Dia dos Professores: “Dá-me uma sala de aula e mudarei o mundo!”

A nobre missão de educar um ser humano

O transcurso do Dia do Professor(a), 15 de outubro, é uma boa oportunidade para saudá-los, agradecer pelo trabalho dedicado aos nossos jovens; e de oferecer-lhes uma reflexão sobre esta nobre missão. Eu me incluo entre eles porque há quarenta e cinco anos exerço o magistério.

Não há dúvida de que no rol das profissões, a de professor sempre se destacou pelo fato de trabalhar diretamente com a mais nobre realidade do mundo: o coração, a inteligência e alma do ser humano. Nada é mais importante do que o homem e a mulher. Santo Irineu já dizia no século II que “o homem é a glória de Deus”; é claro que falava do ser humano, não apenas do masculino. A missão do professor, mais do que ensinar, é educar.

Se é nobre e necessário dominar o aço e os microrganismos, ouvir as galáxias e o cosmos, construir casas e computadores, muito mais nobre ainda é formar o homem, senhor de tudo isto. Os sábios gregos já diziam: “dá-me uma sala de aula e mudarei o mundo!”.

Ghandi dizia que “a verdadeira educação consiste em pôr a descoberto o melhor de uma pessoa”. É como fazia Michelangelo com suas obras. Certo dia ele viu um bloco de mármore e disse a seus alunos: “aí dentro há um anjo, vamos colocá-lo para fora!” Depois de algum tempo, com o seu gênio de escultor, fez o belo trabalho. Então os discípulos lhe perguntaram como tinha conseguido aquela proeza. Ele respondeu: “o anjo já estava aí, apenas tirei os excessos que estavam sobrando”. Educar é isto, é ir com paciência e perícia, sabedoria e bondade, retirando os maus hábitos e descobrindo as virtudes, até que o “anjo” apareça.

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A graça do trabalho

O grande educador francês Pe. Michel Quoist dizia “Que não é para si que os homens educam os seus filhos, mas para os outros e para Deus. Educar é colaborar com Deus”. O jovem e frágil aluno de hoje, será o condutor da nação amanhã; o que for semeado hoje no seu coração, na sua mente e no seu espírito, será colhido amanhã pela sociedade. Daí a grande tarefa e enorme responsabilidade do professor, em qualquer nível. Já esqueci os nomes de muitas pessoas ilustres que passaram em minha vida, mas nunca me esqueci os nomes das quatro primeiras professoras do curso primário: D. Geni, D. Rosa, D. Iolanda e D. Maria Aparecida.

O que o aluno espera de um Professor? O que os pais e a nação esperam de nós? Em primeiro lugar que sejamos honestos, honrados e capacitados, exigências mínimas de quem carrega o título de mestre. Sabemos que o homem moderno está cansado de discursos… quer ver bons exemplos, a começar do professor. O mestre romano Sêneca dizia: “de nada vale ensinar-lhes o que é a linha reta, se não lhes ensinarmos o que é a retidão”.

O aluno só aprende com satisfação, quando o professor ensina com entusiasmo e sabe motivá-lo e conquista-lo. Os alunos respeitam o professor que domina a matéria, e sabe motivar para o aprendizado. “Um homem motivado vai à Lua, mas sem motivação não atravessa a rua”.

O aluno espera que o professor tenha paciência com ele, tenha a humildade de não usar o seu conhecimento para humilhá-lo, e que não use do poder da avaliação para destruir a sua autoestima.

O aluno espera que o professor prepare bem as aulas. Nada pior para um aluno do que ter que assistir uma aula maçante, mal preparada, ministrada por alguém que não conhece o que ensina. É um grande desrespeito… para não dizer um crime. Ele quer ver o seu mestre ensinar com didática, competência e clareza; além de pontualidade no horário e apresentação adequada. Ele quer vê-lo como um bom amigo que não lhe dá apenas informações, mas formação e sabedoria de viver.

São João Paulo II, na encíclica Redentor dos Homens, disse que o mundo vai mal porque “o homem moderno conquistou o universo mas perdeu o domínio de si mesmo”. Sente-se hoje ameaçado por aquilo que ele mesmo criou com a sua inteligência e construiu com as suas mãos. Por que? Porque falta-lhe a Sabedoria. Porque junto com a ciência e a tecnologia não cuidou do desenvolvimento e do respeito aos princípios da ética, da moral e da fé. Está cheio de ciência, mas vazio de sabedoria. Ele disse que “os falsos profetas e os falsos mestres conheceram o maior sucesso possível no século XX” (EV,17).

De fato, muitos falsos mestres incutem nos seus alunos certas ideologias mesquinhas, revoltas contra Deus e contra os valores mais sagrados de uma verdadeira civilização. É nos bancos das escolas que se molda o futuro de um país. Toda a atenção e carinho é preciso serem dados à criança desde que penetra na escola. Ela é o tesouro maior de todo país.

Sabemos que a felicidade verdadeira, que não acaba, é aquela que nasce no bojo da virtude. Portanto, é na vivência de um magistério autêntico que colheremos os frutos mais doces da profissão. O professor não é apenas um transmissor de conhecimentos; ele é um “mestre”, isto é, alguém que transmite sabedoria, bons exemplos, amizade com seus alunos. Eles não podem gostar de uma disciplina onde o professor não sabe cativá-los e amá-los.

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Não é sem razão que a Igreja escolheu Santa Teresa de Ávila para ser a padroeira dos professores; pois ela foi uma autêntica mestra, doutora da Igreja; sábia, douta e santa. Nunca frequentou uma universidade, mas tinha na alma a mais pura divina, e sabia formar suas filhas com sabedoria eterna.

Sobretudo Jesus foi e é o grande Mestre; é Nele que se alimentaram aqueles que abalaram o mundo: Santo Agostinho, São Tomás de Aquino, São Bernardo, São Domingos, São Francisco… “Ele é a luz que vindo a este mundo ilumina todo homem” (João 1,9). E todo autêntico professor.

Que neste dia da grande Mestra, Santa Teresa de Ávila, os professores(as) sejam abençoados por Deus e fiéis à grande vocação que abraçaram.

Prof. Felipe Aquino

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Sobre Prof. Felipe Aquino

O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
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