Um reflexão sobre a Pandemia aos olhos da fé

Sabemos que todo mal que há no mundo tem a sua raiz primária no pecado original e também nos nossos pecados pessoais. São Paulo disse que “o salário do pecado é a morte” (Rom 6,23). Todo sofrimento, dor e morte entraram na história humana pelos pecados.

Como a humanidade é solidária, recebemos o bem e o mal que todos realizam. Tudo de bom que precisamos recebemos do trabalho dos outros (alimento, roupa, aparelhos, etc.). Da mesma forma, os males da humanidade nos atingem, aos bons e aos maus. Cada pecado que cometemos faz aparecer em algum lugar uma semente de sofrimento.

Sabemos que Deus é Onipotente, Ele pode evitar que o mal nos atinja, mas permite que isso aconteça porque estabeleceu o mundo em leis que Ele respeita. Assim, por exemplo, Ele não pode suspender a lei da gravidade se alguém cai de um prédio, senão o mundo acabaria. Mas Deus nos deu inteligência, para discernir o bem do mal; liberdade, para escolher o bem; vontade, para praticar apenas o bem; e a consciência, que nos recomenda “fazer o bem e evitar o mal”. Então, se, usando mal esses talentos que Deus nos deu, cometemos o mal, Deus permite que suas consequências nos atinjam para nossa correção e salvação. Os gregos já diziam que “mathos, phatos” (o sofrimento é escola).

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Essa pandemia é resultado da desordem que o pecado original introduziu no mundo. Se Deus não impediu que ela se manifestasse é porque tem um desígnio de salvação atrás disso. Santo Agostinho disse que “se Deus não soubesse do mal tirar o bem, não permitiria o mal acontecer” (O Livre Arbítrio, I, 1, 2).

Não podemos esquecer as graves e inúmeras ofensas que toda a humanidade tem feito a Deus, calcando aos pés as Suas santas leis, aceitando infelizmente o aborto, a eutanásia, o casamento de pessoas do mesmo sexo, pornografia, adultério, ideologia de gênero, além das profanações do sagrado de muitas formas. E vemos as crianças serem pervertidas na sexualidade. A pergunta que fica é essa: Até quando Deus vai permitiria tudo isso que leva a humanidade para o inferno?

Então, aqueles que amam a Deus, precisam dobrar os joelhos e pedir perdão a Deus pelos pecados de todos, desagravando o Senhor de tantas ofensas recebidas, e pedir que essa tormenta cesse. Disse o profeta Oséias: “Vinde, voltemos ao Senhor, ele feriu-nos, ele nos curará; ele causou a ferida, ele a pensará. Ele nos dará de novo a vida em dois dias; ao terceiro dia ele nos levantará e viveremos em sua presença” (Os 6,1-2).

Precisamos atravessar essa crise, com fé e esperança, firmes no que diz São Pedro: “Deus de toda a graça, que nos chamou em Jesus Cristo à sua eterna glória, depois que tiverdes sofrido um pouco, vos aperfeiçoará, fortificará e consolidará” (1Pe 5,10).

É um momento de meditarmos o que nos ensina a Carta aos Hebreus, sobre a correção divina aos homens:

“Estais esquecidos da palavra de animação que vos é dirigida como a filhos: Filho meu, não desprezes a correção do Senhor. Não desanimes, quando repreendido por ele; pois o Senhor corrige a quem ama e castiga todo aquele que reconhece por seu filho (Pr 3,11s). Estais sendo provados para a vossa correção: é Deus que vos trata como filhos. Ora, qual é o filho a quem seu pai não corrige? Mas se permanecêsseis sem a correção que é comum a todos, seríeis bastardos e não filhos legítimos… Os primeiros nos educaram para pouco tempo, segundo a sua própria conveniência, ao passo que este o faz para nosso bem, para nos comunicar sua santidade. É verdade que toda correção parece, de momento, antes motivo de pesar que de alegria. Mais tarde, porém, granjeia aos que por ela se exercitaram o melhor fruto de justiça e de paz” (Heb 12,4-10).

A maioria dos homens só pensa em dinheiro e nos prazeres da vida e o progresso tecnológico têm nos cegado para os valores eternos. Este é o momento de parar, pensar, meditar e buscar a Deus de coração contrito.

Este é o momento de “sofrer na fé”, isto é, juntar os nossos sofrimentos aos de Cristo pela salvação do mundo, como disse São Paulo: “Completo na minha carne o que falta à paixão de Cristo no seu corpo que é a Igreja” (Col 1,24). Assim, os bons, embora sofrendo, darão sentido ao sofrimento, e ele será aliviado e suportado.

Prof. Felipe Aquino

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Sobre Prof. Felipe Aquino

O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
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