A vontade de Deus

“Venha o Teu Reino, seja feita a Vossa vontade na terra como no céu.” (Mt 6,10)

Jesus disse aos Apóstolos no Sermão da Montanha: “Nem todo que me diz: Senhor, Senhor, entrará no reino dos céus, mas o que faz a vontade de meu Pai, esse entrará no reino dos céus”. (Mt 7,21)

Fazer a vontade de Deus, dizia Santo Afonso de Ligório (†1787) é “fazer o que Deus quer e querer o que Deus faz”. Fazer o que Deus quer é algo objetivo: obedecer às leis de Deus, os Seus Mandamentos e viver a doutrina ensinada pela Igreja em termos de fé e de moral; querer o que Deus faz, é aceitar com resignação e fé tudo o que Deus permitir que aconteça conosco, sem revolta e murmuração. Sem dúvida, dizia o Santo, este é o caminho da santidade.

Mas, por que, nem sempre é fácil discernir e realizar a vontade de Deus? Porque o pecado entrou no mundo e desorganizou o plano de Deus. Ele criou o melhor dos mundos possíveis. “Deus contemplou toda a sua obra, e viu que tudo era muito bom” (Gn 1,31) mas, os pecados de Lúcifer e de Adão estragaram a obra do Criador. Para os homens, Deus prometeu como Redentor seu próprio Filho que veio a esta terra para destruir com sua pregação e com a sua morte o projeto do maligno. Deus nos deu uma alternativa para a salvação; para voltarmos ao seu convívio: arrepender-se e acatar a redenção oferecida em Cristo, praticando tudo que Ele ensinou, fazendo a sua santa vontade.

Isto exige aderir totalmente a Deus, com toda a alma, com todas as forças, com todo o coração, com toda a vida.

O profeta diz que Deus não se compraz em holocaustos e sacrifícios, mas sim na obediência total à sua vontade.

“Samuel replicou-lhe: Acaso o Senhor se compraz tanto nos holocaustos e sacrifícios como na obediência à sua voz? A obediência é melhor que o sacrifício e a submissão valem mais que a gordura dos carneiros. A rebelião é tão culpável quanto à superstição; a desobediência é como o pecado de idolatria. Pois que rejeitaste a palavra do Senhor, também ele te rejeita e te despoja da realeza!” (1 Sm 15,22-23).

No Antigo Testamento, os israelitas descarregavam seus pecados e suas desobediências sobre o “bode expiatório” que era levado ao deserto:“Imporá as duas mãos sobre a sua cabeça, e confessará sobre ele todas as iniquidades dos israelitas, todas as suas desobediências, todos os seus pecados. Pô-los-á sobre a cabeça do bode e o enviará ao deserto pelas mãos de um homem encarregado disso.” (Lv 16,21)

A obediência é a resposta livre dada a Deus; no ser e no fazer cotidiano é que mostramos a submissão ao que o Senhor deseja. Isso significa a “imolação da vontade própria” para aderir ao que Deus quer. Por isso, é importante pelo dom do discernimento, entender e fazer a vontade de Deus. Jesus é o caminho desta conduta diária; Ele nos deixou com sua vida e suas palavras o exemplo de como fazer a vontade de Deus. Ele sabia que por causa de sua fidelidade ao Pai, seria um dia crucificado; mas não deixou de cumpri-la.

Somos servos daquele a quem obedecemos:“Não sabeis que, quando vos ofereceis a alguém para lhe obedecer, sois escravos daquele a quem obedeceis, quer seja do pecado para a morte, quer da obediência para a justiça?” (Rm 6,16)

O cristão precisa aprender o que significa renúncia, não se revoltar contra as provações que, na sua sabedoria, Deus sabe serem necessárias para purificar a nossa alma. O Evangelho é uma escola de mortificação, ensina a “tomar a cruz a cada dia” e seguir Jesus.

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    Sobre Prof. Felipe Aquino

    O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
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