Vaticano: Normas sobre aparições e revelações privadas

A Congregação para a Doutrina da Fé, orgão responsável no Vaticano em zelar pelo depósito da Fé, publicou as normas que regem a Igreja Católica no mundo para o discernimento dos casos
nos quais se fala de aparições e revelações privadas. Estas normas foram criadas para uso interno em 1978 sob o pontificado de Paulo VI e, até agora, não haviam sido publicadas oficialmente nem traduzidas do latim.

o Prefeito da Congregação, Cardeal William Levada, no prefácio da nova publicação, expressou “firme esperança” de que estas normas ajudem os líderes eclesiásticos “em sua difícil tarefa” de discernir as aparições, revelações  e outros fenômenos extraordinários de possível origem sobrenatural.

O Cardeal assinala que “parece agora oportuno publicar estas normas, proporcionando traduções nos principais idiomas” ainda que numerosas versões não oficiais estejam em circulação, estas orientações foi resultado dos trabalhos da  comissão instituída há três anos pela Congregação para a Doutrina da Fé para investigar as supostas aparições da Virgem Maria na localidade de Medjugorje na Bósnia-Herzegovina. Desde 1981, esse lugar se converteu em um popular destino dos peregrinos que  ouvem falar de supostas aparições da Virgem (que ainda acontecem) a seis católicos da região.

A comissão é  presidida pelo ex-presidente da Conferência Episcopal Italiana e Vigário Emérito para a diocese de Roma, Cardeal Camillo Runni. Esta reúne  bispos, teólogos e outros peritos após pedido do Bispo em cuja diocese está em Medjugorje para investigar estes fatos.
Os trabalhos foram iniciados em março de 2010 e suas normas estabelecem um processo de três fases que uma autoridade legítima da Igreja deve seguir para chegar a uma decisão sobre as alegações por escrito sobre aparições ou revelações privadas.

Em primeiro lugar, a provável existência de uma aparição ou revelação deve julgar-se “de acordo a critérios positivos e negativos”. Esta investigação pode incluir uma avaliação das “qualidades pessoais” dos possíveis videntes, assim como do seu “equilíbrio psicológico, honestidade e retidão na vida moral, sinceridade e docilidade habitual para a autoridade eclesiástica, a capacidade de voltar para um regime normal de uma vida de fé, etc.”.

Qualquer possível revelação autêntica também tem que ser “de uma verdade teológica, conforme à doutrina espiritual e imune ao engano” e deve gerar “uma devoção saudável com constante e abundante fruto” como “o espírito de oração, conversão, testemunhos de caridade, etc.”.

Em segundo lugar, se as autoridades eclesiásticas locais chegarem a uma primeira conclusão favorável, podem permitir certa devoção pública enquanto prosseguem “observando isto com grande prudência”.

Em terceiro lugar, deve chegar-se a um juízo definitivo “à luz do tempo transcorrido e a experiência” considerando particularmente “a fecundidade do fruto spiritual gerado por esta nova devoção”.

Cabe ressaltar que no prefácio o Cardeal atesta à diferença das revelações públicas, os católicos não estão obrigados a aceitar a veracidade ou conteúdo das revelações privadas, nem sequer aquelas que foram aprovadas pela autoridade eclesiástica competente. Afirma ainda que a aprovação eclesiástica “essencialmente significa que sua mensagem não contém nada contrário à fé e a moral” e podem além disso, “introduzir novas ênfases, alentar novas formas de piedade ou aprofundar algumas já existentes”.

Fonte: ACIDIGITAL

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    Sobre Prof. Felipe Aquino

    O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
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