Verbum Domini (Resumo) 25/11/2010

“A Palavra de Deus na vida e na missão da Igreja”.

Objetivo: “Desejo assim indicar algumas linhas fundamentais para
uma redescoberta, na vida da Igreja, da Palavra divina, fonte de constante
renovação, com a esperança de que a mesma se torne cada vez mais o coração de
toda a atividade eclesial.” (n. 1)

Religião da Palavra, não do livro: “A fé cristã não é uma ‘religião
do Livro’: o cristianismo é a ‘religião da Palavra de Deus’, não de ‘uma
palavra escrita e muda, mas do Verbo encarnado e vivo’.” (7)

Tradição e Escritura: “É a Tradição viva da Igreja que nos faz
compreender adequadamente a Sagrada Escritura como Palavra de Deus.” (17)

Sagrada Escritura, inspiração e verdade: “A Sagrada Escritura é
‘Palavra de Deus enquanto foi escrita por inspiração do Espírito de Deus’.
Deste modo se reconhece toda a importância do autor humano que escreveu os
textos inspirados e, ao mesmo tempo, do próprio Deus como verdadeiro
autor.” (19)

Deus escuta o homem: “É decisivo, do ponto de vista pastoral,
apresentar a Palavra de Deus na sua capacidade de dialogar com os problemas que
o homem deve enfrentar na vida diária. (…) A pastoral da Igreja deve ilustrar
claramente como Deus ouve a necessidade do homem e o seu apelo.” (23)

Exegese: “No seu trabalho de interpretação, os exegetas católicos
jamais devem esquecer que interpretam a Palavra de Deus. A sua tarefa não
termina depois que distinguiram as fontes, definiram as formas ou explicaram os
processos literários. O objetivo do seu trabalho só está alcançado quando
tiverem esclarecido o significado do texto bíblico como Palavra atual de
Deus.” (33)

Antigo Testamento e judaísmo: “A compreensão judaica da Bíblia pode
ajudar a inteligência e o estudo das Escrituras por parte dos cristãos. (…) O
Novo Testamento está oculto no Antigo e o Antigo está patente no Novo. (…)
Desejo afirmar uma vez mais quão precioso é para a Igreja o diálogo com os
judeus.” (41/43)

Bíblia e ecumenismo: “Na certeza de que a Igreja tem o seu
fundamento em Cristo, Verbo de Deus feito carne, o Sínodo quis sublinhar a
centralidade dos estudos bíblicos no diálogo ecumênico, que visa a plena
expressão da unidade de todos os crentes em Cristo.” (46)

Traduções, serviço ao ecumenismo: “A promoção das traduções comuns
da Bíblia faz parte do trabalho ecumênico. Desejo aqui agradecer a todos os que
estão comprometidos nesta importante tarefa e encorajá-los a continuarem na sua
obra.” (46)

Escritura e Liturgia: “Exorto os Pastores da Igreja e os agentes
pastorais a fazer com que todos os fiéis sejam educados para saborear o sentido
profundo da Palavra de Deus que está distribuída ao longo do ano na liturgia,
mostrando os mistérios fundamentais da nossa fé.” (52)

A homilia: “É preciso que os pregadores tenham familiaridade e
contato assíduo com o texto sagrado; preparem-se para a homilia na meditação e
na oração, a fim de pregarem com convicção e paixão.” (59)

Celebrações da Palavra de Deus: “Os Padres sinodais exortaram todos
os Pastores a difundir, nas comunidades a eles confiadas, os momentos de
celebração da Palavra. (…) Tal prática não pode deixar de trazer grande
proveito aos fiéis, e deve considerar-se um elemento importante da pastoral
litúrgica.” (65)

Acústica: “Para favorecer a escuta da Palavra de Deus, não se devem
menosprezar os meios que possam ajudar os fiéis a prestar maior atenção. Neste
sentido, é necessário que, nos edifícios sagrados, nunca se descuide a
acústica, no respeito das normas litúrgicas e arquitetônicas.” (68)

Canto litúrgico: “No âmbito da valorização da Palavra de Deus
durante a celebração litúrgica, tenha-se presente também o canto nos momentos
previstos pelo próprio rito, favorecendo o canto de clara inspiração bíblica
capaz de exprimir a beleza da Palavra divina por meio de um harmonioso acordo
entre as palavras e a música. Neste sentido, é bom valorizar aqueles cânticos
que a tradição da Igreja nos legou e que respeitam este critério; penso
particularmente na importância do canto gregoriano.” (70)

Atenção aos portadores de deficiência: “O Sínodo recomendou uma
atenção particular àqueles que, por causa da própria condição, sentem
dificuldade em participar ativamente na liturgia, como por exemplo os cegos e
os surdos.” (71)

A animação bíblica da pastoral: “O Sínodo convidou a um esforço
pastoral particular para que a Palavra de Deus apareça em lugar central na vida
da Igreja, recomendando que ‘se incremente a pastoral bíblica, não em
justaposição com outras formas da pastoral mas como animação bíblica da
pastoral inteira’.” (73)

Dimensão bíblica da catequese: “A atividade catequética implica
sempre abeirar-se das Escrituras na fé e na Tradição da Igreja, de modo que
aquelas palavras sejam sentidas vivas, como Cristo está vivo hoje onde duas ou
três pessoas se reúnem em seu nome.” (74).

Lectio Divina: “Nos documentos que prepararam e acompanharam o
Sínodo, falou-se dos vários métodos para se abeirar, com fruto e na fé, das
Sagradas Escrituras. Todavia prestou-se maior atenção à lectio divina, que ‘é
verdadeiramente capaz não só de desvendar ao fiel o tesouro da Palavra de Deus,
mas também de criar o encontro com Cristo, Palavra divina viva’.” (87)

Palavra de Deus e Terra Santa: “Os Padres sinodais lembraram a
expressão feliz dada à Terra Santa: ‘o quinto Evangelho’. Como é importante a
existência de comunidades cristãs naqueles lugares, apesar das inúmeras
dificuldades! O Sínodo dos Bispos exprime profunda solidariedade a todos os
cristãos que vivem na Terra de Jesus, dando testemunho da fé no
Ressuscitado.” (89)

Anúncio e nova evangelização: “Há muitos irmãos que são ‘batizados
mas não suficientemente evangelizados’. É frequente ver nações, outrora ricas
de fé e de vocações, que vão perdendo a própria identidade, sob a influência de
uma cultura secularizada. A exigência de uma nova evangelização, tão sentida
pelo meu venerado Predecessor, deve-se reafirmar sem medo, na certeza da eficácia
da Palavra divina.” (96)

Testemunho: “A Palavra de Deus alcança os homens através do
encontro com testemunhas que a tornam presente e viva.” (97)

Compromisso pela justiça: “A Palavra de Deus impele o homem para
relações animadas pela retidão e pela justiça, confirma o valor precioso aos
olhos de Deus de todas as fadigas do homem para tornar o mundo mais justo e
mais habitável.” (100)

Direitos humanos: “Quero chamar a atenção geral para a importância
de defender e promover os direitos humanos de toda a pessoa (…). A difusão da
Palavra de Deus não pode deixar de reforçar a consolidação e o respeito dos
direitos humanos de cada pessoa.” (101)

Palavra de Deus e paz: “No contexto atual, é grande a necessidade
de descobrir a Palavra de Deus como fonte de reconciliação e de paz, porque
nela Deus reconcilia em Si todas as coisas (cf. 2 Cor 5, 18-20; Ef 1, 10):
Cristo ‘é a nossa paz’ (Ef 2, 14), Aquele que derruba os muros de
divisão.” (102)

Palavra de Deus e proteção da criação: “O compromisso no mundo
requerido pela Palavra divina impele-nos a ver com olhos novos todo o universo
criado por Deus e que traz já em si os vestígios do Verbo, por Quem tudo foi
feito (…). A arrogância do homem que vive como se Deus não existisse, leva a
explorar e deturpar a natureza, não a reconhecendo como uma obra da Palavra
criadora.” (108)

Internet: “No mundo da internet, que permite que bilhões de imagens
apareçam sobre milhões de monitores em todo o mundo, deverá sobressair o rosto
de Cristo e ouvir-se a sua voz, porque, ‘se não há espaço para Cristo, não há
espaço para o homem’.” (113)

Diálogo interreligioso: “A Igreja reconhece como parte essencial
do anúncio da Palavra o encontro, o diálogo e a colaboração com todos os homens
de boa vontade, particularmente com as pessoas pertencentes às diversas
tradições religiosas da humanidade, evitando formas de sincretismo e de
relativismo.” (117)

Diálogo e liberdade religiosa: “O respeito e o diálogo exigem a
reciprocidade em todos os campos, sobretudo no que diz respeito às liberdades
fundamentais e, de modo muito particular, à liberdade religiosa. Tal respeito e
diálogo favorecem a paz e a harmonia entre os povos.” (120)

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    Sobre Prof. Felipe Aquino

    O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
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