A mais temida das doenças

Embora hoje o coronavírus seja tão temido, a lepra sempre foi uma enfermidade dramática com terríveis sofrimentos físicos e graves consequências sociais. Quão pior é a lepra da alma!

Somos concebidos e nascemos sob os estigmas do pecado original; pelo pecado nos transformamos em inimigos de Deus. E se a lepra física enfeia o corpo, a da alma — o pecado —, a torna horrorosa aos olhos de Deus, dos Anjos e dos Bem-Aventurados.

Essa “lepra” da alma traz consequências até mesmo para o corpo, pois, como diz Nosso Senhor, “o pecador se torna escravo do pecado” (Jo 8, 34), prejudicando, assim, até sua saúde física.

Efeitos da lepra do corpo e da “lepra” da alma

Se de um lado o leproso se torna um pária da sociedade, condenado ao isolamento e ao abandono, por outro lado, o pecado não só faz perder a inabitação da Santíssima Trindade na alma do pecador, como o exclui da sociedade dos eleitos e dos santos.

Além disso, a “lepra” da alma é mais contagiosa do que a física. A propagação da primeira se faz até à distância, por palavras, conversas, pensamentos, escândalos, maus exemplos, influência, maledicência, etc., e muitas vezes de maneira tal que não se consegue reparar os males oriundos de sua difusão.

Também não devemos esquecer de que o fato de se comunicarem entre si os que sofrem dessa enfermidade física, e nem sequer com os que por ela não foram atingidos, não faz crescer sua desgraça.

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Quais são as raízes do pecado?

O mesmo não se dá com a “lepra” do pecado: ao sermos causa de contágio, aumentamos nossa culpa.

Por mais que a lepra conduza a miseráveis condições que, sem tratamento, só terminam com a morte, o pecado é muito pior, pois arranca da alma a paz de consciência, torna amarga a vida e prepara a morte eterna.

Consideremos ainda a grande superioridade da alma sobre o corpo. Aquela é criada à imagem da Santíssima Trindade e, enquanto obra-prima das mãos de Deus, leva ademais, sobre si, o infinito preço do preciosíssimo Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Por isso mesmo, os males da alma sempre são mais graves que os do corpo. E, sendo físicos os estigmas do mal de Hansen, são fáceis de serem reconhecidos pela vítima. Em sentido contrário, o pecador, quanto mais avança nas tortuosas vias do pecado, menos se dá conta do abismo no qual rola.

Nesta perspectiva, como poderá ele obter a cura?

Terrível é ainda considerar que os sofrimentos do leproso abandonado à própria sorte terminam com seu falecimento e, se os aceitou com resignação e amor a Deus, abrirá seus olhos para a eternidade feliz. Os do pecador não só se perpetuam na eternidade, como se tornam incomparavelmente mais atrozes após a morte.

E como curar a “lepra” do pecado?

Muitas são as vias que conduzem à cura total, isto é, à santidade plena. Há uma, entretanto, que se sobressai entre todas, buscar Jesus.

Não se trata de esperar que Jesus vá ao pecador; é preciso que este vá em busca de Jesus. E, quanto mais avançado for o estado de sua “lepra”, mais confiança deverá ter de ser bem recebido por Ele. Jamais deve permitir qualquer fímbria de desânimo ou, pior ainda, de desconfiança.

E onde encontrá-Lo? Jesus não está entre nós de passagem, mas de forma permanente: “Estarei convosco até a consumação dos séculos” (Mt 28, 20).

Sim! Cristo se encontra constantemente na Eucaristia em Corpo, Sangue, Alma e Divindade. E será na Comunhão frequente — melhor ainda na diária — que Ele irá assumindo interiormente os que em sua graça O recebem, para dessa forma torná-los cada vez mais semelhantes à Sua santidade.

Aquelas divinas e sagradas mãos, cujas carícias encantavam os pequeninos, e ao aproximarem-se dos enfermos, curavam a todos; aquelas mesmas mãos onipotentes que acalmavam os ventos e os mares, restituíam a vida aos cadáveres e perdoavam os pecados, estarão no interior do ser de quem receber Jesus na Comunhão Eucarística, para santificá-lo.

É de altíssima conveniência aceitar o convite que a Igreja faz a todos os batizados no sentido de que não deixem passar um só dia sem receber a Jesus Eucarístico; mas a ação dEle será ainda mais eficaz nas almas que o fizerem por meio dAquela que O trouxe à Encarnação: Sua e nossa Mãe, Maria Santíssima.

Mons. João Scognamiglio Clá Dias, EP

Texto extraído, com adaptações, da Revista Arautos do Evangelho n.86, fevereiro 2009.

Fonte: https://gaudiumpress.org/content/a-mais-temida-das-doencas/

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Sobre Prof. Felipe Aquino

O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
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