Um testemunho de Eusébio

250pxEusebiusofCaesareaO historiador Eusébio foi quem primeiro escreveu uma História da Igreja, no século IV; era bispo de Cesareia na Palestina. Ele escreveu que foi testemunha ocular de muitos martírios de cristãos. Observa em sua “História Eclesiástica” que as feras por vezes, lançadas contra os cristãos nas arenas, pareciam respeitar as testemunhas de Cristo. Assim, relata ele a respeito de um dos martírios que aconteciam no anfiteatro da cidade de Tiro:

“Estive presente a este espetáculo e percebi muito manifesta a assistência do Senhor Jesus, de quem os mártires davam testemunho. Os animais vorazes ficavam por muito tempo sem ousar tocar nos corpos dos santos; ao contrário dirigiam toda a sua ira contra os pagãos que se esforçaram por atiçá-los. Por vezes lançavam-se contra os condenados cristãos, mas imediatamente recuavam como se fossem rechaçados por um poder divino. Vi um jovem de vinte anos com os braços em cruz; rezava pela paz sem se mover, aguardando o urso ou o leopardo, que pareciam ferozes, mas que uma força misteriosa detinha. Vi também cinco outros cristãos expostos a um touro bravo; este havia lançado ao ar vários pagãos; quando ia atirar-se contra os mártires, não podia dar um passo, ainda que provo­cado por um ferro candente. Parecia a mão de Deus intervir nestes casos.” (História Eclesiástica, VIII, 7, 4-6, Ed. Paulus, SP).

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Os mártires de ontem e de hoje 

Pelas narrativas os mártires não lutavam contra as feras. Não se conhece caso algum. Deixavam ser atacados sem se defender.

A crucificação era considerada pelos romanos como infame, mas foi aplicada com grande frequência aos cristãos. Orígenes relata que São Pedro foi crucificado de cabeça para baixo, pois pediu, por humildade, que fosse assim fixado à cruz.

Escreve Sêneca, filósofo estoico, observando a frequência deste tipo de morte: “Vejo cruzes de diversos modos; alguns são levantados na cruz com a cabeça para baixo” (Consolatio ad Marciam, 20; apud Revista PR, nº 475 – Ano 2001).

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    Sobre Prof. Felipe Aquino

    O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
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