Conheça a organização católica latino-americana que hoje muda vidas na África

Desde 2010, a fundação argentina FOFASTA – Fraternidade de Agrupações Santo Tomás de Aquino – trabalha com um grupo de missionários espanhóis, argentinos e equatorianos para realizar uma missão evangelizadora e de compromisso com o desenvolvimento social na República Democrática do Congo.

Em entrevista à ACI Prensa – agência em espanhol do Grupo ACI –, o arquiteto e empresário de 56 anos, Daniel Medina Balsa, membro de FASTA desde os 14 anos e um dos primeiros missionários deste apostolado na África, relatou os detalhes sobre como levaram seu carisma de “evangelização da família, cultura e juventude” para outro continente, assim como as necessidades e os desafios que enfrentam para continuar melhorando a qualidade de vida dos congoleses.

Medina assinala que o nome da fundação de FASTA para a África foi batizado como “FOFASTA” e busca principalmente o desenvolvimento material de atividades educacionais e de promoção social para a formação e capacitação de jovens congoleses.

“Esta iniciativa foi ratificada pelo Papa Francisco ao nosso fundador, Pe. Aníbal Fosbery, em Roma”, comentou a ACI Prensa.

Daniel Medina Balsa em seu trabalho missionário / Crédito: FOFASTA

Nasce a FOFASTA

Medina conta que foi a Providência que permitiu que em 2006 FASTA fosse conhecido por Merleau Nsimba, um jovem congolês estudante de filosofia, interessado em seu carisma e que anos depois ajudaria a fundar a obra em seu país.

“Após quase quatro anos de comunicação frequente por e-mail, em maio de 2010, realizou sua primeira viagem à Argentina para conhecer a obra. O que mais chamou sua atenção foi o trabalho ‘de humanização e cristianização com os jovens’ e ‘a maneira pela qual FASTA sabe como vincular a cultura à mensagem de Cristo e elevar o homem na cultura a partir da fé’”, explica.

Depois, quando Merleau regressou à África, “encomendaram a ele a fundação de uma comunidade FASTA em Kinshasa” (capital da República Democrática do Congo), continua Medina.

“A tarefa começou em 2010 com a participação de jovens de oito paróquias de Kinshasa que foram descobrindo nosso carisma pouco a pouco, depois a fundação se formalizou juridicamente em 2015 e canonicamente em 2018”, acrescentou.

Projetos de FOFASTA na República Democrática do Congo

O missionário indica que, depois que a obra foi estabelecida, novamente foram abençoados pela Providência com doações de outras fundações, empresas e inclusive de membros da FASTA na Espanha e na América Latina, o que possibilitou a aquisição de um prédio em construção no centro da cidade.

“Há quatro anos, estamos trabalhando para reformar e adaptar nossa sede às necessidades do projeto, chegando a 83% de sua execução com um investimento realizado superior a 525.650 dólares”, detalha Medina.

Instalações da sede principal de FOFASTA na República Democrática do Congo / Crédito: FOFASTA

O missionário diz que são conscientes das grandes deficiências do país e, por isso, seu objetivo a médio e longo prazo é “o desenvolvimento da educação e da cultura mediante” a construção do Colégio Isidore Bakanja (ensino fundamental e médio) e do Centro FASTA de empreendedores, para jovens em idade laboral.

“Essas iniciativas serão desenvolvidas no mesmo prédio, o que nos permitirá otimizar melhor os recursos”, afirmou.

Medina informou que a obra conta com a participação de mais de 400 membros entre crianças e adultos e possui oito centros de formação nas paróquias, além de sua sede central onde são realizadas atividades dominicais, Missas, e se fornece formação e alimentação.

Próximos desafios para FOFASTA

Um dos grandes desafios, explica Medina, é “inculturar o Evangelho e seu carisma”, respeitando a cultura, os costumes e a língua local, o lingala.

“A barreira do idioma é uma das dificuldades dos missionários, mas não a maior”, destacou, acrescentando que “a maior preocupação é a extrema pobreza, alimentação escassa, falta de saneamento, falta de água potável, malária e agora o ebola”.

“A expectativa de vida de 45 anos, longe de ser uma dificuldade, faz com que as pessoas se apaixonem mais pela missão, por essa terra e pelas pessoas maravilhosas. Contudo, se não ficar atentos pode acontecer o mal de África, ou seja, uma vez que tenha visto, a única coisa que quer fazer é voltar e ajudar”, narrou o missionário.

Outro dos desafios da FOFASTA, especificamente para o ano 2020, será concluir a construção da sede da escola.

“Falta muito pouco, precisamos apenas de 106.603 dólares para finalizá-la e esperamos que, com a ajuda de todos, em breve cheguemos a esse objetivo”, disse Medina e pediu aos católicos que enviem um pouco de ajuda através do site fofasta.org .

Também espera que os católicos tenham a “graça” que ele mesmo recebeu, para poder “conhecer uma realidade que comove, realiza e enche a missão de sentido, que ensina a agradecer a Deus por tudo o que somos e temos e não somos conscientes”.

Jovens que participam do apostolado em Kinshasa / Crédito: FOFASTA

“Existem muitas instituições como a nossa na África, sem recursos é muito difícil sustentar esses trabalhos devido à extrema pobreza e precisamos de todos, qualquer um pode ser um missionário na África, só precisa rezar por eles, comunicar-se, escutá-los e apoiá-los e, claro, colaborar materialmente renunciando a algumas coisas desnecessárias na vida”, refletiu Medina.

As conquistas

No final da entrevista, o missionário disse que “o maior presente do Senhor” foi, até o momento, conhecer várias histórias pessoais de sucesso na República Democrática do Congo.

“Esse jovem Merleau, que foi quem teve a inquietude inicial, foi ordenado em 2018 e hoje é sacerdote da Fraternidade Sacerdotal da FASTA”, conta Medina.

Também falou de outro seminarista da FOFASTA que atualmente estuda teologia e está feliz com os “muitos pedidos de jovens que desejam abraçar a vida consagrada em nossa instituição”.

Jovens recebendo catequese em Kishasa / Crédito: FOFASTA

Outro orgulho para FOFASTA, conta Medina, são os “muitos matrimônios que começaram nas comunidades”, assim como os jovens que se beneficiaram com as “bolsas de estudos universitários e colaboração econômica”.

“Também realizamos assistência material às famílias mais necessitadas em nosso ambiente e bolsas de estudos para os primeiros estudos. Nosso grande desafio e com a ajuda do Senhor é alcançar, por meio de educação e capacitação, melhorar a vida desses irmãos na fé que tanto esperam de nós”, concluiu.

Publicado originalmente em ACI Prensa. Traduzido e adaptado por Nathália Queiroz.

Fonte: https://www.acidigital.com/noticias/conheca-a-organizacao-catolica-latino-americana-que-hoje-muda-vidas-na-africa-53386

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Sobre Prof. Felipe Aquino

O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
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