Uma padroeira para as crianças de gênio forte e aqueles de temperamentos exaltados

Nem todas as crianças de 12 anos cuspiriam no rosto de um governante pagão. Mas ela fez isso. E se tornou santa

A lenda diz que Santa Eulália de Mérida era, desde jovem, piedosa e de doce caráter. Diz também que era modesta, devota e séria. Talvez tenha sido mesmo. Mas Eulália também tinha uma personalidade forte e um gênio de ferro. E foram essas características que acabaram dando-lhe a coroa do martírio.

Nascida no fim do século III, na antiga hispano-romana Augusta Emérita, atual cidade de Mérida, Eulália era filha de pais cristãos e de uma destacada família. Educada por um sacerdote e criada no conhecimento do amor profundo de Deus por ela, consagrou-se à virgindade aos 12 anos de idade.

Seus pais eram extremamente orgulhosos de sua devoção ao Senhor. Mas também viram nela traços de perigosa teimosia. Eulália havia se comprometido, antes de tudo, com a verdade, com a bondade e com a beleza, custasse o que custasse.

Assim, quando começaram as perseguições de Diocleciano, os pais de Eulália fugiram para a casa que eles tinham no campo e levaram a menina. A preocupação não era tanto pelo fato da possibilidade de a filha cair nas mãos de agentes do governo, mas sim que a menina indignada fosse procurar os perseguidores para lhes repreender.

Eles conheciam bem a filha que tinham. Eulália sempre foi indignada com as coisas. E, mesmo com toda a custódia dos pais, certa vez ela saiu de casa às escondidas durante a noite e voltou para a cidade, a fim de procurar aqueles que exigiam sacrifícios pagãos dos cristãos.

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Todo o cansaço da jovem, que caminhou durante toda a noite até chegar ao tribunal onde o juiz Daciano ameaçava os cristãos com tortura e morte, desapareceu. Eulália se plantou como uma fera diante do tribunal pagão. Ela chamava a atenção dos membros do tribunal por causa da idolatria que eles demonstravam e por tentarem desviar os cristãos. A moça gritava: “Se buscam cristãos, aqui me têm, sou inimiga de seus deuses e estou disposta a pisoteá-los.”

Palavras como essas, geralmente, provocariam a ira do juiz. Mas este se surpreendeu com a juventude e inocência de Eulália. Ele descreveu as torturas a que a moça estaria sujeita, depois falou sobre a vida cômoda que ela poderia levar com sua nobre família. Sem dúvida, o juiz não poderia ignorar os insultos anteriores, mas permitiu que ela saísse livre, mas com uma condição: que a garota tocasse no sal e no incenso que os outros cristãos haviam sido obrigados a oferecer aos ídolos pagãos como sinal de apostasia.

Como muitas jovens de 12 anos, Eulália também era difícil de raciocinar. Porém, diferentemente da maioria, a sua fúria era honrada, suas palavras eram inspiradas pelo Espírito Santo e sua alma preparada para sofrer por Cristo, a quem ela havia se consagrado.

Depois de esgotar todas as palavras, a jovem virgem gritou para o juiz, cuspiu na cara dele e ignorou seus ídolos. Sua explosão não poderia ser perdoada, nem sequer levando em conta sua idade. Por isso, Daciano chamou os torturadores para “cuidarem” da jovem.

Eulália sofreu torturas horríveis, mas enquanto olhavas suas feridas, dizia: “Tu estarás em mim escrito, Senhor”.

Finalmente, ela foi queimada viva. A história diz que, quando ela morreu, sua alma abandonou o corpo na forma de uma pomba. Pouco depois, uma nevada cobriu seu corpo desnudo em um sudário.

Parece que, embora tenha tido a capacidade para o desafio, Eulália era amável e carinhosa quando as circunstâncias exigiam. Ao mesmo tempo, poderia virar mesas e derrubar templos, se necessário.

Talvez Santa Eulália não seja exatamente um modelo para nossos filhos. Mas é um exemplo de personalidade forte, aplicada com correção. Por mais que seus pais queriam que ela fosse dócil, foi seu espírito de ferro e obstinado que a fez santa.

Peçamos a intercessão de Santa Eulália de Mérida para todas as crianças de gênio forte e pelos nossos filhos. Que Deus eleve até Ele seus ardores e lhes faça lutar pela virtude e justiça com todas as forças que suas almas apaixonadas possam reunir.

Santa Eulália de Mérida, rogai por nós!

Fonte: https://pt.aleteia.org/2017/12/12/uma-padroeira-para-as-criancas-de-genio-forte-e-aqueles-de-temperamentos-exaltados/

Sobre Prof. Felipe Aquino

O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
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