Maria, a mais bela flor da primavera

Maria-Orando“Da cepa brotou a rama, da rama brotou a flor, da flor nasceu Maria, e de Maria o Salvador”.

Ela nasceu no mês em que começa a primavera. Foi num dia como hoje que nasceu a mais bela flor da primavera…

A primavera é a estação bonita e alegre que traz a chuva que dá vida às plantas e faz as flores se abrirem e colorirem o mundo. É a preparação dos frutos que virão no verão. Maria é a Flor; Jesus, o Fruto bendito.

Você já parou para perceber como toda a natureza anuncia a chegada da primavera? Se pensarmos bem, poderemos constatar que Deus, em sua bondade infinita, criou flores para todas as estações do ano para nos encantar. Mas, é incrível o show que elas dão na primavera. Repare nas cores vibrantes, nos perfumes, tamanhos e complexidade. Cada qual com o toque misterioso da mão de Deus. As flores na primavera ficam, de fato, deslumbrantes!

Na verdade, toda natureza se agita. As borboletas e os beija-flores aparecem mais assiduamente em nossos jardins. Os passarinhos parecem dançar e cantar de alegria nos céus. Podemos até sentir um “ar diferente”… Que delícia, nos fins das tardes dessa época, poder fechar os olhos e sentir aquele “ventinho quente” nos tocando a pele. As criaturas parecem estar num clima de festa!

Assim como a primavera precede a estação dos frutos, Maria é a aurora que anuncia a chegada do Sol da justiça que traz a salvação nos seus raios, Jesus Cristo. A primavera vem depois do longo inverno, frio, sem flores, sem cores, onde a vida está hibernando para surgir triunfante. O povo de Deus passou por um longo inverno no exílio, esperando o Messias; até que Ele chegou no silêncio fértil do coração de Maria. No seio santo de Ana, vem ao mundo a Aurora que precede o grande Sol da Vida, quando a morte parecia ter triunfado sobre a humanidade. E a bela Flor da primavera traz o bendito Fruto do Verão.

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Natividade de Nossa Senhora

Santo André de Creta, e muitos santos, cantaram as glórias de Maria, a flor mais linda do jardim primaveril de Deus. Ele comentou o nascimento da Virgem com essas palavras:

“Portanto cante e exulte toda a criação e contribua com algo digno para a alegria deste dia. É um só júbilo dos céus e da terra; juntos festejem tudo quanto está unido no mundo e acima do mundo. Pois hoje se construiu o templo criado do Criador de tudo, e pela criatura, de forma nova e bela, preparou-se nova morada para o seu Autor”.

O grande São Pedro Damião (1007-1072), doutor da Igreja, também falou desse dia:

“Hoje é o dia em que Deus começa a pôr em prática o seu plano eterno, pois era necessário que se construísse a casa, antes que o Rei descesse para habitá-la. Casa linda, porque, se a Sabedoria constrói uma casa com sete colunas trabalhadas, este palácio de Maria está alicerçado nos sete dons do Espírito Santo. Salomão celebrou de modo soleníssimo a inauguração de um templo de pedra…

Às trevas do paganismo e à falta de fé dos judeus, representadas pelo templo de Salomão, sucede o dia luminoso no templo de Maria. É justo, portanto, cantar este dia e Aquela que nele nasceu. Mas como poderá a palavra mortal, passageira e transitória exaltar Aquela que deu à luz a Palavra que fica? Como dizer que o Criador nasce da criatura?”

Segundo uma boa tradição, Maria nasceu de pais já velhos e estéreis, Joaquim e Ana, como resposta às suas preces. A paciência e a resignação com que sofriam, era como o inverno frio e sofrido que prepara o verão.

A mais bela flor da primavera é também cantada em prosa pelo Pe. Antônio Vieira:

“Quereis saber quão feliz, quão alto é e quão digno de ser festejado o Nascimento de Maria? Vede o para que nasceu. Nasceu para que dEla nascesse Deus. (…) Perguntai aos enfermos para que nasce esta celestial Menina, dir-vos-ão que nasce para Senhora da Saúde; perguntai aos pobres, dirão que nasce para Senhora dos Remédios; perguntai aos desamparados, dirão que nasce para Senhora do Amparo; perguntai aos desconsolados, dirão que nasce para Senhora da Consolação; perguntai aos tristes, dirão que nasce para Senhora dos Prazeres; perguntai aos desesperados, dirão que nasce para Senhora da Esperança. Os cegos dirão que nasce para Senhora da Luz; os discordes, para Senhora da Paz; os desencaminhados, para Senhora da Guia; os cativos, para Senhora do Livramento; os cercados, para Senhora da Vitória. Dirão os pleiteantes que nasce para Senhora do Bom Despacho; os navegantes, para Senhora da Boa Viagem; os temerosos da sua fortuna, para Senhora do Bom Sucesso; os desconfiados da vida, para Senhora da Boa Morte; os pecadores todos, para Senhora da Graça; e todos os seus devotos, para Senhora da Glória. E se todas estas vozes se unirem em uma só voz, dirão que nasce para ser Maria e Mãe de Jesus” (Sermão do Nascimento da Mãe de Deus).

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Visivelmente, nenhum acontecimento extraordinário acompanhou o nascimento de Maria e os Evangelhos nada dizem sobre sua natividade. Nenhum relato de profecia, nem aparições de anjos, nem sinais extraordinários são narrados pelos evangelistas. No entanto, São João Damasceno afirma que o nascimento a partir de uma mãe estéril já era um sinal das bênçãos especiais que recaem sobre Maria. Ainda, em sua Homilia sobre a Natividade de Maria, diz: “Hoje é o começo da salvação do mundo, porque foi-nos gerada a Mãe de Deus através de quem o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo, nos foi gerado”.

Para desfrutar da beleza da primavera é preciso “ter olhos para ver” a beleza da Criação, e ver nela o Rosto do Criador; ter “ouvidos para ouvir” um sabiá que canta no interior da igreja na hora da Missa, e se encantar; “ter coração para sentir” o amor de Deus que se revela nas Suas criaturas, e se alegrar. Da mesma forma, para desfrutar das graças e bênçãos de Maria – a mais bela flor da primavera espiritual – é preciso ter os olhos da fé para ver sua grandeza, sua pureza, sua humildade, desprendimento, bondade, mansidão, coragem, fé…; ter ouvidos para ouvir suas poucas e eternas palavras; ter coração para sentir toda a força desse coração de Mãe de todos os homens.

Antes do Sol nascer a cada dia, a aurora o precede; antes de Jesus chegar, Maria preparou sua chegada. A longa espera do inverno do povo judeu terminou quando Maria nasceu.

Nos alegremos e bendigamos a Deus, pois como reza a Liturgia das Horas, ao nascer a santa Virgem, iluminou-se o mundo inteiro; feliz estirpe, raiz santa, e bendito é seu Fruto.

Prof. Felipe Aquino

Sobre Prof. Felipe Aquino

O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
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