Os impostos escorchantes do Brasil

taxA Igreja ensina que devemos pagar os impostos para o bem da mãe Pátria. Diz o nosso Catecismo que: “A submissão à autoridade e a corresponsabilidade pelo bem comum exigem moralmente o pagamento de impostos, o exercício do direito de voto, a defesa do país: Dai a cada um o que lhe é devido: o imposto a quem é devido; a taxa a quem é devida; a reverência a quem é devida; a honra a quem é devida (Rm 13,7)”.

No entanto, isso não dá ao governo o direito de impor ao povo impostos escorchantes como temos visto em nosso país. A fonte de notícias abaixo indicada [1], mostra que de todo o rendimento bruto, o brasileiro terá de destinar 41,10%, em 2013, para arcar com os impostos que lhe são cobrados. A conta inclui todos os impostos, taxas e contribuições cobrados pelo governo federal, Estados e municípios: Imposto de Renda, IPTU, IPVA, PIS, Cofins, ICMS, IPI, ISS, contribuições previdenciárias, sindicais, taxas de limpeza pública, coleta de lixo, iluminação pública e emissão de documentos. São cinco meses de trabalho só para pagar impostos; o que sobra para o povo que produz? Os cálculos são do IBPT (Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário).

Outros países cobram muito menos impostos; em comparação com os 150 dias do Brasil temos: México (91 dias), Chile (92 dias), Argentina (97 dias), Estados Unidos (102 dias), Espanha (137 dias) e França (149 dias). No estudo do IBPT, a quantidade de dias do Brasil só é menor que a da Suécia (185), mas esse país oferece benefícios enormes à população que nem de longe o governo nos dá. Ai não há favelas, doenças endêmicas, assaltos a toda hora, sequestros, casas muradas e cercadas de cerca elétrica com alarmes. O seguro desemprego é digno e a assistência médica é perfeita.

O que agrava a situação é que essa cobrança escorchante de impostos piora a cada ano, para manter a máquina governamental gastando sem limites e sem critérios adequados. Na década de 70, foram necessários 76 dias trabalhados por ano somente para pagar tributos; na década de 80, 77 dias e, na década de 90, 102 dias. E nesta década se agravou mais ainda, 150 dias. Onde vamos parar?

Injustamente o brasileiro é bitributado em alguns itens; além de pagar o  Imposto de Renda, o  cidadão também paga imposto sobre o consumo, que já vem embutido no preço dos produtos e serviços, como PIS, Cofins, ICMS, IPI e ISS. Paga, ainda, imposto sobre o patrimônio, como o IPTU e o IPVA.

E a grande pergunta é esta: para onde vai toda essa imensa quantidade de dinheiro de impostos arrecadados? Certamente não é para o benefício do povo, sobretudo da classe média. Grande parte é consumida pela altíssima folha de pagamentos de um Estado inchado, por algumas estatais deficientes, corrupção e malversação do dinheiro público.

Por outro lado, aumenta a inflação e diminui o PIB – Produto interno bruto, isto é, o crescimento do país, porque não temos infraestrutura de estradas, portos, aeroportos, etc., que facilitem a produção e a sua distribuição. O dinheiro é arrancado das mãos do povo que trabalha e produz e é jogado nas mãos de quem não sabe produzir; com isso o país não levanta voo, embora seja riquíssimo em potencial natural.  Seria muito melhor se boa parte de todo esse dinheiro ficasse nas mãos do povo para que ele mesmo lhe desse um destino melhor.

Referências Bibliográficas: http://economia.uol.com.br/noticias/redacao/2013/05/30/brasileiro-trabalha-ate-hoje-so-para-pagar-impostos-diz-instituto.htm

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    Sobre Prof. Felipe Aquino

    O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
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