Buscar todas as Periferias

Papa Francisco - DivulgaçãoO cardeal Jaime Ortega, de Cuba, na homilia da primeira missa celebrada em Cuba depois do Conclave que elegeu o Papa Francisco, revelou as palavras pronunciadas pelo cardeal Jorge Mario Bergoglio durante uma Congregação Geral dos cardeais antes de entrarem no Conclave.

O arcebispo de Havana contou que, naquela Congregação Geral, o cardeal Bergoglio fez um discurso “magistral, perspicaz, envolvente e verdadeiro”.

Um dos pontos abordados foi a evangelização: “a Igreja deve deixar tudo e ir para as periferias”, não só geográficas, mas também humanas e existenciais. Ela tem que chegar até os últimos, se aproximar das pessoas onde se manifesta o pecado, a dor, a injustiça e a ignorância.

No último ponto, o cardeal Bergoglio confessou aos cardeais a esperança, a respeito do novo papa, de “um homem que, a partir da contemplação de Jesus Cristo, possa ajudar a Igreja a se aproximar das periferias existenciais da humanidade”.

O cardeal Ortega pediu o texto do discurso ao cardeal Bergoglio. Na manhã seguinte este levou para Ortega uma folha de papel em que tinha escrito o discurso. O cardeal Ortega perguntou a Bergoglio se podia publicá-los depois do Conclave, ideia com que Bergoglio concordou. Quando o arcebispo de Buenos Aires se tornou o papa Francisco, o cardeal cubano perguntou se ainda poderia publicar o texto do seu discurso na Congregação Geral e o pontífice confirmou que sim.

A revista da arquidiocese de Havana, Palabra Nueva, publicou transcrição do manuscrito entregue pelo cardeal Jorge Mario Bergoglio ao cardeal Jaime Ortega: Discurso decisivo del cardenal Bergoglio sobre ”la dulce y confortadora alegría de evangelizar”

Para o Papa Francisco, “buscar a periferia” não é somente buscar os morros e barracos, mas também a periferia moral, psicológica, espiritual, teológica: “a Igreja deve deixar tudo e ir para as periferias, não só geográficas, mas também humanas e existenciais. Ela tem que chegar até os últimos, se aproximar das pessoas onde se manifesta o pecado, a dor, a injustiça e a ignorância”.

Não há dúvida de que este é o tom da música que o Papa vai dar a seu pontificado. Levar o socorro de Cristo, pela Igreja, a todos os que sofrem no corpo e na alma, no silêncio e no barulho das grandes cidades, nos morros e nos casebres, nas prisões e nos hospitais, aos sem Deus e sem esperança, aos que estão nas trevas do pecado, da droga, do crime, da vida sem sentido, da depressão… Sair da sacristia e das muitas reuniões e ir para a rua, em busca das ovelhas tresmalhadas que deixaram o rebanho e andam perdidas pelos abismos da vida.

Ouçamos com atenção a voz do Grande Pastor da Igreja, do “Doce Cristo na Terra” (Santa Catarina de Sena); arregacemos as mangas e partamos para as ruas, para as encruzilhadas, buscando os aleijados na alma, os  coxos da vida, os estropiados da modernidade. Para salvar o mundo o Pai enviou o Filho, e o Filho enviou a Igreja (“Ide! pelo mundo inteiro…”), e a Igreja nos envia. Vamos!

João Paulo II já tinha feito esse convite aos bispos do Brasil, em Roma, em 5/9/1995: “Isso mostra, caríssimos irmãos, que não basta chamar, convocar e esperar que as pessoas venham… deveis ser ‘uma Igreja que vai ao encontro do Povo!’. Deveis ser uma igreja que procure as pessoas, que as convide não somente no chamado geral dos meios de comunicação, mas no convite pessoal, de casa em casa, de rua em rua, num trabalho permanente, respeitoso, mas sempre presente em todos os lugares e ambientes”.

Prof. Felipe Aquino

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    Sobre Prof. Felipe Aquino

    O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
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