Criados para amar

adorar1“O homem é filho de Deus, que é Amor, e que ele foi feito por amor e para amar. O reencontro da vocação do homem ao Amor, razão de sua vida, é urgente e necessário”.

Como alertado pelo Santo Padre, o Papa Francisco, em 2013, durante a Viagem Apostólica ao Rio de Janeiro, por ocasião da XXVIII Jornada Mundial da Juventude, proliferam, na civilização contemporânea, diversos princípios que são fruto da desfiguração do homem pelo pecado. A cada dia, crescem as culturas do imediato, do provisório, do relativo, do descartável, do secularismo e do individualismo, em contraposição às do encontro, da paz, da verdade e da caridade. Esta perda de valores resulta do afastamento de Deus, fim último de toda a Criação.

Com isso, hoje, já não se recorda que o homem é filho de Deus, que é Amor, e que ele foi feito por amor e para amar. O reencontro da vocação do homem ao Amor, razão de sua vida, é urgente e necessário. E isso só será possível por meio do “encontro com um acontecimento, com uma Pessoa que dá à vida um novo horizonte e, desta forma, o rumo decisivo”1. Porque “só sabemos para que serve o mundo quando conhecemos Cristo; com Ele compreendemos que o mundo tende para um fim: a Verdade, a Bondade e a Beleza do Senhor”2.

1. Somos filhos de Deus: criados pelo Amor!

Sabemos que Deus é o primeiro princípio de todas as coisas. De fato, “tudo foi feito por ele, e sem ele nada foi feito” (Jo 1, 3). E toda a Criação é fruto extensivo do amor de Deus e é sustentada por este amor. No livro do Gênesis, o autor sagrado nos relata a origem de tudo o que há e, a cada coisa criada, vemos a manifestação do amor e do poder de Deus. Ele criou o dia e a noite; o céu, a terra e o mar; as plantas, as ervas e as árvores; o Sol e a Lua; os seres vivos; e, como coroa de toda a Criação, o homem e a mulher. Tudo é, pois, obra de Suas mãos!

Em virtude do “fiat” de Deus – ou seja, de sua vontade – todas as coisas são criadas. Neste cenário, entretanto, o homem apresenta-se como uma criatura entre todas singular. Ele é criado como um ser predileto. Ao criá-lo, ouvimos sair dos lábios divinos, não o singular “fiat”, mas sim: “Faciamus hominem ad imaginem et similitudinem nostram” (Gn 1, 26)3. Esta diferença não é meramente textual, mas também nos aponta uma peculiaridade na própria origem do ser humano. Ressaltando este aspecto, o Papa São João Paulo II, ao comentar esta página das Sagradas Escrituras, afirma que: “antes de criar o homem, o Criador como que reentra em Si mesmo para procurar o modelo e a inspiração no mistério do seu Ser, que já aqui Se manifesta de algum modo como o ‘Nós’ divino”4. O homem, portanto, diferentemente dos outros seres criados, é feito à imagem e semelhança de Deus, à imagem e semelhança do Amor. “Mesmo depois de, pelo pecado, ter perdido a semelhança com Deus, o homem continua a ser à imagem do Criador”5. O homem é uma efusão do amor da Trindade. Que estupenda graça: o homem é a imagem do Pai e do Filho e do Espírito Santo!

Uma outra singularidade podemos notar: depois de ter criado o homem à Sua imagem, Deus inspirou-lhe o sopro da vida, que lhe deu a capacidade de conhecer e amar. Tendo dado a vida ao homem, Deus não é somente o seu Criador, mas também Seu Pai. Assim, mais do que criatura, o homem, naturalmente, é filho de Deus! Todos os homens, de todos os tempos, de todas as culturas, santos ou pecadores, crentes ou não, são filhos de Deus6! Todavia, Ele fez o homem para ser ainda mais do que Sua criatura e filho. Deus deseja que o homem seja Seu amigo e conviva com Ele, sendo partícipe da Sua graça, por obra do Espírito Santo. Este desejo é sincero, tanto que colocou Adão e Eva no Éden e os visitava ao entardecer (cf. Gn 3,8), para ter com eles uma relação pessoal. Desta maneira, o homem, quando criado, assim o foi para ser amigo de Deus! E este termo torna-se ainda mais loquaz quando, durante a Última Ceia, Nosso Senhor Jesus Cristo assevera: “Já não vos chamo servos (…) Mas chamei-vos amigos” (Jo 15,15). E isso o somos, pela graça batismal, pois “Ele nos adotou no Batismo como irmãos de Jesus Cristo e coerdeiros, juntamente com Ele, da eterna glória”7.

Uma última particularidade na criação do homem: Deus concedeu o domínio de todas as coisas criadas ao homem, dizendo: “Que ele reine sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus, sobre os animais domésticos e sobre toda a terra, e sobre todos os répteis que se arrastam sobre a terra” (Gn 1, 26b). Mas nada é dito expressamente a quem pertenceria o domínio do homem. Quem reinaria sobre ele? No mistério da Criação, Deus quis reservar o homem para Si. O próprio Deus é o Senhor do homem. Deus tem o domínio perfeito do homem. São Paulo também faz esta constatação, exclamando: “Tudo é vosso! Mas vós sois de Cristo!” (1Cor 3, 22-23). E, ainda, noutra parte: “Se vivemos, vivemos para o Senhor; se morremos, morremos para o Senhor. Quer vivamos quer morramos, pertencemos ao Senhor” (Rm 14,8).

Assim, cada homem é um filho amado de Deus e só a Ele pertence. Todo homem é um sonho de Deus! Logo, “não somos o produto casual e sem sentido da Evolução. Cada um de nós é fruto de um pensamento de Deus. Cada um é desejado, cada um é amado, cada um é necessário”8. E, se conhecemos esta verdade, bela e grandiosa, alcançamos o perfeito conhecimento da verdade, tanto que Santo Tomás de Aquino chega a exclamar: “Conhecer que Deus existe, que é causa de todos os seres, que é mais eminente e excede a todos os seres que existem e que podem por nós ser concebidos, esta é a perfeição do conhecimento, tanto quanto é possível nesta vida”9.

2. Deus é o fim último do homem: criados para o Amor.

Do mesmo modo que as coisas procedem de um princípio, elas também existem visando a um fim, para o qual dirigem todos os seus impulsos. Elas foram criadas e existem enquanto tal para este determinado fim, que é a sua própria razão de ser. Ou seja, todo o cosmos se ordena para um fim, ou seja, para uma causa final, como nos ensina a tradição aristotélica.

Tendo visto que Deus é o princípio do homem, devemos considerar, agora, qual seria o seu fim último no Cosmos. Para atingir este fim, que o satisfaz plenamente, o homem gasta todos os seus esforços, estando inquieto enquanto não atingi-lo. Tudo o que ele deseja, é querido por causa deste fim e para alcançá-lo.

Além de satisfazer inteiramente o homem, este fim último é único, visto que “é impossível que a vontade de um só homem se ordene simultaneamente a diversos bens tomados como fins últimos”10. Isso, prossegue o Aquinate, porque “como cada um apetece sua perfeição, aquilo que alguém apetece como fim último é o bem perfeito e completivo de si próprio. É necessário, portanto, que o fim último de tal modo preencha todo o apetite do homem que nada mais fora dele fique para ser apetecido, o que não poderá verificar-se se se requeresse algo mais além da própria perfeição. Portanto, não pode ocorrer que o apetite tenda de tal modo a duas coisas que ambas fossem o bem perfeito dela”11.

E, por fim, a felicidade do homem estará neste fim último. Como todos querem ser felizes, “todos os homens convêm no desejar o último fim, que é a felicidade”12. Tanto é que afirma Santo Agostinho, quanto a este desejo à felicidade: “tudo o que alguém deseja em seu íntimo não estará fora desse desejo. É ele conhecido por todos e está presente em todos os homens”13.

Todavia, ainda não está respondido: onde o homem alcançará a felicidade? Onde estará este fim que satisfaz o homem por completo?

Percebe-se facilmente, por exclusão, onde não está a beatitude de vida. Tantos são aqueles que crescem, estudam, trabalham, ganham dinheiro, adquirem bens e fazem uma sorte de coisas com o objetivo de alcançar uma felicidade, que se mostra vã, incompleta e passageira, porque está centrada nas coisas deste mundo. Muitos colocam o sentido de sua existência no dinheiro, na comida, na honra humana, na fama, na glória, no poder social ou no prazer sexual, entretanto não encontram mais que o vazio e a inquietude, pois colocam o sentido da vida nas coisas deste mundo. Certamente, a felicidade que o homem anseia não está nestas coisas, pois, como afirma o Doutor Angélico, “não pode a suma perfeição do homem consistir na sua união com as coisas inferiores, mas naquilo que o une a algo mais elevado”14.

Com isso, percebemos que, se a vida possui um sentido – ou seja, uma razão –, ele não pode estar (como não está) nas coisas criadas, mas fora delas. Onde está, então, o fim último do homem?

Respondendo esta questão, assenta Santo Tomás: “Se, portanto, a felicidade última do homem não consiste nas coisas exteriores que são ditas bens da riqueza, nem nos bens do corpo, nem nos bens da alma quanto à parte sensitiva, nem nos bens da alma quanto à parte intelectiva segundo os atos das virtudes morais, nem segundo os atos das virtudes intelectuais que dizem respeito às ações, como são a arte e a prudência, resta-nos dever afirmar que a felicidade última do homem não pode estar senão na contemplação da verdade”15.

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Assim sendo, não estando a nossa felicidade nesta terra, ela só pode estar no Alto, onde está escondida a nossa vida verdadeira16. Só Deus pode satisfazer o desejo de felicidade do homem. É n’Ele que está a felicidade plena e perfeita. Quanto a isso, Santo Agostinho, convertendo-se de uma tortuosa e inútil procura da felicidade no prazer e nas vaidades, assevera: “Tu nos fizeste para Ti e o nosso coração permanece inquieto enquanto em Ti não repousar17”. Isso porque “nascer em Cristo, fortificarmo-nos n’Ele, atingirmos n’Ele o nosso completo crescimento é o fim da nossa existência terrena”18.

Assim, o homem foi criado por Deus e para Deus. Esta verdade é afirmada pela Fé da Igreja: “O desejo de Deus está inscrito no coração do homem, já que o homem é criado por Deus e para Deus; e Deus não cessa de atrair o homem a si, e somente em Deus o homem há de encontrar a verdade e a felicidade que não cessa de procurar”19 (grifos nossos). Só há felicidade para aqueles que procuram o Amor, que nos amou primeiro.

A vida, deste modo, assume uma dimensão pascal, tornando-se passagem para a verdadeira e única felicidade, que está no Céu, em Deus. Isto os discípulos provavelmente compreenderam na cena na ascensão, quando Nosso Senhor Jesus Cristo, crucificado e ressuscitado, elevou-se e eles, atentamente, fixavam os olhos no Céu, para onde Ele subia20. Diante dos discípulos, abria-se um horizonte magnífico, o ponto definitivo da peregrinação pascal que fazemos na terra: o Céu. Nesta travessia somos chamados a fazermos o mesmo que eles fizeram: a fixar todos nossos anseios no Céu, a buscar as coisas do Alto. “Somos chamados a olhar na direção da realidade divina, para a qual o homem está orientado desde a criação. Ali está contido o sentido definitivo da nossa vida”21 (grifos nossos).

3. Criados para amar.

Sabemos, portanto, que Deus é o primeiro princípio e o fim último do homem. Conhecendo, então, a Deus, saberemos quem somos e para que fomos criados. Pois “se todas as coisas por seu movimento ou ação tendem a algum bem como ao seu fim, conforme acima foi provado, e qualquer coisa participa do bem na medida em que se assemelha à primeira bondade, que é Deus, segue-se que todas as coisas, pelos seus movimentos e pelas suas ações, tendem à semelhança divina, assim como a um fim último”22(grifos nossos).

Então, devemos nos questionar: quem é Deus?

Sem dúvidas, indagações como esta não podem ser respondidas com uma sentença de poucas palavras, porque, ainda que ela expresse uma verdade, sempre haverá algo de mais profundo por trás dela. No entanto, tentando cumprir essa missão, São João, de modo conciso e cristalino, assevera que: “Deus é amor” (1Jo 4,8). Embora haja um universo inexplorado nesta frase, ela possui uma verdade incontestável e que podemos conhecer, porque “nós vimos e testemunhamos que o Pai enviou seu Filho como Salvador do mundo” (1Jo 4,14).

O homem, criado à imagem de Deus, é, por conseguinte, a imagem do Amor. Se Deus é amor e se n’Ele está a nossa felicidade (ou seja, o fim último de nossa vida), é inegável a nossa vocação ao amor. Fomos criados, desta maneira, para amar, à semelhança do Criador, que, criando-nos, deixou impresso na essência de nosso ser tal aspiração. Essa verdade é tão inconteste que Hugo de São Vítor, um dos imponentes patrólogos da Idade Média, chega a afirmar em uma de suas obras: “O amor é a vida do coração e, portanto, sem amor é inteiramente impossível que haja um coração que deseje viver”23.

Em locução exemplar, o Papa Bento XVI corrobora o que afirmamos: “Fomos criados para amar. A Bíblia intui isto quando afirma que fomos criados à imagem e semelhança de Deus: fomos feitos para conhecer o Deus do amor, o Deus que é Pai, Filho e Espírito Santo, e para encontrar a nossa realização plena naquele amor divino que não conhece início nem fim”24.

Ou seja, fomos criados para sermos amados por Deus e para amarmos. Este deve ser o itinerário de nossa vida. Se não o seguirmos, tudo o que fizermos não terá sentido, pois, como conclui o Apóstolo: “Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver caridade, sou como o bronze que soa, ou como o címbalo que retine. Mesmo que eu tivesse o dom da profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência; mesmo que tivesse toda a fé, a ponto de transportar montanhas, se não tiver caridade, não sou nada” (1Cor 13, 1-2).

Todavia, neste ínterim, vale observar que o homem é chamado não a um amor desordenado, ou seja, um amor de si, por si e contra si, que é a origem de todo o pecado, mas sim ao verdadeiro amor, que está ordenado para o fim último de nossa existência. Este não é um amor utópico, ideológico ou sentimentalista. O amor ao qual somos vocacionados manifestou-se no mundo com um nome e um rosto, em carne e sangue: Nosso Senhor Jesus Cristo. Pois, “com efeito, de tal modo Deus amou o mundo, que lhe deu seu Filho único” (Jo 3,16a).

E é no amor que se resume toda a nossa existência. Isso fica claro nos lábios de Jesus, que, diante do questionamento de um doutor da lei sobre qual seria o maior mandamento, respondeu: “ ‘Amarás o Senhor teu Deus de todo teu coração, de toda tua alma e de todo teu espírito’ (Dt 6,5). Este é o maior e o primeiro mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: ‘Amarás teu próximo como a ti mesmo’ (Lv 19,18). Nesses dois mandamentos se resumem toda a lei e os profetas” (Mt 22, 37-40). Poderíamos desenvolver o que Nosso Senhor afirmou e dizer: no amor a Deus, a si mesmo e ao outro, por causa de Deus, se resume toda a vida do homem.

Diante disso, poderíamos supor que cumprir essa nossa vocação ao amor é quase impossível. Mas isso não é verdade, visto que o próprio Deus nos amou primeiro e nos fez depositários do Seu amor, como nos ensina São João, quando diz: “Nisto consiste a caridade: não fomos nós que amamos a Deus, mas Ele que nos amou primeiro” (1Jo 4, 10). Arrematando: aquele que ama tem em si a maior prova de ser amado por Deus, porque ninguém pode amar a Deus, a si mesmo ou ao seu irmão se Deus não o amar primeiro. Isso porque o amor com o qual nós amamos é causado em nós pelo amor com que Deus mesmo nos ama.

Em suma, “nascemos para amar a Deus e nele devemos amar o próximo e a nós mesmos. É no amor que alcançaremos a nossa felicidade”25. Este amor é “a força com que nos entregamos a Deus, que nos amou primeiro para nos unirmos a Ele e assim acolhermos os outros como a nós mesmos, por amor a Deus, sem reservas e com o coração”26. Se para amar fomos criados, demonstremos já este amor não só por palavras, “mas por atos e em verdade” (1Jo 3, 18b). Saibamos que disso depende a nossa felicidade. E não nos esqueçamos, como diz a letra de uma antiga canção tão popular entre nós: “Cristo é a felicidade! Cristo é a felicidade! Sem ter amor nesta vida, não há quem seja feliz de verdade”.

Por Wender Vinícius Carvalho de Oliveira

Wender Vinícius Carvalho de Oliveira é calçadense; católico da Paróquia de São Geraldo Magela, em Bom Jesus do Norte – ES; estudante de Direito, na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ); Membro Efetivo da Academia Calçadense de Letras e Membro Efetivo da Academia Marataizense de Letras.

Notas

Papa Bento XVI. Carta Encíclica “Deus caritas est” (2005), nº 1.
YouCat – Catecismo Jovem da Igreja Católica, nº 44.
“Façamos o homem à nossa imagem e semelhança” (tradução livre).
Papa São João Paulo II. Carta do Papa João Paulo II às Famílias Gratissimam sane (1994), nº6.
Catecismo da Igreja Católica, nº 2566.

Aqui não se fala da filiação por adoção batismal, mas sim da filiação por semelhança de vestígio e de imagem, conforme lemos em lição ensinada por Santo Tomás de Aquino, na Suma Teológica Ia, Q.33, A.3: “Assim, de certas criaturas como as irracionais, se diz que Deus é Pai, só pela semelhança de vestígio, segundo a Escritura (Jó 38, 28): ‘Quem é o pai da chuva?’ ou: ‘Quem produziu as gotas de orvalho?’ De certas outras, porém, como as racionais, por semelhança de imagem, conforme a Escritura (Dt 32, 6): ‘Não é ele teu pai, que te possuiu e te fez e te criou?’ Ainda de outras é Pai pela semelhança da graça, e estas tam­bém se chamam filhos adotivos, enquanto orde­nadas à herança da glória eterna por um dom recebido da graça, segundo o Apóstolo (Rm 8, 16-17): ‘porque o mesmo Espírito dá testemunho ao nosso espí­rito de que somos filhos de Deus, e se somos filhos, também herdeiros’. De outras, enfim, pela semelhança da glória, enquanto desta já pos­suem a herança segundo o Apóstolo (Rm 5, 2): ‘E nos glo­riamos na esperança da glória dos filhos de Deus’”.

Sabemos que, em sentido próprio, a filiação divina a Deus Pai cabe a nós, batizados, por meio da Santíssima Humanidade do Verbo Encarnado, Deus Filho. Entramos, por assim dizer, na dinâmica da vida trinitária, per Ipsum. Contudo, em relação às criaturas, esta participação na filiação divina não se analoga nas pessoas da Trindade, mas apenas na unidade de Deus. Deus é Pai da criação porque elas são n’Ele, ou seja, Ele (Ser) está no ser dos seres. Por isso, ser criado não é um ato temporalmente destacado, mas é uma condição permanente, na qual, analogamente, à distância e em sentido genérico, há uma certa filiação, enquanto a criação é uma processão de Deus ad extra. Registro, aqui, um agradecimento, para que se chegasse a esta correta exegese, ao Padre Dr. José Eduardo de Oliveira e Silva, sacerdote da Diocese de Osasco – SP e doutor em Teologia Moral pela Pontifícia Universidade da Santa Cruz (Roma), que me esclareceu, brilhantemente, a questão.
Papa São Pio X. Catecismo Maior, Questão 285.
Papa Bento XVI. Homilia na Santa Missa de Imposição do Pálio e Entrega do Anel do Pescador para o Início do Ministério Petrino do Bispo de Roma, em 24 de abril de 2005.
Santo Tomás de Aquino. Summa contra Gentiles, Livro III, Primeira Parte, Cap. XLIX, nº 6
Santo Tomás de Aquino. Summa Theologiae, Ia IIae, Q.1, a.6.
Santo Tomás de Aquino. Summa Theologiae, Ia IIae, Q.1, a.6.
Santo Agostinho. De Trinitate, Livro XIII.
Santo Agostinho. De Trinitate. Livro XIII.
Santo Tomás de Aquino. Summa contra Gentiles, Livro III, Primeira Parte, Cap. XXVII, nº 5.
Santo Tomás de Aquino. Summa contra Gentiles, Livro III, Primeira Parte. Cap. XXXVII, nº1.
“Se, portanto, ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas lá do alto, onde Cristo está sentado à direita de Deus. Afeiçoai-vos às coisas lá de cima, e não às da terra. Porque estais mortos e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus” (Col 3, 1-3).
Santo Agostinho. Confissões, Cap. I.
Joseph Schrijvers. “O dom de si: vida de abandono em Deus”. São Paulo: Quadrante, 2014.
Catecismo da Igreja Católica, nº 27
“Enquanto o acompanhavam com seus olhares, vendo-o afastar-se para o céu” (At 1, 10a)
Papa Bento XVI. Homilia durante a concelebração eucarística no Parque de Blonia, na Viagem Apostólica à Polônia (Cracóvia, 28 de maio de 2006).
Santo Tomás de Aquino. Summa contra Gentiles, Livro III, Primeira Parte. Cap. XIX, nº1.
Hugo de São Vítor. “De substantia dilectionis et charitate ordinata”, Institutionis in Decalogum Legis Dominicae, cap. IV.
Papa Bento XVI. Saudação aos Jovens na Catedral de Westminster (18 de setembro de 2010).
Padre Paulo Ricardo de Azevedo Júnior. Um olhar que cura: terapia das doenças espirituais. São Paulo: Canção Nova, 2014.
YouCat – Catecismo Jovem da Igreja Católica, nº 309.

Fonte: http://www.diocesecachoeiro.org.br/2014/artigo.asp?codigo=92

Sobre Prof. Felipe Aquino

O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
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