Seguidores de Lefbvre estão afastados da Igreja devido ao cisma, reafirma Arcebispo Müller

ppgerhardtmuller060114Segundo publicou ACI/EWTN Noticias na última terça-feira (07/01/14), o Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, o Arcebispo alemão Gerhardt Müller, assinalou que devido ao cisma em que incorreram os seguidores do falecido arcebispo francês Marcel Lefebvre, os lefebvristas se afastaram da Igreja.

Em uma entrevista concedida no fim de dezembro ao jornal italiano Il Corriere della Sera, a autoridade vaticana respondeu a uma série de perguntas sobre diversos temas, uma das quais se referia ao estado atual dos lefebvristas, logo que em reiteradas ocasiões estes rechaçaram a abertura de Bento XVI para recebê-los novamente no seio da Igreja Católica.

Sobre o tema, o Prelado explicou que “aos bispos (os quatro que foram ordenados por Lefebvre, que faleceu excomungado em 1988) foi suspensa a excomunhão canônica pelas ordenações ilícitas, mas permanece a sacramental, porém, de facto, pelo cisma eles se afastaram da comunhão com a Igreja”.

“Mesmo após o fato, jamais fechamos as portas e os convidamos a reconciliar-se. Mas eles devem mudar sua atitude, aceitar as condições da Igreja Católica e o Supremo Pontífice como critério definitivo de pertença”, adicionou.

Sobre a recente exortação apostólica Evangelii Gaudium do Papa Francisco, o Arcebispo disse que alguns a interpretam “como se o Santo Padre quisesse favorecer uma certa autonomia das Igrejas locais assim como a tendência a distanciar-se de Roma. Mas isto não é possível. Tanto o particularismo, como o centralismo, é uma heresia. Seria o primeiro passo para a autocefalia (da Igreja)”.

Dom Müller explicou que isto se entende porque embora “a Igreja Católica esteja composta por Igrejas locais, ela não deixa de ser una. Não existem Igrejas ‘nacionais’, somos todos filhos de Deus. O Concílio Vaticano II explica concretamente a relação entre o Papa e os bispos, entre o primado de Pedro e a colegialidade”.

“O Pontífice romano e os bispos são de direito divino, instituídos por Jesus Cristo. Também a colegialidade e a colaboração entre os bispos, cum Petro e sub Petro (com Pedro e sob Pedro), têm aqui seu fundamento. Mas os patriarcados e as conferências episcopais, historicamente e hoje, pertencem apenas ao direito eclesiástico, humano. Os presidentes das conferências episcopais, muito importantes, são coordenadores, nada mais, não são vice-papas!”.

Em relação à afirmação do Papa de que a Igreja não é uma “alfândega”, o Prefeito indicou que isso “é certo, tampouco o é a Congregação (para a Doutrina da Fé). O Papa tem o carisma de expressar-se não só com conceitos teológicos mas através de imagens próximas ao coração das pessoas que mostram a proximidade de Jesus com todos nós”.

“Nós, os teólogos, corremos o risco de sempre nos fecharmos no mundo da reflexão acadêmica. Mas Francisco não vai ao outro extremo: combina a ternura do pastor e a ortodoxia, que não é uma ortodoxia qualquer, e sim a reta doutrina expressa na plenitude da Revelação. O primeiro custódio da fé é Pedro e seu sucessor como Bispo de Roma”.

Dom Müller também se referiu a uma declaração sobre o acesso à comunhão dos divorciados em segunda união, feita pelo teólogo dissidente Hans Küng, quem afirma que “o Papa quer avançar, mas o Prefeito da Congregação da Doutrina da Fé o freia”. Diante da afirmação o arcebispo precisou: “Eu sou e sempre estarei com o Papa. A verdade é que não podemos esclarecer estas situações com uma declaração geral. Sobre os divorciados que voltaram a casar civilmente vemos aqueles que pensam que o Papa ou um sínodo poderão dizer: agora sim receberão a comunhão sem mais considerações. Mas isso é impossível”.

“Um matrimônio sacramental válido é indissolúvel: essa é a praxe católica reafirmada pelos Papas e os Concílios, em fidelidade à Palavra de Jesus. E a Igreja não tem a autoridade de relativizar a Palavra e os Mandamentos de Deus”, concluiu o Prefeito.

Fonte: http://www.acidigital.com/noticia.php?id=26517

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    Sobre Prof. Felipe Aquino

    O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
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