Um esporte degradante

1308326475-boxing_glovesApesar de contar com uma série de regras que limitam certos golpes que poderiam causar riscos aos lutadores, o UFC, as artes marciais (MMA) são violentos. No UFC 146, o brasileiro Antonio Silva, o Pezão levou uma cotovelada no rosto durante a derrota para Cain Velásquez e verteu grande quantidade de sangue no rosto.

Será que podemos chamar a isso de esporte saudável? Jamais. De um lado a nossa civilização proíbe as brigas de galos, canários e outros animais. Por outro lado permite, incentiva e se diverte com a briga de humanos, valendo muito dinheiro e fama para os que massacram o adversário como se fosse um torturado. O mais triste é que este é um dos esportes que mais crescem no mundo. É muito contra senso.

Logo que o cristianismo cresceu em Roma no século IV e o imperador Constantino se converteu e proibiu a perseguição dos cristãos pelo Edito de Milão, em 313, o massacre dos gladiadores começou a ser eliminado. Thomas Woods, historiador PhD de Harvard afirma que “A Igreja Católica não só eliminou os costumes repugnantes do mundo antigo, como o infanticídio e os combates de gladiadores”. (2005, pg. 7)

Jerome Carcopio, em sua obra “Daily Life in Ancient Rome” (A Vida Diária na Roma Antiga), disse que: “os açougueiros da arena foram parados ao comando dos imperadores cristãos”. O cristianismo pôs fim também aos baixos jogos romanos nos teatros, anfiteatros e arenas, que fomentava no povo a ociosidade e o gosto pelo sangue e pela luxúria. Sêneca criticava essa neurose coletiva, que hoje se repete de outras formas nos ringues, seja pelo Box como por outras lutas livres.

Os homens da Igreja se indignavam contra os espetáculos das arenas romanas. São Jerônimo, Santo Hilário de Poitiers, Santo Ambrósio, Santo Agostinho, São Basílio, Santo Atanásio, São Gregório de Nissa, São Gregório de Nazianzo, São Martinho de Tour, Santo Hilário de Poitiers, São João Crisóstomo, São Cirilo de Jerusalém…, levantavam suas vozes contra essa barbárie. Um monge heroico, Telêmaco, no final do século, invadiu uma arena para separar dois gladiadores e foi morto pela multidão. A partir 392 Teodósio proibiu os combates sangrentos.

Alguém pode argumentar que o lutador não sai morto do ringue; mas é o caso de perguntar o que pode justificar um homem bater no outro até o massacre? O dinheiro? A fama? A sede do povo de ver sangue? Que prazer mórbido é esse?

Mas parece que este espírito pagão retorna rapidamente à nossa civilização Ocidental. Não é possível aceitar como esporte uma prática que machuca, fere e sangra um ser humano. Onde ficam os tão decantados “direitos humanos” diante dessa nova barbárie humana?

O pior é que também católicos se divertem diante de cenas tão desumanas, de tão mau gosto; como se o sofrimento e o massacre de alguém possa ser uma forma de diversão. Os romanos também se divertiam muito assistindo os cristãos serem mortos pelas feras nos anfiteatros romanos.

Prof. Felipe Aquino

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    Sobre Prof. Felipe Aquino

    O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
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