que
pode motivar o diálogo da Igreja com o homem contemporâneo, sempre sedento da
Palavra de Vida.

Detecta-se
um forte sentido de solidariedade e generosidade que se manifesta em uma
crescente sensibilidade pelas necessidades do próximo. Este sinal positivo, que
se reflete em tantas organizações com fins humanitários, verifica-se não
somente dentro das realidades nacionais mas também nas relações internacionais.

Aspectos da
sociedade contemporânea que necessitam de conversão

28. Em
nossas sociedades do Continente americano existem também aspectos que requerem
conversão e mudança de atitudes. A Igreja na América, atenta à realidade
social, manifestou através de numerosos documentos dos seus Pastores o seu
constante desejo de contribuir para iluminar as realidades temporais com a luz
do Evangelho. Das respostas aos Lineamenta surgem como aspectos sociais que
reclamam conversão, os seguintes:

No âmbito
familiar percebe-se, com freqüência, um conceito de liberdade e um ideal de
amor humano sem compromissos. São cada vez mais freqüentes as separações e
divórcios, com a conseguinte destruição das famílias. Verificam-se práticas
contrárias aos nascimentos e abortivas, que levam à perda do valor da vida e à
difusão de uma “cultura de morte”. A violência familiar é um fato
real em contínuo crescimento. Constata-se também a perda da identidade feminina
e masculina e, ao mesmo tempo, vem indicada uma inadequada formação para a
sexualidade, que se divulga indiscriminadamente no âmbito da educação. A
infância, a mulher, a juventude e a terceira idade são áreas que reclamam uma
maior atenção.

No campo
econômico, falta em muitas sociedades da América uma maior justiça
distributiva: cresce o desemprego, os salários são baixos, a desigualdade entre
ricos e pobres faz-se cada vez maior. Na totalidade do território do Continente
americano verifica-se aquela diferença indicada pelo Papa João Paulo II na sua
Carta Encíclica Redemptoris missio: “O hemisfério Norte construiu um
modelo de desenvolvimento, e quer difundi-lo para o Sul, onde o sentido de
religiosidade e os valores humanos, que ali existem, correm o risco de serem
submersos pela vaga do consumismo”.(45) Várias respostas, além disso,
assinalam a urgência de se dar uma solução ao problema da dívida externa no
contexto da celebração jubilar, como propõe o Santo Padre na Carta Apostólica
Tertio millenio adveniente.(46)

No campo
social, verifica-se um acelerado processo de urbanização, ligado ao
desenvolvimento da sociedade industrial e ao crescimento demográfico. As
grandes cidades, que muitas vezes crescem descontrolada e desordenadamente,
trazem consigo sérios problemas sociais: pobreza, desenraizamento, tráfico e
consumo de drogas, prostituição de crianças e de jovens, alcoolismo,
despersonalização, etc.

No campo
político, às vezes predomina uma concepção da política que perde de vista o bem
comum. Não é raro que a classe dirigente viva alheia às necessidades do povo e
se guie por interesses partidários. Freqüentemente predomina a demagogia e
cresce a corrupção das estruturas de poder. Esta situação gera uma desconfiança
com respeito às instituições políticas, sobretudo no que se refere à
administração da justiça, nem sempre transparente, igualitária e eficaz.

No campo
cultural, o laicismo ateu às vezes predomina nos ambientes intelectuais e
culturais.

São poucos
os leigos cristãos comprometidos nas universidades e nos ambientes
intelectuais, profissionais e artísticos. Falta uma maior presença dos leigos
cristãos nos meios de comunicação social. Existe, em alguns casos, uma carência
de princípios éticos que leva certos agentes de comunicação a uma falta de
objetividade na transmissão da verdade. As deficiências no campo educacional se
fazem evidentes, sobretudo, no analfabetismo e na redução da educação a uma
mera instrução, que deixa pouco espaço aos valores transcendentes.

 Terceira Parte

 ENCONTRO
COM JESUS CRISTO VIVO, CAMINHO PARA A COMUNHÃO

CapítuloI: A
comunhão em Jesus Cristo

Jesus Cristo
Evangelizador

29. A origem e o fim da comunhão na Igreja
é Jesus Cristo, o Filho de Deus feito homem, que redimiu do pecado o gênero
humano com a sua paixão, morte e ressurreição, e que, em sua Igreja, animada
pelo Espírito Santo, deseja se encontrar com cada homem e cada mulher, para lhe
oferecer a salvação. Os Evangelhos são ricos de relatos acerca de muitas
pessoas que, ao encontrarem Jesus durante a sua vida terrena, se transformam em
discípulos seus: Pedro e os outros apóstolos (cf. Mt 4,18-22), Maria Madalena
(cf. Lc 8,1-3), Zaqueu (cf. Lc 19.1-10), os cegos de Jericó (cf. Mt 20,29-34),
a mulher samaritana (cf. Jo 4,4-42), Lázaro e suas irmãs (cf. Jo 11,1-44) e
tantos outros. Mesmo depois da ressurreição, Jesus apareceu a seus seguidores,
como àqueles abatidos discípulos de Emaús (cf. Lc 24,13-35) para lhes explicar
o sentido do seu sofrimento e da sua morte à luz das Escrituras e para se fazer
reconhecer no preciso momento em que partiam o pão. Em todas essas ocasiões,
com a sua presença, suas palavras e seus gestos, Jesus anuncia a Boa Nova da
salvação e, portanto, pode-se dizer que Ele é o evangelizador por excelência,
como se exprimia o Papa Paulo VI na Exortação Apostólica Evangelii nuntiandi:
“o próprio Jesus, Evangelho de Deus, foi o primeiro e o maior dos
evangelizadores”.(47) Do mandato de Jesus Cristo a seus apóstolos nasce
toda a missão evangelizadora da Igreja.

 Ao
anunciar a Boa Nova, Jesus Cristo chama à conversão, para convidar a viver em
comunhão com Ele e com os seus discípulos. O fruto que se espera desta
convivência na caridade é a solidariedade fraterna. O conceito de comunhão
encontra-se, portanto, “no coração da autoconsciência da Igreja, enquanto
Mistério da união pessoal de cada homem com a Trindade divina e com os outros
homens, iniciada na fé e orientada para a plenitude escatológica na Igreja
celeste, embora sendo já desde o início uma realidade na Igreja sobre a
terra”.(48) As respostas aos Lineamenta confirmam a necessidade de
anunciar Jesus Cristo vivo, seguindo o seu exemplo de Evangelizador perfeito,
para fazer crescer a comunhão com Deus e com o próximo, como uma realidade já
presente no hoje da vida da Igreja e como um sinal escatológico da Vida eterna.

A
evangelização para a comunhão na América

30. A evangelização do Novo Mundo,
iniciada há mais de 500 anos, conduziu muitos homens e mulheres ao encontro com
Jesus Cristo e floresceu no testemunho de tantos santos, que permeiam a
história da Igreja na América. Os santos na terra americana tornam presente o
mistério de Cristo e o mostram como um ideal próximo e possível aos homens e
mulheres do Continente. A vida deles não só é um testemunho pessoal de Jesus
Cristo mas também uma expressão da comunhão em seu Corpo Místico
que é a Igreja. Esta dupla dimensão cristológica e eclesiológica da santidade
contribuiu, e continua contribuindo no presente, para que muitos possam se
aproximar de Jesus Cristo e entrar em comunhão com Ele na Igreja. A maioria das
respostas confirmam a importância, nesse sentido, da devoção aos santos na
piedade dos povos da América.

A nova
evangelização, que tem sido uma preocupação da Igreja Católica desde o Concílio
Ecumênico Vaticano II e continua a sê-lo, atualmente de maneira toda
particular, ao se aproximar a celebração jubilar do ano 2000, é vista, em
muitas respostas aos Lineamenta, como uma tarefa cujo principal objetivo é
orientar a pessoa a uma experiência profunda de Deus através do mistério
deCristo. Para isso, indica-se a necessidade de entrar em diálogo com as
pessoas individuais e com as culturas nas quais vivem os indivíduos. A
Assembléia Especial para a América oferece aos Pastores uma ocasião especial
para constatar como se vive o mistério da comunhão nas Igrejas particulares,
entre elas dentro de um mesmo país, e entre elas dentro de todo o Continente
americano.

Igualmente,
será possível verificar em que modo a Igreja na América pode ser um sinal e
instrumento da comunhão em todo o Continente.

Capítulo II:
A eclesiologia da comunhão no Concílio Ecumênico Vaticano II

Os
fundamentos eclesiológicos: fé, sacramentos e missão

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    Sobre Prof. Felipe Aquino

    O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
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