Análise: Maior parte dos encarregados da Cúria Romana tem idade para se aposentar e provém da Europa

Segundo o site ACI Digital (26/02/2021), atualmente, a maioria dos chefes de dicastérios da Cúria Romana já tem idade para a aposentadoria, mas, seus mandatos foram estendidos pelo Pontífice “donec aliter provideatur”, que em latim significa: “até que outra maneira seja providenciada”. Além disto, vale recordar que a grande maioria dos dicastérios está sendo atualmente presidida por prelados europeus.

De acordo com o regulamento, os chefes dos Dicastérios devem apresentar sua renúncia ao Pontífice aos 75 anos. E cabe ao Papa decidir se, como e quando aceitá-la e, consequentemente, prosseguir com a nomeação do sucessor.

Em 20 de fevereiro, o Santo Padre aceitou a renúncia do Cardeal Angelo Comastri, 77, e nomeou o Cardeal Mauro Gambetti, 55, seu vigário-geral para o Estado da Cidade do Vaticano, arcipreste da Basílica de São Pedro e Presidente da Fábrica de São Pedro. No mesmo dia, o Papa aceitou a renúncia do Cardeal Robert Sarah como prefeito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, mas ainda não nomeou seu sucessor.

Sem levar em conta o atual cargo vago no Culto Divino, cinco das oito Congregações do Vaticano são presididas por prefeitos que têm um mandato estendido: a dos Bispos, com o Cardeal Marc Ouellet, de 76 anos; a das Igrejas Orientais, com o Cardeal Leonardo Sandri, 77 anos; Clero, com o Cardeal Beniamino Stella, 79; a Doutrina da Fé, sob os cuidados do Cardeal Luis Francisco Ladaria Ferrer, de 76 anos; e Educação Católica, com o Cardeal Giuseppe Versaldi, de 77.

Além disso, outros escritórios da Cúria Romana sob a jurisdição destas Congregações, como o Pontifício Conselho de Cultura, presidido pelo Cardeal Gianfranco Ravasi, de 78 anos; a Prefeitura do Estado da Cidade do Vaticano, com o Cardeal Giuseppe Bertello, 78; e a Penitenciaria Apostólica, com o Cardeal Mauro Piacenza, 76.

Por outro lado, quem olhar para a nacionalidade dos chefes da Cúria Romana, notará que 17 Dicastérios do Vaticano são guiados por europeus (11 italianos, 3 espanhóis, 1 francês, 1 suíço e 1 irlandês).

São eles: o Secretário de Estado, o Cardeal italiano Pietro Parolin; o Secretário da Economia, o jesuíta espanhol Juan Antonio Guerrero Alves; a Congregação para a Doutrina da Fé, com o Cardeal espanhol Luis Francisco Ladaria Ferrer; a Congregação para as Causas dos Santos, com o Cardeal italiano Marcello Semeraro; a Congregação para o Clero, com o Cardeal italiano Beniamino Stella; a Congregação para a Educação Católica, com o italiano Cardeal Giuseppe Versaldi; o Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida, com o Cardeal Kevin Farrell (nascido na Irlanda, mas serviu como bispo nos EUA); o Dicastério da Comunicação, com o leigo italiano Paolo Ruffini; a Penitenciaria Apostólica, com o Cardeal italiano Mauro Piacenza; e a Suprema Corte da Signatura Apostólica, com o Arcebispo francês Cardeal Dominique Mamberti.

Além disso, há o Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos, com o Cardeal suíço Kurt Koch; o Pontifício Conselho de Textos Legislativos, com o Arcebispo italiano Filippo Iannone; o Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-Religioso, com o Cardeal espanhol Miguel Angel Ayuso Guixot; o Pontifício Conselho da Cultura, com o Cardeal italiano Gianfranco Ravasi; o Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização, com o Arcebispo italiano Rino Fisichella; a Administração do Patrimônio da Sé Apostólica (APSA), com o Bispo italiano Nunzio Galantino; o Governatorado do Estado da Cidade do Vaticano, com o Ccardeal italiano Giuseppe Bertello; e o Vicariato para o Estado da Cidade do Vaticano, com o recém-nomeado Cardeal italiano Mauro Gambetti (um dos mais jovens cardeais da Cúria, com 55 anos).

Pode-se dizer que a América do Norte tem dois representantes: o Cardeal canadense Marc Ouellet, à frente da Congregação para os Bispos; e o Cardeal Kevin Farrell – que também é camerlengo da Santa Igreja Romana e, na verdade, nasceu em Dublin, Irlanda, mas foi ordenado bispo auxiliar de Washington, nos EUA – à frente do Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida.

Já a América do Sul, por outro lado, tem o Cardeal argentino Sandri na Congregação para as Igrejas Orientais e o Cardeal brasileiro Braz de Aviz na Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e Sociedades de Vida Apostólica.

A Ásia e a África têm cada um seu representante: a Congregação para a Evangelização dos Povos, com o Cardeal filipino Luis Antonio Tagle, e o Dicastério para o Serviço de Desenvolvimento Humano Integral, com o Cardeal ganês Peter Turkson.

No momento não há representantes da Oceania no comando de qualquer departamento do Vaticano, após a renúncia do Cardeal australiano George Pell ao comando da Secretaria para a Economia.

Vale recordar que o Santo Padre está preparando um documento sobre a Cúria Romana e que alterações na estrutura curial poderiam vir em breve. O documento é a Constituição Apostólica Praedicate Evangelium, que ainda não tem data de publicação.

Fonte: https://www.acidigital.com/noticias/analise-maior-parte-dos-encarregados-da-curia-romana-tem-idade-para-se-aposentar-e-provem-da-europa-67869

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Sobre Prof. Felipe Aquino

O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
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