A Igreja católica acrescentou livros ao catálogo bíblico? EB

pentateucoEm síntese: Os protestantes alegam que a Igreja Católica no Concílio de Trento (1545-63) acrescentou sete livros ao catálogo bíblico. Para dissipar esta afirmação, já foram publicados vários testemunhos em PR 432/1998, pp. 194ss aos quais seja adicionado Tomus Damasi abaixo transcrito.

Os protestantes costumam afirmar que a Igreja Católica no Concílio de Trento, em 1546, acrescentou ao catálogo bíblico sete livros Tobias, Judite Eclesiástico, Baruque, Sabedoria ½ Macabeus além de fragmentos de Ester e Daniel.

Para evidenciar a falsidade desta alegação, já foram publicados em PR 432/1998 pp. 194ss os testemunhos de Concílios que desde 393 professam o cânon bíblico como ele até hoje se encontra nas edições católicas da Bíblia somente a ignorância da documentação pode sustentar a alegação protestante.

Visto que o assunto vem à baila com frequência publicaremos, a seguir, mais um testemunho de grande peso, pois data do fim do século IV, como julgam os críticos.

A introdução ao texto e próprio texto são extraídos da obra de Justo Coliantes intitulada “A Fé Católica” nº 2001 (edição brasileira apresentada em PR 497/2003).

Tomus Damasi (382 +)

Este decreto [Decretum Damasi], posteriormente incorporado ao decreto gelasiano [Decretum Gelasi] se não é do Papa Damaso, deve ter sido redigido antes do ano 405, porque nesse ano o Papa Inocêncio I, numa carta ao bispo Exupério datada de 20.2, atribui ao Apóstolo João as três epístolas do cânon Nenhum autor afinado com a prática romana poderia, depois de tal ano, atribuir ao evangelista só a primeira epístola e as duas seguintes a um presbítero João como faz o nosso decreto De qualquer modo, mesmo na hipótese de não ser autêntico costuma-se reconhecer no decreto uma origem damasiana, ao menos quanto à substância.

Texto: PL 19, 791-793; Msi 8, 145-147 JTS 1 (1900) 557-559.

2.001 “Devemos agora tratar das divinas Escrituras: o que toda a Igreja Católica aceita e o que deve ela recusar.

Ordem do Antigo Testamento: Gênesis, um livro Deuteronômio, um livro. Jesus de Nave, um livro. Rute, um livro. Reis, quatro livros. Paralipônemos, dois livros. Cento e cinqüenta Salmos, um livro. De Salomão,três livros: Provérbios, um livro Eclesiastes, um livro; Cântico dos Cânticos, um livro Além disso: Sabedoria, um livro. Eclesiástico, um livro. Série dos profetas Isaías, um livro Jeremias, um livro Série dos profetas: Isaías, um livro Jeremias, um livro com Cinoth isto é, suas Lamentações. Ezequiel, um livro. Daniel, um livro. Oséias, um livro. Amós, um livro Miquéias um livro Joel um livro Abdias, um livro. Jonas, um livro. Naum um livro, Habacuc, um livro. Sofonias, um livro. Ageu, um livro. Zacarias, um livro. Malaquias, um livro Série das histórias: Jô um livro. Tobias, um livro. Esdras, dois livros. Éster, um livro. Judite, um livro. Macabeus, dois livros.

Ordem das Escrituras do Novo e eterno Testamento que a Santa Igreja Católica reconhece [e venera]: os Evangelhos: segundo Mateus, um livro; segundo Marcos, um livro; segundo Lucas, um livro; segundo João, um livro. As Epístolas de Paulo [Apóstolo] em numero de 14; aos Romanos, uma; aos Coríntios duas; aos Efésios, uma aos Tessalonicenses, duas; aos Gálatas uma; aos Filipenses uma; aos Colossenses uma a Timóteo, duas; a Tito, uma; a Filémon, uma; aos Hebreus, uma. Igualmente: o Apocalipse de João, um livro Atos dos Apóstolos um livro. Série das epístolas canônicas, em número de sete: do Apóstolo Pedro, duas; do Apóstolo Tiago, uma; do Apóstolo João, uma; do presbítero João duas do Apóstolo Judas zelote, uma. Termina o cânon do Novo Testamento”.

A leitura deste texto e dos que foram transcritos em PR 432/1998 pp. 194s leva a afirmar que foi Lutero quem retirou da Bíblia os sete livros deuterocanônicos; abandonou assim a tradição católica baseada na praxe da Igreja antiga para seguir cânon estipulado pelos judeus em Jamnia no ano 100 d.C. aproximadamente.

É de notar que, sendo canônicos, como realmente são, os sete livros apontados, adquirem fundamento bíblico já no Antigo Testamento as doutrinas do purgatório (ver 2Mc 12, 38-45) e da intercessão dos santos pelos seus irmãos militantes na terra (ver 2Mc 15,12-16).

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    Sobre Prof. Felipe Aquino

    O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
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