Devemos “levar a bandeira da Divina Misericórdia ao mundo”

Segundo o ACI Digital (08/04/2021), o arcebispo de Vilna (Lituânia), cardeal Gintaras Grusas, disse que seu país tem uma “grande mensagem” para o mundo, já que sua capital, Vilna, testemunhou um dos acontecimentos mais marcantes da história católica do século XX: a revelação da Divina Misericórdia a Santa Faustina Kowalska.

A freira polonesa Santa Faustina começou em 1931 a receber por meio de visões uma série de mensagens de Jesus sobre a devoção à Divina Misericórdia, que depois relatou em seu diário de mais de 600 páginas. Numa das suas revelações, Cristo pediu-lhe que fizesse pintar o seu retrato para difundir a Divina Misericórdia e, através dela, conceder graças ao mundo necessitado do amor de Deus.

Embora o retrato mais difundido seja o terceiro pintado, a cidade de Vilna guarda no Santuário da Divina Misericórdia a imagem original, que é a única que Santa Faustina viu antes de morrer, aos 33 anos, em 1938.

A Lituânia é um país com 2,8 milhões de habitantes. Cerca de dois milhões de lituanos são católicos.

Em declarações à CNA, agência em inglês do Grupo ACI, o cardeal Grusas, nascido nos Estados Unidos em família de origem lituana, falou sobre os desafios da evangelização na Lituânia.

O cardeal é consciente de que a evangelização no país ainda apresenta muitos desafios, como, por exemplo, a participação na missa. Uma pesquisa do Pew Research Center mostrou em 2018 que, embora a Lituânia seja 74% católica, apenas 10% dos católicos participam da missa semanalmente.

“Vilna é em grande medida uma cidade universitária”, disse ele. “Temos uma população de cerca de 550 mil pessoas. Pouco menos de 20% deles estão ligados a faculdades e universidades, como estudantes ou professores. Assim, temos um pouco mais de participação aqui na cidade”, disse.

No entanto, os números atuais de participação na missa são resquícios dos tempos soviéticos, quando as pessoas eram obrigadas a trabalhar aos domingos. Para frequentar a igreja sem sofrer punições, os católicos às vezes precisavam viajar a uma cidade diferente onde não eram identificados, disse.

Assim como os católicos na Polônia, os fiéis lituanos ofereceram uma resistência heroica ao comunismo. “A Igreja esteve na vanguarda da resistência na era soviética e esse papel da Igreja na história da Lituânia é muito profundo”, disse.

Para o cardeal, o maior desafio na Lituânia hoje é “provavelmente a ordem para uma nova evangelização”; isto é, “conseguir que as pessoas realmente se abram e vivam a sua fé e a capacidade de alcançá-la” em meio a um contexto ideológico ameaçador.

“Se uma ideologia oprimiu a Lituânia durante os 50 anos de comunismo, agora lamentamos muito a chegada de uma segunda ideologia que afeta a maneira como as pessoas se veem, veem sua comunidade, veem suas vidas”, afirmou.

“Podemos chamá-lo por vários nomes, mas é a ideologia da UE [União Europeia] ocidental. Portanto, são temas como a Convenção de Istambul, os temas de gênero…”, acrescentou.

O cardeal Grusas também se referiu ao problema do aborto. “Temos um grande número de abortos, que também é um remanescente da época soviética. Muitas pessoas não sabem que o sistema soviético basicamente usava o aborto como principal meio de controle de natalidade. Então, há muitas mulheres que já fizeram aborto, com todas as repercussões disso”, afirmou.

Por isso, disse que o objetivo da Igreja é ajudar as pessoas na Lituânia a “poder voltar a escutar a Deus”, especialmente em meio ao ruído criado pelas novas tecnologias.

A este respeito, exortou os católicos que desejam ajudar a Igreja lituana a avançar na sua missão evangelizadora, a começar pela oração pelo seu país.

Lituânia: país católico de resistência histórica ao comunismo

O cardeal disse que os visitantes de Vilna ficariam impressionados com a cultura católica da cidade, especialmente em sua parte antiga, onde havia 40 igrejas antes do advento do comunismo na década de 1940.

Afirmou que atrás da catedral “há uma colina com três cruzes brancas muito grandes”, que “foram colocadas para marcar o lugar do martírio dos franciscanos, […] os primeiros a chegarem como missionários”, disse e explicou que “as três cruzes foram removidas pelo governo comunista desde o início, mas foram reconstruídas”.

O cardeal relatou que após a fundação da moderna República da Lituânia em 1918, foram realizadas eleições para a Assembleia Constituinte da Lituânia.

Disse que uma parte significativa dos membros da assembleia parlamentar, que durou pouco tempo, eram padres católicos. Ele explicou que este precedente levou os bispos do país a especificar que os padres não poderiam se candidatar para as eleições, quando o país se tornou independente em 1990.

O cardeal lembrou que quando Moscou tentou reafirmar sua autoridade em 1991, dois parlamentares pegaram em segredo a cópia original assinada da Lei de Restabelecimento do Estado da Lituânia e a confiaram ao arcebispo emérito de Kaunas, cardeal Vincentas Sladkevicius.

A história dos católicos na Lituânia foi marcada pela perseguição religiosa, aspecto que ainda hoje é lembrado em seus monumentos históricos.

“Sei que o Papa Francisco durante sua visita [em 2018] ficou muito emocionado com o museu da KGB, que era a antiga prisão da KGB [a principal agência de polícia secreta da União Soviética]. Tivemos padres e bispos que foram interrogados e detidos lá. Um de nossos bispos foi executado lá”, assinalou o cardeal.

“E depois, há a Colina das Cruzes nos arredores de Siauliai. Esse lugar também é impressionante”, acrescentou.

Este lugar histórico, localizado perto da cidade de Siauliai, no norte da Lituânia, simboliza a resistência e a fé católica dos lituanos. Embora sua origem remonte ao século XIX, é lembrada porque durante a ocupação soviética os peregrinos foram perseguidos e até castigados.

O Papa João Paulo II visitou a Colina das Cruzes durante sua viagem à Lituânia, em 7 de setembro de 1993. Isso fez com que esse lugar ficasse famoso em todo o mundo católico, o que levou a um aumento significativo da visita de peregrinos e turistas.

Isso “testemunha o respeito e a fidelidade do sacrifício da cruz, através do qual Cristo salvou as pessoas de todos os tempos e gerações”, assinala seu site oficial. Estima-se que lá encontram-se 100 mil cruzes e várias imagens de Nossa Senhora e terços.

Fonte: https://www.acidigital.com/noticias/devemos-levar-a-bandeira-da-divina-misericordia-ao-mundo-82259

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Sobre Prof. Felipe Aquino

O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
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