3 erros (e 3 acertos) que cometemos durante a oração

Felizmente, a Igreja nos ajuda a encontrar as atitudes certas em relação ao modo como rezamos
No trigésimo domingo do tempo comum, ano C, Jesus traz boas e más notícias para nós em relação à oração.
A má notícia é que, muitas vezes, cometemos os mesmos erros de oração que o fariseu comete em sua história. Porém, a boa notícia é que a Igreja se certificou de que também imitamos o coletor de impostos algumas vezes.

Nosso primeiro erro é que direcionamos nossa oração para o lugar errado.

“O fariseu assumiu sua posição e fez esta oração a si mesmo”, diz Jesus.

Não apenas fazemos isso, mas, às vezes, nos orgulhamos disso. Quando dizemos que somos mais “espirituais” do que “religiosos”, provavelmente queremos dizer que somos reflexivos e compreendemos a dimensão mais profunda de nossas vidas.

Podemos até rezar. Nós refletimos sobre nossas vidas, tentando ser a melhor versão de nós mesmos, e entramos em contato com nossos sentimentos. E isso é bom, em seu devido lugar. Mas pense no que isso pode significar: “refletir” é literalmente autocontemplação, e focar em nós mesmos significa “assumir uma posição” inapropriadamente próxima da de Deus.

Graças a Deus, a Igreja constantemente nos coloca de volta na posição de cobrador de impostos.

“Mas o cobrador de impostos ficou à distância e nem sequer levantou os olhos para o céu, mas bateu no peito e orou: ‘Ó Deus, seja misericordioso comigo, um pecador’”, diz Jesus.

A Igreja garante que todos façamos o seguinte: quando rezamos o Ato Penitencial no início da Missa, literalmente batemos no peito como o publicano e ecoamos seu pedido de misericórdia.

Nosso segundo erro é comparar-nos a maus modelos.

Em seguida, o fariseu diz: “Ó Deus, agradeço por não ser como o resto da humanidade – ganancioso, desonesto, adúltero – ou mesmo como esse cobrador de impostos”.

Comparando-se a pecadores endurecidos, ele é tão absurdo quanto um corredor que se compara a pessoas aleijadas ou como nós quando olhamos para nossas vidas e as comparamos com pessoas que não tiveram os dons que tivemos – os discípulos que nos alcançaram e a graça da conversão.

Seu orgulho o faz imaginar que o “resto da humanidade” é ruim. Fazemos isso o tempo todo – julgando os de outro partido político ou religião, ou de outros católicos que não são como nós.

Mais uma vez, a Igreja ajuda a evitar esse erro, lembrando-nos quem estamos imitando e com quem estamos.

O cobrador de impostos se concentra na misericórdia de Deus – e se coloca na categoria “pecador”.

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A Igreja nos ajuda a fazer a mesma coisa, mas colocando Jesus Cristo diante de nós como nosso exemplo e nos colocando diretamente na companhia de pecadores em nossa igreja.

O que nos leva ao terceiro erro: esperamos que Deus fique impressionado conosco.

Em seguida, o fariseu se vangloria de Deus, dizendo: “Jejuo duas vezes por semana e pago o dízimo em toda a minha renda”.

Eu não posso ser a única pessoa que faz isso também. Parece que a minha vida espiritual tem dois modos: ou estou aquém dos meus objetivos e me sinto culpado por isso, ou realmente consegui agir e me sinto o maior presente da humanidade para Deus.

Tanto a culpa como o orgulho estão errados. Como o Salmo diz: “O Senhor está próximo do coração partido, e daqueles que são esmagados pelo espírito, ele salva”. E, como diz a primeira leitura, Deus “não conhece favoritos”.

Ele é Deus; qualquer ganho que obtemos é apenas a cooperação com a realidade dele, e qualquer falha que cometemos em nossas vidas é apenas uma oportunidade perdida.

O cobrador de impostos é o único na história que impressiona Jesus, e São Paulo conhece seu segredo.

O segredo do coletor de impostos é que ele recebe de Deus o que precisa. É o mesmo com São Paulo.

A princípio, pode parecer que São Paulo, na segunda leitura, é muito parecido com o fariseu. Soa como se gabar quando ele diz: “Eu competi bem; Eu terminei a corrida; Eu tenho mantido a fé. A partir de agora, a coroa da justiça me espera.

Mas veja o contexto. Essa “coroa de justiça” será concedida “a todos que almejaram sua aparência” e Paulo é incluído apenas porque “o Senhor me apoiou e me deu força” depois que ele “foi resgatado da boca do leão”, ele diz .

Em resumo, Paulo segue a fórmula que a Igreja nos apresentou em outubro. Os Evangelhos apresentaram três imagens de oração: o leproso que agradeceu a Jesus por sua cura, a viúva confrontando o juiz injusto e hoje. A lição: nossa oração deve ter a base da gratidão e da humildade.

 

Fonte: https://pt.aleteia.org/2019/10/25/3-erros-e-3-acertos-que-cometemos-durante-a-oracao/

Sobre Prof. Felipe Aquino

O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
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