Papa Francisco rezou pelas vítimas do terrorismo no lugar onde o ISIS ameaçava “tomar Roma e cortar a sua cabeça”

Segundo o ACI, neste domingo, 7 de março, o Papa Francisco rezou na chamada “Praça das Igrejas” na cidade de Mossul, no Iraque, que há alguns anos era o centro das operações de terroristas do Estado Islâmico (ISIS) quando estavam no controle da área onde, hoje, uma pequena comunidade cristã habita. Este foi o lugar onde anos atrás terroristas do ISIS (Estado Islâmico) proferiam ameaças de tomar Roma e decapitar o Santo Padre.

O Pe. Raed Adel, um sacerdote que vive em Mossul, explica que “o local foi usado como um centro de operações do Daesh (Estado Islâmico), com sua polícia religiosa. Era um centro de liderança do ISIS.”

“Aqui o ISIS disse: ‘Iremos a Roma, ocuparemos Roma e cortaremos a cabeça do Papa”, disse ele.

O Sacerdote considera que a visita do Papa Francisco a Mossul é certamente “uma questão importante”, dado que o local era “o centro administrativo do ISIS”.

Entre junho e agosto de 2014, centenas de milhares de cristãos foram forçados a fugir de Mossul e grande parte da província de Nínive quando o território foi conquistado pelo ISIS.

O evento ocorreu nas ruínas da cidade de Mossul, no local chamado Praça das 4 igrejas. O Santo Padre, em suas palavras prévias à oração, lamentou “a trágica redução dos discípulos de Cristo, aqui e em todo o Médio Oriente”, qualificando o fato como “um dano incalculável não só para as pessoas e comunidades envolvidas, mas também para a própria sociedade que eles deixaram para trás”.

“Hoje, apesar de tudo, reafirmamos a nossa convicção de que a fraternidade é mais forte que o fratricídio, que a esperança é mais forte que a morte, que a paz é mais forte que a guerra”, concluiu .

Oração pelas vítimas da guerra

Francisco fez uma pequena premissa: “Antes de rezar por todas as vítimas da guerra nesta cidade de Mosul no Iraque e em todo o Oriente Médio, gostaria de partilhar convosco estes pensamentos:

Se Deus é o Deus da vida – e é-o –, a nós não é lícito matar os irmãos no seu nome.

Se Deus é o Deus da paz – e é-o –, a nós não é lícito fazer a guerra no seu nome.

Se Deus é o Deus do amor – e é-o –, a nós não é lícito odiar os irmãos.

Agora rezemos juntos por todas as vítimas da guerra, para que Deus Omnipotente lhes conceda vida eterna e paz sem fim, acolhendo-as no seu abraço amoroso. E rezemos também por todos nós para podermos, independentemente das respetivas filiações religiosas, viver em harmonia e paz, conscientes de que, aos olhos de Deus, todos somos irmãos e irmãs”.

Deus Altíssimo, Senhor do tempo e da história, por amor criastes o mundo e nunca cessais de derramar as vossas bênçãos sobre as vossas criaturas. Com terno amor de Pai, acompanhais os vossos filhos e filhas, para além do oceano do sofrimento e da morte, para além das tentações da violência, da injustiça e do lucro iníquo.

Mas nós homens, ingratos pelos vossos dons e distraídos pelas nossas preocupações e ambições demasiado terrenas, muitas vezes esquecemos os vossos desígnios de paz e harmonia. Fechamo-nos em nós mesmos e nos nossos próprios interesses e, indiferentes a Vós e aos outros, fechamos as portas à paz. Assim se repetiu aquilo que o profeta Jonas ouviu dizer de Nínive: a maldade dos homens subiu até à presença de Deus (cf. Jn 1, 2). Não levantamos para o Céu mãos puras (cf. 1 Tm 2, 8), mas da terra subiu mais uma vez o grito do sangue inocente (cf. Gn 4, 10). Os habitantes de Nínive, na narração de Jonas, ouviram a voz do vosso profeta e encontraram salvação na conversão. Também nós, Senhor, ao mesmo tempo que Vos confiamos as inúmeras vítimas do ódio do homem contra o homem, invocamos o vosso perdão e suplicamos a graça da conversão:

Kyrie eleison! Kyrie eleison! Kyrie eleison!

[Senhor, tende piedade de nós! Senhor, tende piedade…]

– um momento de silêncio –

Senhor nosso Deus, nesta cidade, dois símbolos testemunham o perene desejo da humanidade se aproximar de Vós: a mesquita Al-Nouri com o seu minarete Al Hadba e a igreja de Nossa Senhora do relógio. É um relógio que, há mais de cem anos, lembra aos transeuntes que a vida é breve, e o tempo precioso. Ensinai-nos a compreender que Vós nos confiastes o vosso desígnio de amor, paz e reconciliação, para o realizarmos no tempo, no breve arco da nossa vida terrena. Fazei-nos compreender que, só colocando-o em prática sem demora, será possível reconstruir esta cidade e este país e curar os corações dilacerados pela dor. Ajudai-nos a não gastar o tempo ao serviço dos nossos interesses egoístas, pessoais ou coletivos, mas ao serviço do vosso desígnio de amor. E quando nos transviarmos, concedei que possamos dar ouvidos à voz dos verdadeiros homens de Deus e arrepender-nos a tempo, para não nos arruinarmos ainda mais com destruição e morte.

Confiamo-Vos as pessoas, cuja vida terrena foi abreviada pela mão violenta dos seus irmãos, e imploramo-Vos também, para quantos fizeram mal aos seus irmãos e irmãs, que se arrependam, tocados pelo poder da vossa misericórdia:

Requiem æternam dona eis, Domine, et lux perpetua luceat eis. Requiescant in pace. Amen.

[Dai-lhes, Senhor, o eterno descanso, entre os esplendores da luz perpétua. Descansem em paz. Amen.]

Fonte: http://www.acidigital.com/noticias/papa-francisco-rezou-pelas-vitimas-do-terrorismo-no-lugar-onde-o-isis-ameacava-tomar-roma-e-cortar-a-sua-cabeca-12896

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Sobre Prof. Felipe Aquino

O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
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