Vontade de Deus é guia da nossa existência

Intervenção do Papa no Ângelus de hoje

CIDADE DO VATICANO, domingo, 17 de julho de 2011 (ZENIT.org) – Apresentamos as palavras que o Papa pronunciou hoje ao rezar a oração mariana do Ângelus junto aos peregrinos que lotavam o pátio do Palácio Apostólico de Castel Gandolfo.

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Queridos irmãos e irmãs:

As parábolas evangélicas são breves narrações que Jesus utiliza para anunciar os mistérios do Reino dos céus. Ao usar imagens e situações da vida cotidiana, o Senhor “quer nos mostrar o autêntico fundamento de tudo. Ele nos mostra (.) o Deus que age, que entra nas nossas vidas e que quer nos tomar pela mão” (“Jesus de Nazaré 1”, Bento XVI). Com estas reflexões, o divino Mestre convida a reconhecer, antes de tudo, a primazia de Deus Pai: onde Ele não está, não pode haver nada bom. É uma prioridade decisiva para tudo. Reino dos céus significa precisamente senhorio de Deus e isso quer dizer que sua vontade deve ser assumida como o critério-guia da nossa existência.

O tema contido no Evangelho deste domingo é precisamente o Reino dos céus. O “céu” não deve ser entendido somente no sentido dessa altura que está acima de nós, pois este espaço infinito possui também a forma da interioridade do homem. Jesus compara o Reino dos céus com um campo de trigo para dar-nos a entender que dentro de nós foi semeado algo pequeno e escondido que, no entanto, tem uma força vital que não pode ser suprimida. Apesar dos obstáculos, a semente se desenvolverá e o fruto amadurecerá. Este fruto será bom somente se for cultivado o terreno da vida segundo a vontade divina. Por isso, na parábola do joio (Mateus 13, 24-30), Jesus adverte que, depois que o dono semeia, “enquanto todos dormiam”, aparece “seu inimigo”, que semeia o joio. Isso significa que temos de estar preparados para proteger a graça recebida no dia do Batismo, alimentando a fé no Senhor, que impede que o mal crie raízes. Santo Agostinho, comentando esta parábola, observa que “primeiro muitos são joio e depois se convertem em grão bom”. E acrescenta: “Se estes, quando são maus, não fossem tolerados com paciência, não chegariam à louvável transformação” (Quaest. septend. in Ev. sec. Matth., 12, 4: PL 35, 1371).

Queridos amigos, o livro da sabedoria, do qual hoje foi tirada a primeira leitura, sublinha esta dimensão do Ser divino: “Pois não há, além de ti, outro Deus que cuide de todas as coisas (.). Tua força é o princípio da tua justiça, e o teu domínio sobre todos te faz para com todos indulgente” (Sabedoria 12, 13.16). E o salmo 86 confirma isso: “Tu és bom, Senhor, e perdoas, és cheio de misericórdia para com todos que te invocam” (versículo 5.). Portanto, se somos filhos de um Pai tão grande e bom, procuremos parecer-nos com Ele! Este era o objetivo que Jesus buscava com a sua pregação. Ele dizia a quem o escutava: “Sede perfeitos como o vosso Pai celeste é perfeito” (Mateus, 5,48).

Coloquemo-nos com confiança nas mãos de Maria, a quem ontem invocamos como Nossa Senhora do Carmo, para que nos ajude a seguir fielmente Jesus e, dessa maneira, viver como verdadeiros filhos de Deus.

[Tradução: Aline Banchieri]

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    Sobre Prof. Felipe Aquino

    O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
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