Perseguição de cristãos cresce

Um início
de ano violento

Por Pe.
John Flynn, L.C. 

ROMA,
domingo, 23 de janeiro de 2011 (ZENIT.org) – A mensagem de Bento XVI para o Dia
Mundial da Paz
, 1 de janeiro, é dedicada ao tema da liberdade religiosa e
os problemas criados pela perseguição dos cristãos em muitas partes do mundo.

O Papa
comenta que “também o ano que encerra as portas esteve marcado pela
perseguição, pela discriminação, por terríveis actos de violência e de
intolerância religiosa”.

Infelizmente,
2011 não parece que vá ser melhor. Apenas meia hora depois de ter começado o
novo ano, explodia uma bomba no exterior da igreja copta dos Santos, na cidade
egípcia de Alexandria, enquanto 1.000 pessoas saíam dela, informou naquele
dia Associated Press. A cifra inicial de mortes foi de 21, que aumentaram
depois a 25, e cerca de uma centena de pessoas ficaram feridas.

Segundo uma
reportagem da BBC de 1 de janeiro, após a explosão, o presidente do país, Hosni
Mubarak, chamou a unidade contra o terrorismo de muçulmanos e cristãos. Nos
dias que seguiram à explosão, houve vários enfrentamentos entre grupos de
cristãos e muçulmanos.

“O sangue
de seus mártires se mesclou em Alexandria para dizer-nos que todo Egito é
objetivo e que o terrorismo cego não diferencia entre um copta e um muçulmano”,
declarou em uma emissão à televisão estatal, informava a BBC.

A BBC
assinalava que era o segundo Natal consecutivo amargado pelo derramamento de
sangue da comunidade copta do Egito. A 6 de janeiro de 2010, seis fiéis e um
oficial de polícia muçulmanos foram assassinados em um tiroteio próximo de uma
igreja na cidade de Naga Hamady.

O ataque
não dissuadiu as pessoas de voltarem no dia seguinte à missa de manhã, segundo
um artigo do New York Times de 2 de janeiro. Segundo a reportagem, os
bancos da igreja estavam quase cheios. Bento XVI condenou o ataque. Falando
antes de rezar o Angelus no dia 2 de janeiro, o pontífice deplorava tanto o
ataque do Egito como as bombas colocadas próximo das casas dos cristãos do
Iraque em dias anteriores.

Grave
escalada de violência

Os ataques,
disse o pontífice, eram uma ofensa a Deus e à humanidade. Ele animava as
comunidades eclesiais a perseverar na fé e no testemunho da mensagem de não
violência contida nos Evangelhos.

A igreja
copta divulgou uma declaração, qualificando o ataque como uma “grave escalada”
de violência contra os cristãos, segundo informou no dia 3 de janeiro o Los
Angeles Times.

A
declaração pedia uma investigação pública do ataque e solicitava das
autoridades que fizessem públicos os detalhes do crime o quanto antes.

A bomba no
Egito foi precedida da violência no Iraque. Foram colocadas dez bombas próximo
de lares de famílias cristãs em
Bagdá. As explosões causaram a morte de duas pessoas, com 20
feridos, informava no dia 30 de dezembro o New York Times.

O último
ataque aconteceu após outro evento, em que vários pistoleiros entraram na
igreja de Nossa Senhora da Salvação, em Bagdá, em outubro, causando a morte de
dezenas de fiéis.

Antes das
últimas bombas, muitas igrejas tinham cancelado suas celebrações de Natal, por
temor de possíveis agressões dos extremistas islâmicos.

Segundo
o New York Times, desde outubro, ao menos 1.000 famílias cristãs
abandonaram o Iraque, buscando refúgio na Síria, Turquia e outros lugares.
Alguns estimam que mais da metade do 1,4 milhão de cristãos do país tenha
abandonado o Iraque desde 2003.

Violência
cresce

A Índia é
outro país onde os cristãos enfrentam hostilidades e, segundo um informe
de Compass Direct, houve um aumento dos episódios de violência.

Segundo o
informe de 30 de dezembro, os cristãos da Índia foram o objetivo de mais de 130
ataques por ano desde 2001, com cifras muito mais altas no ano de 2007 e em
2008. Em 2010, houve ao menos 149 ataques violentos.

A maioria
dos incidentes aconteceu em
quatro Estados: Karnataka, Andhra Pradesh, Madhya Pradesh e
Chhattisgarh. Dos 23 milhões de cristãos da Índia, 2,7 milhões vivem nos quatro
Estados onde há mais perseguição.

A situação
é não menos grave no Paquistão, em particular por causa das leis de blasfêmia.
Os cristãos costumam ser objetivo de acusações sob essas leis. O caso mais
recente é de Asia Bibi, mãe de cinco filhos, sentenciada à morte após ser
acusada de blasfêmia.

Salman
Taseer, governador da província de Punjab, foi assassinado por um de seus escoltas
após ter falado a favor das mulheres e das minorias religiosas, segundo uma
reportagem da Reuters de 4 de janeiro.

O escolta,
Malik Mumtaz Hussain Qadr, citou a oposição de Taseer às leis de blasfêmia para
justificar sua ação.

“Salman
Taseer é um blasfemo, e este é o castigo para um blasfemo”, disse Qadr em
comentários difundidos pela televisão.

Tensão na
China

A violência
não é a única preocupação da Igreja Católica. Em dezembro, aumentaram as
tensões com o governo chinês, em consequência da decisão das autoridades de
obrigar todos os bispos a participar de uma reunião.

O Papa
disse aos bispos católicos que não participassem do encontro, informava a 7 de
dezembro o Washington Post. Segundo o artigo, o governo não deu outra
opção aos bispos. O texto descrevia uma cena em que a polícia tirava da
catedral de Jing, província de Hebei, o bispo Feng Xinmao.

“Mons.
Feng foi sequestrado e forçado a participar desta reunião”, disse um frade,
entrevistado por telefone pelo jornal.

O artigo
observava que a reunião aconteceu só duas semanas depois da ordenação de um
novo bispo na província de Hebei, sem a aprovação do Vaticano. Em uma nota com
data de 17 de dezembro, o Vaticano criticava a decisão das autoridades chinesas
de celebrar a reunião.

Liberdade

“A maneira
como se convocou e desenvolveu [a reunião] manifestam uma atitude repressiva em
relação ao exercício da liberdade religiosa, que se esperava já superada na
China atual”, afirmava a declaração do Vaticano.

“O desejo
persistente de controlar a esfera mais íntima da vida dos cidadãos, quer dizer,
sua consciência, e de interferir na vida interna da Igreja Católica não faz
honra à China”, acrescentava.

Posteriormente,
em sua mensagem urbi et orbi, a 25 de dezembro, Bento XVI pedia que a
celebração do Natal consolidasse a fé e a valentia da Igreja na China
continental.

As
autoridades chinesas, no entanto, não mostraram sinal algum de mudança e, como
reação à mensagem de Natal do Papa, advertiram que o Vaticano deve “enfrentar
os fatos” sobre a religião na China, se quiser melhorar as relações com o país,
informou o jornal London Telegraph no dia 28 de dezembro.

“O direito
à liberdade religiosa funda-se na própria dignidade da pessoa humana, cuja
natureza transcendente não se pode ignorar ou descuidar”, afirma o Papa em sua
mensagem para o Dia da Paz.

“A
liberdade religiosa – acrescenta o Santo Padre – há de se entender não só como
ausência de coação, mas antes ainda como capacidade de ordenar as próprias
opções segundo a verdade”. Uma verdade perante a qual parece que nem todos
estão abertos.

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    Sobre Prof. Felipe Aquino

    O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
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