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    Cristeros 19/08

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  • Todas as religiões são equivalentes entre si?




    Revista:
    PERGUNTE E RESPONDEREMOS

    D. Estevão
    Bettencourt, osb
    A
    resposta á pergunta exige a distinção entre o as­pecto objetivo e o aspecto
    subjetivo da Religião. Objetivamente falando, não são todas as religiões
    equivalentes entre Si, pois ensinam Credos diferentes, com Códigos de Ética
    diferentes (reencarnação ou não, poli­gamia ou não, divórcio ou não…). A
    Igreja Católica é a única portadora da Revelação confiada por Deus aos homens.
    - Subjetivamente falando, pode-se dizer que o fiel de uma religião não católica
    poderá salvar-se nela, se a professar e vivenciar de coração sincero, julgando
    com certeza estar no caminho reto. Deus não pede mais do que aquilo que Ele
    revela e o coração do homem cândido e leal lhe pode dar.

    * * *

    Não é raro
    ouvir-se que todas as religiões são boas ou são equivalentes entre Si. Afirma-se
    que é preciso crer, … crer em alguma coisa, não importa em que coisa. O
    sentimento religioso seria um sentimento como a honestidade, a benevolência, o
    ser metódico…, sentimento que “cai bem” ou que faz bem à saúde. O
    aspecto subjetivo da religiosidade prevaleceria. Ademais toda religião prega os
    bons costumes e a edu­cação, de modo que não haveria por que preferir um a
    outro sistema religioso.

    É a esta
    temática que vamos dedicar a nossa atenção.

    Refletindo…

    O problema
    exige que distingamos o aspecto objetivo e o aspecto subjetivo da religião.

    1.
         Aspecto objetivo

    Não se pode
    dizer que todas as religiões são equivalentes entre Si, pois não coincidem
    entre si quanto ao Credo: algumas são politeístas (admitem vários deuses),
    outras são panteístas (identificam a Divindade, o mundo e o homem entre si),
    outras são monoteístas (professam um só Deus, distinto do mundo). Mesmo dentro
    de cada tronco há correntes e variantes… Ora a verdade é uma só, de modo que,
    objetivamente falan­do, haverá Credos verídicos (em grau pleno ou menos pleno)
    e Credos errôneos.

    Sem dúvida,
    o senso religioso nato é o mesmo em todos os ho­mens. Ele tem as mesmas
    expressões religiosas, independentemente do Credo que professam; por efeito de
    sua religiosidade natural, todos os homens rezam, dobram os joelhos,
    prostram-se por terra, levantam as mãos ao céu, e praticam as virtudes ditadas
    pela Ética natural: o senso religioso ensina a não matar, não roubar, não
    caluniar, não adulterar… Todavia, além dessa base natural comum a todas as
    religiões, cada reli­gião tem o seu Credo, seu culto e sua Moral própria; neste
    plano é que se dão as divergências: há quem creia na reencarnação e quem não a
    acei­te; há quem admita o divórcio, o aborto, o homossexualismo, a guerra santa,
    a poligamia… e há quem não os admita.

    Em
    conclusão: objetivamente falando, as religiões não são equivalentes entre si;
    não são igualmente verídicas, nem são igualmente boas.

    Os
    católicos, a bom título, dizem que só há uma religião revelada por Deus: a que
    culmina em Jesus Cristo
    e se prolonga através dos séculos no Corpo de Cristo que é a Igreja confiada
    por Jesus a Pedro e seus sucessores.

    É o que o
    Concílio do Vaticano II professa na Declaração Dignitatis Humanae n-0 1.

    Professa o
    Sacro Sínodo que o próprio Deus manifestou ao gêne­ro humano o caminho pelo
    qual os homens, servindo a Ele, pudessem salvar-se e tornar-se felizes em Cristo. Cremos que
    essa única verdadei­ra Religião subsiste na Igreja católica e apostólica, a quem
    o Senhor Jesus confiou a tarefa de difundi-la aos homens todos, quando disse
    aos Apóstolos: “Ide pois e ensinai os povos todos, batizando-os em nome do
    Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-lhes a guardar tudo quanto vos
    mandei” (Mt 28, 19-20). Por sua vez, estão os homens todos obriga­dos a
    procurar a verdade, sobretudo aquela que diz respeito a Deus e a Sua Igreja e,
    depois de conhecê-la, a abraçá-la e praticá-la)”.

    Na
    Constituição Lumen Gentium n°- 8 lê-se:

    “Esta
    é a única Igreja de Cristo, que no Símbolo professamos una, santa, católica e
    apostólica (12), e que o nosso Salvador, depois da sua Ressurreição, confiou a
    Pedro para que ele a apascentasse (Jo 21, 17), encarregando-o, assim como aos
    demais Apóstolos, de a difundirem e de a governarem (cf. Mt 28, 18s),
    levantando-a para sempre como “coluna e esteio da verdade” (1 Tm 3,
    15). Esta Igreja, como sociedade constituída e organizada neste mundo, subsiste
    na Igreja Católica, governada pelo sucessor de Pedro e pelos Bispos em comunhão
    com ele, ainda que fora do seu corpo se encontrem realmente vários elementos de
    santificação e de verdade, elementos que, na sua qualidade de dons próprios da
    Igreja de

    Cristo,
    conduzem para a unidade católica”.

    2. Aspecto
    subjetivo

    É fato que
    nem todos os homens chegam ao conhecimento do Evangelho tal como Jesus Cristo o
    pregou e continua a pregar na sua Igreja; não tem culpa disto. Todavia tem
    coração reto e sincero ao seguir uma filosofia religiosa diferente do
    Catolicismo: não duvidam de que es­tão professando a verdade e a ela devem
    obedecer, mesmo praticando a poligamia ou crendo que a reencarnação divide os
    homens em castas diferentes, que tem que sofrer (uns) ou ser inclementes
    (outros). A tais pessoas Deus não pedirá contas do que não tiver revelado ou do
    que tiverem ignorado sem culpa própria. Poderão salvar-se não pelo falso Credo
    que professam, mas pela boa fé ou sinceridade cândida com que o professam. E o
    que declara a Constituição Lumen Gentium nº  16:

    “Aqueles
    que ignoram sem culpa o Evangelho de Cristo e sua Igre­ja, mas buscam a Deus na
    sinceridade do coração, e se esforçam, sob a ação da graça, por cumprir na vida
    a sua vontade, conhecida através dos ditames da consciência, também esses podem
    alcançar a salvação eter­na. Nem a Divina Providência nega os meios necessários
    para a salvação aqueles que, sem culpa, ainda não chegaram ao conhecimento ex­plícito
    de Deus, mas procuram com a graça divina viver retamente. De fato, tudo o que
    neles há de bom e de verdadeiro, considera-o a Igreja como preparação
    evangélica e dom daquele que ilumina todo homem para que afinal venha a ter
    vida”.

    Ou ainda a
    Constituição Gaudium et Spes nº  22:

    Tendo
    Cristo morrido por todos e sendo uma só a vocação última do homem, isto é,
    divina, devemos admitir que o Espírito Santo oferece a todos a possibilidade de
    se associarem, de modo conhecido por Deus, a este mistério pascal)”.

    Assim, de
    um lado, fica excluído todo relativismo religioso – 0 que seria relativizar a
    verdade. Doutro lado, fica excluído também todo fanatismo cego, que não leva em
    conta a inocência ou a candura de quem, sem culpa própria, não adere à verdade,
    mas se esforça por cumprir o que o único Deus lhe revela através dos ditames da
    consciência reta e sincera. Deve-se acrescentar que quem se salva fora da
    Igreja visível, salva-se por Cristo e pela Igreja Católica, mesmo que não
    conheça Cris­to e a Igreja. Não há outro caminho de salvação senão Jesus Cristo
    e seu Corpo Místico.

     

     

     

     

     

     


    Prof. Felipe Aquino

    assessoria@cleofas.com.br

    O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.