Tráfico humano e Trabalho escravo

CF2014-600x481A Campanha da Fraternidade deste ano pede que meditemos na vergonhosa situação de tráfico humano. Nosso mundo atual é belo e feio ao mesmo tempo; avançado e atrasado. Falamos tanto de fraternidade, mas ainda há tanto tráfico de seres humanos: crianças e mulheres pobres, que, enganadas, acalentam o sonho de uma vida melhor em um país diferente, alimentando a prostituição nas ruas do Ocidente. E o pior de tudo é que se tenta legalizar a prostituição como “profissão”, como se fosse algo digno. Um atentado à mulher, que desce a seu nível mais baixo. Falta-nos entender de fato que temos um único Pai e que somos todos irmãos. Sem isso nunca haverá verdadeira fraternidade.

Segundo dados dos organismos internacionais, pelo menos 12,5 milhões de pessoas são vítimas do tráfico no mundo, com um lucro para o crime organizado em cerca de 10 bilhões de euros por ano. Segundo um informe das Nações Unidas os cidadãos de 127 países são vítimas desses traficantes. De acordo com a ONU, o tráfico de pessoas para exploração sexual é a terceira maior fonte de renda ilegal no mundo. Estima-se que, por ano, quase um milhão de pessoas são traficadas, das quais 98% são mulheres. O Brasil lidera o vergonhoso ranking dos maiores exportadores de mulheres, com 85 mil vítimas.

Esta é uma grande chaga do mundo moderno, desumano. Além do tráfico humano há o caso da “imigração clandestina”, que burla a lei. Outra chaga que grassa em muitos lugares de nosso país é a do “trabalho escravo”, muitas crianças que são colocadas ilegalmente no mundo do trabalho ao invés de irem para a escola, recebendo migalhas por um serviço infantil. De outro lado há trabalhadores que não conseguem outro sustento a não ser se submetendo a um “emprego” com um pagamento quase que apenas suficiente para aplacar a fome. É a continuação disfarçada da antiga escravidão. No mundo que se ufana de ser “moderno”!

Ainda estamos longe de viver o que Cristo nos ensinou: “amai-vos uns aos outros”; “amar o próximo como a si mesmo”. Esta dura realidade mundial e brasileira mostra que somente quando o coração de cada homem for tocado pelo amor de Deus é que teremos de fato paz e fraternidade. Somente o toque da graça de Deus no coração humano poderá fazer com que o novo Caim não mate o irmão Abel, e ainda  pergunte: “O que tenho a ver com meu irmão?”. Somente quando a luz da fé brilhar no coração humano é que poderemos criar um mundo onde o homem não precise mais “implorar por seus direitos humanos”.

Prof. Felipe Aquino

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    Sobre Prof. Felipe Aquino

    O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
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