A culpa do superaquecimento global é do homem?

Durante um bom tempo os arautos do controle drástico da natalidade afirmavam, com uma segurança quase divina, que o homem era o culpado do aquecimento do clima e outras catástrofes. Tudo isso levando a crer que o controle da natalidade é uma questão de vida ou morte para o mundo. Nesta linha a própria ONU fomenta a política de controle da natalidade e aborto.

O Papa João Paulo II, na exortação pós-sinodal sobre a família “Familiaris Consortio” (1981) já falava desses catastrofistas de plantão, disse:

“Nasceu assim uma mentalidade contra a vida (anti-life mentality), como emerge de muitas questões atuais: pense-se, por exemplo, num certo pânico derivado dos estudos dos ecólogos e dos futurólogos sobre a demografia, que exageram, às vezes, o perigo do incremento demográfico para a qualidade da vida”. (FC,30)

O “dogma” do super-aquecimento global, como culpa do homem, começa a desabar. A revista VEJA acaba de publicar uma longa reportagem sobre a “Rio + 20” (ed. 2273 – 13/6/2012, pp. 93ss) onde mostra isso com clareza. Na p. 113 a matéria traz uma entrevista com o Dr. James Lovelick, inglês, “decano do ativismo ambiental moderno”, que anunciava catástrofes imensas para a humanidade até o final deste século, em seu livro “A Vingança de Gaia”(2006). Ele previa  que 80% da população mundial seria dizimada e que os  20%  restantes viveriam no Ártico com pouca água e comida; chegou a ser eleito um dos “heróis do meio ambiente” pela revista Time em 2007; e, com o vice presidente americano Al Gore, foi um dos profetas da catástrofe humana. Agora se retrata vergonhosamente, certamente  por ter assustado tanta gente:

 “Essa previsão sobre 2100 foi uma tolice de minha parte… Estávamos equivocados. Não apenas desconhecemos o que está ocorrendo hoje em relação às mudanças climáticas, como também não temos ideia do que será do clima daqui a noventa anos. Nem sequer temos como prever de que forma os seres humanos vão reagir às possíveis consequências de uma aumento de temperaturas… Não há vilão algum no aquecimento global. Os humanos não são mais culpados por colocar CO2 no ar do que as árvores por produzir oxigênio”.

Em setembro do ano passado, o físico norueguês, Ivar Giaever, Prêmio Nobel em 1973, abandonou a Sociedade Americana de Física por discordar da postura da Instituição em relação ao aquecimento global. O geólogo Dr. Gustavo Baptista, do Instituto de Geociências da Universidade de Brasília diz que: “É presunção achar que os homens têm mais influência no clima do que as atividades que moveram placas tectônicas.” (p. 112). A estabilização das temperaturas nos últimos dez anos contraria todos os relatórios do IPCC, órgão da ONU sobre o assunto.

Em 2009, um cientista do IPCC, Kevin Trenberth, disse: “Não podemos explicar a falta de aquecimento no momento. Isso é uma farsa que não podemos manter”. Mostrava assim a farsa do tal “Climagate”. Uma previsão do IPCC dizia que em 2035 os glaciares do Himalaia iriam desaparecer; depois negaram a afirmação.  A cobertura do Himalaia permaneceu constante na última década. (idem)

É preciso estar alerta para que a “Rio + 20” não seja dirigida no sentido de apontar o homem como o causador de todos os males do meio ambiente, e com isso querer se impor ao mundo, mais ainda, um controle drástico da natalidade, impedindo a vida de existir. 

O rápido aumento populacional no planeta – que passou de 1 bilhão de habitantes, no século 19, para os atuais 7 bilhões – deve ser um dos temas centrais dos debates sobre desenvolvimento sustentável durante a Rio+20. A opinião é do cientista holandês Sander Van der Leeuw, reitor da Escola de Sustentabilidade da Universidade do Estado do Arizona (EUA), escolhido um dos vencedores do prêmio Campeões da Terra 2012, concedido anualmente pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma). Van der Leeuw considera que a questão demográfica deve ser um dos temas centrais dos debates da Rio+20. “Nós vamos ter de fazer escolhas referentes à sustentabilidade do nosso mundo. Cada povo vai ter que fazer suas próprias escolhas, mas é verdade que algumas dessas escolhas afetam outros países, outras regiões. É uma questão fundamental, é algo que precisamos rever pensando em que tipo de mundo nós queremos criar.” [1]

O jornal “Daily Mail” relatou que nos últimos 15 anos o planeta Terra está esfriando; é o que mostra o Instituto de Meteorologia da Inglaterra. A temperatura do planeta atingiu um pico em 1998 e está em uma tendência de esfriamento. Segundo o Instituto o esfriamento não é causado pela ação do homem que continuou aumentando as emissões nos últimos 15 anos; as emissões humanas não provocaram aquecimento. A causa do esfriamento, segundo o Instituto, é a energia solar que se reduziu e vai continuar assim por mais alguns anos. Há muitos fatores a se observar que são bem mais relevantes que as emissões humanas de carbono, como as emissões solares, ciclos de temperaturas dos oceanos, placas tectônicas, acumulação de nuvens, etc. Além disso, as emissões de carbono fazem bem a vida do planeta e a natureza se adapta muito bem a variações. Em 16/1/2012 cientistas de grandes universidades do mundo assinaram um texto no “Wall Street Journal” falando que as pessoas não deveriam entrar em pânico com relação ao aquecimento global. [2]

Alta Corte da Inglaterra advertiu as escolas que o filme de Al Gore sobre aquecimento global é tendencioso e contém nove erros graves. Um juiz da Alta Corte britânica identificou nove erros científicos  graves no filme “Uma Verdade Inconveniente”, que rendeu ao ex-vice-presidente americano Al Gore o Oscar de melhor documentário neste ano e mais de um milhão de cópias vendidas em DVD só nos Estados Unidos. Dentre os erros científicos da obra inclui-se a alegação de que o nível do mar subirá mais de 6 metros por causa do derretimento do gelo na Antártida e na Groenlândia. Esta afirmação foi considerada “alarmista”. Segundo o juiz, indícios apontam que o derretimento do gelo da Groenlândia liberaria esta quantidade de água “apenas em milênios”. [3]

É muito importante prestar atenção no que disse o Papa Bento XVI, em sua Mensagem pelo dia da Paz, em 1/1/2010 [4]. Na mensagem, o Papa adverte contra as atuais tendências filosóficas que levam a considerar o ser humano como um perigo para o meio ambiente e que inclusive propugnam o controle da população como uma medida de proteção da natureza. O Papa disse que “uma visão correta da relação do homem com o ambiente impede de absolutizar a natureza ou de a considerar mais importante do que a pessoa”. Bento XVI fala de um perigoso “ecopanteísmo”:

“O respeito pelo meio ambiente não pode estar contra o respeito à pessoa humana, à sua vida e à sua dignidade.”

“Se o magistério da Igreja exprime perplexidades acerca de uma concepção do ambiente inspirada no ecocentrismo e no biocentrismo, fá-lo porque tal concepção elimina a diferença ontológica e axiológica entre a pessoa humana e os outros seres vivos.” Deste modo, adverte o Papa, “chega-se realmente a eliminar a identidade e a função superior do homem, favorecendo uma visão igualitarista da ‘dignidade’ de todos os seres vivos”.

“Este “igualistarismo” falso faz parte,  de um “novo panteísmo” com acentos neopagãos que fazem derivar apenas da natureza, entendida em sentido puramente naturalista, a salvação para o homem”.

“Ao contrário, a Igreja convida a colocar a questão de modo equilibrado, no respeito da ‘gramática’ que o Criador inscreveu na sua obra, confiando ao homem o papel de guardião e administrador responsável da criação, papel de que certamente não deve abusar, mas também não pode abdicar”.  “É preciso preservar o patrimônio humano da sociedade”.

“Com efeito, a degradação da natureza está intimamente ligada à cultura que molda a convivência humana, pelo que, quando a ‘ecologia humana’ é respeitada dentro da sociedade, beneficia também a ecologia ambiental.”

Prof. Felipe Aquino

1- http://rio20.ebc.com.br/noticias/crescimento-populacional-deve-ser-central-nos-debates-da-rio20-diz-cientista/

2- http://www.dailymail.co.uk/sciencetech/article-2093264/Forget-global-warming–Cycle-25-need-worry-NASA-scientists-right-Thames-freezing-again.html#ixzz1ku6F2Ksk

3- BBC Brasil de 11/10/2007 – Revista VEJA – Edição 2031 – 24/10/ 2007

4- http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/messages/peace/documents/hf_ben-xvi_mes_20091208_xliii-world-day-peace_po.html

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    Sobre Prof. Felipe Aquino

    O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
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