As riquezas da Igreja e das Comunidades Eclesiais

Igreja Cátólica Apóst. Romana - Roma. Vaticano.A jornalista Eliane Cantanhêde, da Folha de São Paulo, escreveu, em 03 de fevereiro de 2013, um artigo intitulado “Em nome de Deus”, no qual relata que “as igrejas arrecadam R$ 21 bi por ano no Brasil, incluindo católicas, evangélicas e centros espíritas”. A revelação foi da repórter Flávia Foreque, com base em dados da Receita Federal obtidos por meio de uma das grandes inovações do país: a Lei de Acesso à Informação.

A jornalista informa que a lista da revista “Forbes”, dos EUA, aponta os cinco pastores mais ricos do Brasil, entre eles os que têm passaporte diplomático por representarem “interesses do país”. A lista da Forbes “é encabeçada por Edir Macedo, da Universal do Reino de Deus, com patrimônio líquido de R$ 1,9 bi, a lista inclui: Valdemiro Santiago, da Igreja Mundial do Poder de Deus – dissidente da Universal, como o nome já diz; Silas Malafaia, da Assembleia de Deus; Romildo Soares, da Igreja Internacional da Graça de Deus; e Estevam Hernandes e sua mulher, da Renascer em Cristo, os mais pobrezinhos (“só” R$ 130 milhões)”*.

E a jornalista pergunta em sua matéria: “Fica a pergunta: a arrecadação e o dízimo de algumas das igrejas vão para elas e suas almas, ou para as contas bancárias dos pastores?”*

Esses dados e essas questões nos fazem pensar. Primeiro, por que o governo dá passaporte diplomático a esses pastores ricos?  A intenção é só mesmo “interesses do país”? Penso que se assim o fosse, também os cardeais e bispos da Igreja Católica, que embora não sejam ricos, têm também uma enorme influência dentro e fora do país, já que lideram um rebanho de mais de 130 milhões de católicos.

Por outro lado, esses dados fazem cessar de vez a triste e enfadonha cantilena de que a Igreja Católica é rica. O Vaticano é um Estado que surgiu em 756 com Pepino o Breve, Pai o grande imperador Carlos Magno, que o reconheceu como legítimo. Portanto, tem mais de 1200 anos, enquanto Brasil e toda a América têm apenas 500 anos.

A  Santa Sé tinha até 1870 um território de 40.000 km2, que lhe foram tomados à força das armas por Victor Emanuel II, em 1870, na guerra de unificação da Itália. Sobrou para a Igreja apenas 0,44 Km2, que é hoje o Vaticano. Nem dá para ali aterrissar um avião; e o Papa voa pela Alitália; deve ser o único chefe de Estado que não tem avião próprio.

É preciso entender que a Igreja Católica é uma Instituição; tem como base um Estado membro da ONU, cujo chefe é o Papa, e é a Instituição que mais representantes diplomáticos (Núncios Apostólicos) tem em todo o planeta. É claro que a Igreja precisa de dinheiro e de bens para manter toda essa estrutura de evangelização, cumprindo a ordem de Jesus de evangelizar a todas as criaturas e nações.

Nenhum cardeal ou bispo da Igreja está na lista da FORBES,  e nem mesmo o Papa; o que mostra que o dinheiro do Vaticano e da Igreja é da Instituição e para a evangelização apenas. Se algum filho da Igreja Católica usa de seus bens para outra finalidade, isso não é culpa da Igreja; e  terá de acertar contas com o seu Senhor.

* http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/91984-em-nome-de-deus.shtml

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    Sobre Prof. Felipe Aquino

    O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
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