Os coptos no Egito: Quem são esses cristãos perseguidos?

O site ACI Digital informou ontem (11/04/2017) que os cristãos coptos se tornaram uma das minorias cristãs mais perseguidas do mundo. Suas raízes na sociedade egípcia, o fato de que sejam uma das principais minorias cristãs no Oriente Médio e a sua coragem na defesa dos seus direitos, colocaram os cristãos coptos como alvo dos atentados terroristas do Estado islâmico.

Em 9 de abril, Domingo de Ramos, o Estado Islâmico perpetrou dois atentados contra os cristãos no Egito, este provocou a morte de aproximadamente 44 pessoas. Quem é esta minoria?

A palavra “copto” é derivada da palavra grega “aigyptos”. Portanto, “copto” e “egípcio” podem ser considerados quase como sinônimos.

Sua língua, copta, deriva da antiga língua egípcia, embora atualmente só seja usada no âmbito litúrgico. Quase todos os coptos egípcios falam árabe como língua materna.

De acordo com o Relatório sobre Liberdade Religiosa da Fundação Pontifícia Ajuda à Igreja que Sofre (ACN), os cristãos representam 4,95% dos 84 milhões de egípcios, ou seja, mais de 4,1 milhões de pessoas.

A maioria dos cristãos egípcios pertence à Igreja Copta Ortodoxa, embora haja também uma pequena minoria católica.

Embora a Igreja Copta Ortodoxa tenha nascido no Egito e tenha o seu principal centro neste país, existem cerca de 65 milhões de coptos espalhados pelo mundo. Além do Egito, contam uma presença significativa na Etiópia, na Eritreia e no Sudão.

Fora do Egito, é especialmente forte a comunidade copta da Etiópia, articulada em torno do Patriarcado Copto da Etiópia, onde 62,8% dos seus 97 milhões de habitantes (aproximadamente 61 milhões) são cristãos, a maioria também pertence à Igreja Copta Ortodoxa.

Segundo a tradição, a Igreja Copta Ortodoxa foi fundada por São Marcos, no primeiro século do cristianismo na cidade egípcia de Alexandria.

O cristianismo foi fortemente enraizado no Egito e, quando os muçulmanos conquistaram o antigo país dos faraós no século VII, encontraram uma sociedade profundamente cristã.

Entretanto, os séculos de domínio islâmico fizeram com que o cristianismo fosse diminuindo gradualmente, com períodos de perseguição e de tolerância, até chegar à sua situação atual.

A tradição teológica, litúrgica e cultural da Igreja Copta Ortodoxa é um patrimônio valioso que ajuda a compreender melhor a história do cristianismo e da história bíblica. Os mosteiros coptas guardaram diversos manuscritos de grande valor para a comunidade cristã.

Apesar da sua denominação, a Igreja Copta Ortodoxa não pertence à Comunhão Ortodoxa. Os coptos não reconhecem o Patriarca Ecumênico de Constantinopla como primaz. A Igreja Copta Ortodoxa se separou das igrejas cristãs no Concílio de Calcedônia, em 451.

Seu patriarca atual é o Papa Tawadros II, que mantém uma grande amizade com o Papa Francisco.

Enquanto as maiorias dos coptas pertencem à Igreja Copta Ortodoxa, também existe uma minoria pertencente à Igreja Católica Copta, em comunhão com Roma, mas que segue o rito copto. A relação entre estas igrejas é harmoniosa e amigável.

O diálogo ecumênico tem um papel essencial na coesão dos cristãos egípcios, um valor que o Papa Francisco tentará fortalecer em sua visita ao Egito prevista para o dia 28 e 29 de abril.

Fonte: http://www.acidigital.com/noticias/os-coptos-no-egito-quem-sao-esses-cristaos-perseguidos-72036/

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Sobre Prof. Felipe Aquino

O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
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