Deus proíbe o uso de imagens? EB

D. Estevão Bettencourt . osb – Mosteiro de S. Bento – Rio de Janeiro

No livro do
Êxodo 20,4-5 Deus parece proibir o uso de imagens. Mas porquê essa proibição?
Porque podiam ser ocasião a que o povo de Israel as adorassem, como faziam os
povos vizinhos dados à idolatria. Os israelitas tendiam a imitar gestos
religiosos pagãos e, por isso, muitas vezes cairam na idolatria. Deus queria
incutir o conceito de Javé, mostrando que o Senhor era diferente dos deuses dos
outros povos.

Tomadas as
cautelas contra o perigo da idolatria, Deus não somente permitiu, mas até
mandou que se fizessem imagens sagradas. Veja:

Ex 25,17-22
– Deus manda Moisés colocar 2 querubins de ouro na Arca da Aiança, onde Javé
falava com seu povo.

1Rs 6,23-28
– No Templo construído por Salomão foram colocados querubins de madeira junto à
Arca da Aliança. E as paredes do templo tinha imagens de querubins. Tudo feito
com ordem de Deus, conforme vemos em 1Cr 22,6-13, e em Ex 31,1-11.

1Rs 7,25.29
– No Templo de Salomão havia também bois de metal, leões, touros e querubins.

Nm 21,8-9 –
Deus ordenou a Moisés que fizesse uma serpente de bronze, e quem olhasse para
ela seria salvo.

A cultura
dos povos evoluiu e a filosofia foi mostrando quanto é absurdo atribuir a uma
escultura a força da divindade, de modo que o perigo da idolatria foi
diminuindo. Por isso o uso de imagens foi-se implantando.

No século
III, encontramos sinagogas da Palestina com pinturas e figuras humanas. A
sinagoga de Dura-Europos, na Babilônia, tinha a representação de Moisés, Abraão
e outros.

As antigas
catacumbas cristãs apresentavam imagens bíblicas. Noé salvo do diluvio, Daniel
na cova dos leões, o Peixe que simbolizava o Cristo e muitas outras.

A veneração
que a Igreja presta às imagens, só é válida na medida em que é oferecida
indiretamente àqueles que as imagens representam.

Veja alguns
depoimentos sobre o uso das imagens:

“Uma
coisa é adorar uma imagem, outra coisa é aprender, por essa imagem, a quem se
dirige as tuas preces. O que a Escritura é para aqueles que sabem ler, a imagem
o é para os iletrados. Por essas imagens, aprendem o caminho a seguir. A imagem
é o livro daqueles que não sabem ler” (Papa São Gregório Magno).

“Qunato
mais os fiéis contemplarem essas representações, mais serão levados a
recordar-se dos modelos originais. Uma veneração respeitosa sem que isto seja
adoração, pois esta só convém, segundo a nossa fé, a Deus.” (Concílio de
Nicéia II).

“Ninguém
há tão simples e iletrado que possa desculpar-se de não saber como viver
retamente, quando tem diante de si na imagem do Crucificado, um livro ilustrado,
escrito, de forma clara e legível, em que todas as virtudes são aprovadas e
todos os vícios reprovados.” (Jean Gerson).

“Outrora
Deus invisível, nunca era representado. Mas agora que Deus se manifestou na
carne e habitou entre os homens, eu represento o “visível” de Deus.
Não adoro a matéria, mas o Criador da matéria.” (ib I.16).

Para
finalizar, saibamos que em Karlsruhe, em 1956, os luteranos reunidos em
Congresso ponderaram que a ordem de Cristo de pregar o Evangelho em todas as
línguas, inclui também a linguagem figurada do artista. Perguntavam-se: “Porque
admitir as impressões auditivas na catequese e rejeitar as impressões visuais?
Estas parecem ainda mais eficientes do que aquelas.” (Der christliche
Sonntag, em 14/10/1956, pág. 327).

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    Sobre Prof. Felipe Aquino

    O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
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