A aparente repetição monótona de Deus

urlO grande inglês Gilbert Keith Chesterton, (1874-1936) foi um escritor, poeta, ensaísta, jornalista, historiador, biógrafo, teólogo, filósofo, desenhista e conferencista católico brilhante; era anglicano e se converteu ao catolicismo, tendo sido um dos seus grandes pensadores e defensores. Num de seus livros “Ortodoxia”, ele fala da aparente monotonia de Deus que repete continuamente suas obras: o sol nasce e se põe todos os dias, as estações do ano se repetem, as fases da Lua se renovam… Alguém colocou na internet esse texto do grande inglês católico:

“Ora, para expressar o caso numa linguagem popular, poderia ser verdade que o sol se levanta regularmente por nunca se cansar de levantar-se. Sua rotina talvez se deva não à ausência de vida, mas a uma vida exuberante… Mas talvez Deus seja forte o suficiente para exultar na monotonia. É possível que Deus todas as manhãs diga ao sol: “Vamos de novo”; e todas as noites à lua: “Vamos de novo”. Talvez não seja uma necessidade automática que torna todas as margaridas iguais; pode ser que Deus crie todas as margaridas separadamente, mas nunca se canse de criá-las. Pode ser que ele tenha um eterno apetite de criança; pois nós pecamos e ficamos velhos, e nosso Pai é mais jovem do que nós.”

“Se por um lado Deus conclama as coisas à repetição, é curioso notar que elas o façam sempre numa nova e irrepetível realidade. O sol se levanta sobre a criança, depois sobre o jovem, depois sobre o idoso. E a forma que ele se mostra à criança na sucessão de seus dias jamais se repetirá de forma exata. Isso nos faz perceber que a mesmice só existe para aqueles que não se detém sobre os detalhes”.

Com esta sabedoria Chesterton nos ajuda a apreciar melhor a natureza e sua beleza, que espelham a glória do Criador. “Tudo o que criaste proclama o Vosso louvor”. Tudo se repete, tudo parece uma monotonia cansativa, mas não é. Ninguém de nós se cansa do espetáculo do sol nascente e poente a cada dia, porque embora repetitivo não são iguais, cada um é mais lindo que o outro. Não nos cansamos e não enjoamos de ver a Lua ser nova, crescente, cheia e minguante, porque é sempre um fenômeno agradável, cujo brilho é sempre novo.

Como diz Chesterton, diante da obra “monótona” e repetitiva de Deus, ficamos como crianças felizes que diante de alguém que já lhe contou a mesma estória muitas vezes, pede uma vez mais: “conta de novo!”

Esta é uma grande lição, podemos repetir todos os dias os mesmos atos, as mesmas atividades, os mesmos deveres cotidianos, as mesmas orações, a mesma comida, desde que seja sempre de maneira nova, cientes de que seus frutos serão novos, a cada dia. Então, a monotonia se transforma em alegria, e a repetição se transforma em grandeza.

Prof. Felipe Aquino

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    Sobre Prof. Felipe Aquino

    O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
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