Santos casados

Autor: d. Estevão Bettencourt

Fonte: Revista “Pergunte e Responderemos” – ago./97
 
Alguém,
percorrendo o catálogo dos Santos, colheu a impressão de que nele só existem
padres e freiras e que a santidade não é possível senão nos conventos ou nas
fileiras clericais. Enganar-se-ia quem assim pensasse.

Antes do
mais, convém citar o Catecismo da Igreja Católica, que em seu nº 2.360, diz o
seguinte:

“No
casamento a intimidade corporal dos esposos se torna um sinal e um penhor da
comunhão espiritual. Entre os batizados os vínculos do matrimônio são
santificados pelo sacramento”.

Donde se vê
que o matrimônio abençoado por Deus é um estado de vida que santifica os
cônjuges. Deus concede aos esposos a graça necessária para que, atendendo aos
afazeres e compromissos respectivos, mais e mais se unam ao Senhor e cheguem à
perfeição cristã.

A própria
história atesta que houve Santos e Santas, de grande vulto, também entre as
pessoas casadas. Um exame atento do catálogo dos Santos dissipa a impressão
contrária. Eis alguns nomes dentre os vários que poderiam ser citados:

Maridos
Santos: Gregório de Nissa (+394); Paulino de Nola (+431); Estêvão, rei da
Hungria (+1038); Omobono de Cremona (+1197); Luís IX, rei da França (+1272);
Nicolau de Flüe, patrono da Suíça (+1487); Tomás Moro, ministro do rei Henrique
VIII da Inglaterra (+1535); isto sem contar os Apóstolos, dos quais alguns
devem ter sido casados, como foi São Pedro, cuja sogra é mencionada no
Evangelho (cf. Mc 1,29s).

Viúvos
Santos: Raimundo Zanfogni (+1200); Henrique de Bolzano (+1315); o
Bem-aventurado Bartolo Longo (+1926).

Esposas
Santas: Perpétua de Cartago (+202); Margarida da Escócia (+1093); Gentil Giusti
(+1530); Anna Maria Taigi (+1837).

Viúvas
Santas: Mônica, mãe de S. Agostinho (+387); Elisabete, rainha da Hungria
(+1231); Edviges da Silésia (+1234); Ângela de Foligno (+1309); Elisabete,
rainha de Portugal (+1336); Brígida da Suécia (+1373); Francisca Romana
(+1440); Rita de Cascia (+1456); Catarina Fieschi Adorno (+1510); Joana Francisca
Frémyot de Chantal (+1641); Luísa de Marillac (+1660); Elisabete Bayley Seton
(+1821).

Casais
Santos: Henrique Imperador da Alemanha (+1024) e Cunegundes; Isidoro (+1130) e
Maria Toribia; Lucchese (século XIII) e Buonadonna; os genitores de Teresa de
Lisieux (ainda não canonizados).

O Concílio
do Vaticano II, ainda uma vez, há poucos decênios (1965), lembrava a vocação de
todos os cristãos à santidade, removendo a impressão de que somente em alguns
estados de vida se pode chegar à perfeição cristã:

“É evidente
que todos os fiéis cristãos, de qualquer estado ou ordem, são chamados à
plenitude da vida cristã e à perfeição da caridade” (Lumen Gentium nº 40).

“Todos
os fiéis cristãos, nas condições, tarefas ou circunstâncias de sua vida, e
através disso tudo, dia a dia mais se santificarão, se com fé tudo aceitarem da
mão do Pai celeste e cooperarem com a vontade divina, manifestando a todos, no
próprio serviço temporal, a caridade com que Deus amou o mundo” (ib. nº
41).

“Todos
os fiéis cristãos são convidados e obrigados a procurar a santidade e a
perfeição do próprio estado” (ib. nº 42).

 

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    Sobre Prof. Felipe Aquino

    O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
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