Encontrar Jesus através dos mandamentos é a novidade radical da vida cristã, diz o papa

Segundo o ACI, na audiência geral desta quarta-feira, 11 de agosto, o papa Francisco disse que a novidade radical da vida cristã é o encontro com Jesus através do cumprimento dos dez mandamentos, que são os “pedagogos” que conduzem ao amor de Cristo.

Dando continuidade à sua série de catequeses sobre as cartas de são Paulo aos gálatas, o papa falou “daqueles missionários fundamentalistas, que se introduziam entre os Gálatas para os desorientar”.

“A exposição do apóstolo aos Gálatas apresenta a novidade radical da vida cristã: todos aqueles que têm fé em Jesus Cristo são chamados a viver no Espírito Santo, que liberta da Lei, levando-a ao mesmo tempo a cumprimento segundo o mandamento do amor”, disse o papa.

Francisco afirmou que “isto é muito importante, a Lei leva-nos a Jesus” e improvisando disse: “alguns de vós podem dizer-me: “Mas padre, uma coisa: quer dizer que se eu recitar o Credo não devo cumprir os Mandamentos?”. Não, os Mandamentos são atuais no sentido de que são “pedagogos”, que te conduzem ao encontro com Jesus. Mas se puseres de lado o encontro com Jesus e quiseres voltar a dar mais importância aos Mandamentos, isto não é bom. E foi precisamente este o problema daqueles missionários fundamentalistas, que se introduziam entre os Gálatas para os desorientar”.

“Que o Senhor nos ajude a seguir pelo caminho dos Mandamentos, mas olhando para o amor a Cristo rumo ao encontro com Cristo, conscientes de que o encontro com Jesus é mais importante do que todos os Mandamentos”, disse o papa.

Francisco refletiu sobre a pergunta de são Paulo: “Porquê a Lei?” (Gl 3, 19) e enfatizou a importância de “reconhecer a novidade da vida cristã animada pelo Espírito Santo”.

Segundo o papa, algumas das disposições do concílio de Jerusalém que “eram muito claras, e diziam: «Pareceu-nos bem, ao Espírito Santo e a nós, não vos impor outro peso além do seguinte, indispensável: que vos abstenhais das carnes sacrificadas aos ídolos, do sangue, de animais sufocados, e da impureza» (At 15, 28-29). Algumas coisas que diziam respeito ao culto a Deus, à idolatria, referiam-se também à forma de compreender a vida daquela época”.

Francisco disse que “quando Paulo fala da Lei, refere-se normalmente à Lei mosaica, a Lei de Moisés, os Dez Mandamentos”, e acrescentou que a lei estava relacionada “com a Aliança que Deus tinha estabelecido com o seu povo”.

Depois, o papa comentou textos do Antigo Testamento, “a Torá – o termo hebraico com o qual se indica a Lei – é a compilação de todas essas prescrições e normas que os israelitas devem observar, em virtude da Aliança com Deus”.

Em primeiro lugar, o papa citou o Livro do Deuteronômio no qual está escrito “porque o Senhor se regozijará de novo na tua felicidade, como se comprazia na felicidade de teus pais, se ouvires a voz do Senhor teu Deus, guardando os seus mandamentos e os seus preceitos, o que está escrito no livro desta lei, se te converteres ao Senhor teu Deus com todo o teu coração e com toda a tua alma”.

“Ou seja, a observância da Lei garantia ao povo os benefícios da Aliança e garantia o vínculo particular com Deus. Este povo, esta gente, esta pessoa estão vinculados com Deus e fazem ver esta união com Deus no cumprimento da Lei. Estreitando a Aliança com Israel, Deus lhe havia oferecido a Torá para que pudesse compreender sua vontade e viver na justiça”, explicou.

O papa pediu para pensar que “naquele tempo existia a necessidade de uma Lei assim, foi um grande dom que Deus deu a seu povo. Por quê? Porque naquele tempo existia o paganismo em todos os lugares, a idolatria em todos os lugares, e as condutas humanas que derivam da idolatria. E por isso, o grande dom que deriva do seu dom ao povo é a Lei, ir em frente”.

Depois, o Francisco disse que “em mais de uma ocasião, sobretudo nos livros dos profetas, constata-se que a não observância dos preceitos da Lei constituía uma verdadeira traição à Aliança, provocando a reação da ira de Deus. O vínculo entre Aliança e Lei era tão estreito que as duas realidades eram inseparáveis. A Lei é a expressão, que uma pessoa, um povo, está em Aliança com Deus”.

“À luz de tudo isto é fácil entender o bom jogo que teriam esses missionários que se haviam infiltrado entre os Gálatas para sustentar que a adesão à Aliança implicava também a observância da Lei mosaica. Assim como era naquele tempo. No entanto, precisamente sobre este ponto podemos descobrir a inteligência espiritual de São Paulo e as grandes intuições que ele expressou, sustentado pela graça recebida para sua missão evangelizadora”, afirmou.

Em conclusão, o papa destacou que são Paulo explica aos gálatas que, “na realidade, a Aliança e a Lei não estão vinculadas de forma indissolúvel” -a Aliança com Deus e a Lei mosaica- porque “o primeiro elemento sobre o qual se apoia é que a Aliança estabelecida por Deus com Abraão se baseou na fé no cumprimento da promessa e não na observância da Lei, que ainda não estava”.

“Abraão começou a caminhar séculos antes da Lei. Escreve o apóstolo: E digo eu: Um testamento já feito por Deus em devida forma [com Abraão], não pode ser anulado pela lei, que chega quatrocentos e trinta anos mais tarde [com Moisés], de tal modo que a promessa seja anulada’. Esta palavra é muito importante, o povo de Deus, o cristão, caminhamos na vida olhando uma promessa, a promessa é precisamente o que nos atrai, nos atrai para ir em frente no encontro com o Senhor”, disse.

Por isso, “com este raciocínio, Paulo alcança um primeiro objetivo: a Lei não é a base da Aliança porque chegou sucessivamente. Era necessária, é justa, mas antes havia a promessa, a Aliança”.

“Dito isto, não se deve pensar que São Paulo fosse contrário à Lei mosaica, não, a observava. Mais de uma vez, em suas cartas, defende sua origem divina e sustenta que esta possui um papel bem preciso na história da salvação. Mas a Lei não dá a vida, não oferece o cumprimento da promessa, porque não está na condição de poder realizá-la. A lei é um caminho, é um que te leva adiante rumo ao encontro”, afirmou o papa.

Por fim, Francisco utilizou uma expressão de são Paulo que é “uma palavra muito importante” e disse que “a lei é o pedagogo para Cristo, o pedagogo para a fé em Cristo, ou seja, o mestre que te leva da mão ao encontro. Quem busca a vida precisa olhar para a promessa e a sua realização em Cristo”, concluiu o papa.

Fonte: https://www.acidigital.com/noticias/encontrar-jesus-atraves-dos-mandamentos-e-a-novidade-radical-da-vida-crista-diz-o-papa-54106

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Sobre Prof. Felipe Aquino

O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
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