O que o Papa Francisco disse sobre Lutero e a corrupção na Igreja?

MartinLutero_Wikipedia_PapaFrancisco_JoaquinPeiro_ACIPrensa_28062016Segundo o site ACI Digital, durante a coletiva de imprensa na viagem da Armênia para Roma, o Papa Francisco respondeu a uma pergunta sobre a possibilidade de levantar a excomunhão a Martinho Lutero, por ocasião da próxima viagem do Santo Padre à Suécia pelos 500 anos da Reforma protestante.

As palavras do Santo Padre foram manipuladas por alguns meios de comunicação. Confira a seguir a resposta completa do Papa Francisco na coletiva de imprensa do domingo, 26 de junho:

“Creio que as intenções de Martinho Lutero não estivessem erradas: era um reformador. Talvez alguns métodos não fossem certos, mas naquele tempo, se lermos a história do Pastor, por exemplo, um alemão luterano que depois se converteu quando viu a realidade daquele tempo e se tomou católico.

Nesse então, a Igreja não era propriamente um modelo a imitar: havia corrupção na Igreja, havia mundanidade, havia apego ao dinheiro e ao poder. E por isso ele protestou.

Ele era inteligente e deu um passo avante justificando o porquê fazia isso. E hoje luteranos e católicos, protestantes e todos, estamos de acordo sobre a doutrina da justificação: sobre este ponto tão importante ele não errou.

Mas ele proporcionou um remédio para a Igreja, depois este remédio se consolidou em um estado de coisas, numa disciplina, num modo de acreditar, num modo de fazer, de modo litúrgico. Mas não era só ele: havia Zwingli, havia Calvino e quem estava atrás deles? Os princípios, ‘cuius regio eius religio’.

Devemos nos inserir na história daquele tempo: é uma história difícil de entender. Não é fácil. Depois as coisas prosseguiram. Hoje, o diálogo é muito bom e aquele documento sobre a justificação acredito que seja um dos documentos ecumênicos mais ricos, mais ricos e mais profundos, existem divisões, mas dependem também das Igrejas.

Em Buenos Aires, havia duas igrejas luteranas: uma pensava de um modo e a outra de outro modo, mesmo na própria Igreja luterana não há unidade. Mas se respeitam, se amam, a diversidade é aquilo que talvez nos tenha feito tanto mal a todos e hoje buscamos retomar o caminho para nos encontrar depois de 500 anos. Eu acredito que devemos rezar juntos: rezar! Por isso a oração é importante.

Segundo: trabalhar pelos pobres, pelos perseguidos, por tantas pessoas que sofrem, pelos refugiados. Trabalhar juntos e rezar juntos. E que os teólogos estudem juntos, buscando… Mas este é um caminho longo, longuíssimo.

Uma vez, disse brincando: Eu sei quando será o dia da plena unidade – Qual? – Um dia depois da vindo do Filho do Homem! Porque não se sabe… O Espírito Santo fará esta graça. Mas enquanto isso rezar, nos amar e trabalhar juntos, sobretudo pelos pobres, pelas pessoas que sofrem, pela paz e tantas outras coisas, não? Contra a exploração das pessoas… Tantas coisas pelas quais se está trabalhando conjuntamente”.

Fonte: http://www.acidigital.com/noticias/o-que-o-papa-francisco-disse-sobre-lutero-e-a-corrupcao-na-igreja-61889/

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Sobre Prof. Felipe Aquino

O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
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