Diocese siciliana proíbe padrinhos de batismo e crisma

Segundo o ACI Digital (21/10/2021), durante os próximos três anos a arquidiocese de Catânia, segunda maior cidade da Sicília, Itália, administrará os sacramentos do batismo e da crisma sem padrinhos. A medida é um teste e entra em vigor ainda no mês de outubro. A justificativa do arcebispo, dom Salvatore Gristina, a secularização que é comum a todos os países que já foram católicos tirou, na prática, o sentido religioso da figura dos padrinhos.

É lamentável que a nomeação de padrinhos tenha se tornado “um costume social no qual a dimensão da fé é pouco visível”, disse dom Gristina no decreto que estabelece a nova norma. Na Sicília, como agravante, o convite a padrinhos de batizado e crisma é usada pela Máfia como forma de estender sua rede de influência.

O arcebispo disse que no atual “contexto sócio-eclesial” de Catânia, em particular, com “a situação familiar irregular de muitas pessoas”, frequentemente as pessoas escolhem como padrinhos de batismo ou crisma famílias que não cumprem com as exigências canônicas necessárias para a função.

“Durante séculos”, diz dom Gristina no decreto, “a tradição da Igreja estabelecia que os padrinhos e as madrinhas acompanhassem o recém-batizado ou crismado para ajudá-lo no caminho de fé”. O importante é que os padrinhos cumpram a sua “verdadeira função eclesial”.

Segundo o Livro IV do Código de Direito Canônico da Igreja Católica, a função dos padrinhos “é assistir na iniciação cristã ao adulto batizando, e, conjuntamente com os pais, apresentar ao batismo a criança a batizar e esforçar-se por que o batizado viva uma vida cristã consentânea com o batismo e cumpra fielmente as obrigações que lhe são inerentes”.

Além disso, o padrinho deve ser católico, ser crismado, ter recebido o sacramento da eucaristia e levar “uma vida consentânea com a fé e o múnus que vai desempenhar”.

O Código de Direito Canônico não estipula a obrigação de ter padrinhos no sacramento. Afirma-se apenas que “na medida do possível, quem vai receber o batismo deve receber um padrinho”.

O arcebispo de Catânia tomou essa decisão com o apoio da maioria dos membros do conselho presbiteral.

Em entrevista à revista italiana Famiglia Cristiana, o vigário-geral da arquidiocese de Catânia, dom Salvatore Genchi, disse que essa suspensão de três anos ajudará os católicos a compreender melhor as expectativas que a Igreja tem em relação aos padrinhos.

“Acreditamos que as coisas vão mudar e que aqueles que vão ser padrinhos ou madrinhas o façam porque sabem que vão ser testemunhas de um caminho de fé”, disse dom Genchi.

Segundo o jornal The New York Times de 16 de outubro, as redes mafiosas usaram a nomeação de padrinhos para estreitar os laços entre membros de organizações criminosas. A tal ponto que até os investigadores italianos usam os batismos como indício para rastrear a influência dos chefes da máfia.

O artigo cita um padre de Catânia segundo quem houve casos de “ameaças contra o pároco” para aceitarem como padrinhos de “certas pessoas espiritualmente questionáveis”.

Dada a magnitude do problema, a Santa Sé criou um grupo de trabalho de oito membros no início de 2021 para buscar maneiras de afastar organizações mafiosas que parasitaram as tradições católicas para seus fins criminosos.

Fonte: https://www.acidigital.com/noticias/diocese-siciliana-proibe-padrinhos-de-batismo-e-crisma-44954

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Sobre Prof. Felipe Aquino

O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
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