Só Jesus nos dá água viva!

Uma meditação sobre o encontro de Jesus com a samaritana…

Era meio dia. Jesus caminhava da Judeia para a Galileia e passava pela Samaria. Cansado e com sede, parou no poço de Jacó e ali encontrou uma pobre samaritana pecadora. Os samaritanos eram inimigos históricos dos judeus e não falavam com eles. Mas Jesus pede àquela mulher que lhe dê um pouco d’água. Ela estranha: – Você é judeu!

Em troca Jesus lhe oferece uma “água viva”, que quem bebe “não terá mais sede”: “Se conhecesses o dom de Deus, e quem é que te diz: Dá-me de beber, certamente lhe pedirias tu mesma e ele te daria uma água viva” (João 4,10). “O que beber da água que eu lhe der jamais terá sede. Mas a água que eu lhe der virá a ser nele fonte de água, que jorrará até a vida eterna”.

A mulher não entende e pensa que é uma água especial, e quer saber mais: “Senhor, dá-me desta água, para eu já não ter sede nem vir aqui tirá-la!”. Então Jesus manda que ela chame seu marido. Ela lhe revela que não tem marido; e Jesus confirma: “Tens razão em dizer que não tens marido. Tiveste cinco maridos, e o que agora tens não é teu. Nisto disseste a verdade”.

Jesus mostra a ela o seu estado de vida, mas não a condena, apenas faz ela meditar nisso, deixa que a sua consciência a esclareça. Que delicadeza! Que respeito!

Aquela mulher, certamente destruída na sua vida afetiva, marcada por muitos sofrimentos, reconhece que está diante de um profeta: “Senhor, disse-lhe a mulher, vejo que és profeta!…”

Amigavelmente, caridosamente, Jesus continua uma longa conversa com ela, abrindo-lhe o coração para Deus: Respondeu a mulher e chega até o Messias: “Sei que deve vir o Messias (que se chama Cristo); quando, pois, vier, ele nos fará conhecer todas as coisas”. Então, Jesus se revela: “Sou eu, quem fala contigo”.

Neste momento chegaram os discípulos que tinham ido a Sicar comprar alimentos, e “maravilharam-se de que estivesse falando com uma mulher”; e lhe pediam: “Mestre, come”. Mas ele lhes dá uma lição que terão de viver mais tarde, disse: “Tenho um alimento para comer que vós não conheceis. Meu alimento é fazer a vontade daquele que me enviou e cumprir a sua obra”.

Leia também: A água viva do Espírito Santo

Papa Francisco exorta a saciar a sede com a “água viva” da Palavra de Jesus

Nunca desanimar na luta contra o pecado: sempre é tempo de conversão!

O amor de Jesus para com as mulheres

A conversão sempre é possível

O alimento de Jesus é salvar almas, por isso Ele se esquece da fome de pão para dar àquela pobre mulher a água da vida eterna.

Enquanto isso a mulher foi à cidade e disse aos homens: “Vinde e vede um homem que me contou tudo o que tenho feito. Não seria ele, porventura, o Cristo?” Eles saíram da cidade e vieram ter com Jesus. E o evangelista São João, que assistiu tudo e narrou o fato, disse que: “Muitos foram os samaritanos daquela cidade que creram nele por causa da palavra da mulher, que lhes declarara: Ele me disse tudo quanto tenho feito. Assim, quando os samaritanos foram ter com ele, pediram que ficasse com eles. Ele permaneceu ali dois dias. Ainda muitos outros creram nele por causa das suas palavras. E diziam à mulher: Já não é por causa da tua declaração que cremos, mas nós mesmos ouvimos e sabemos ser este verdadeiramente o Salvador do mundo” (João 4,1-41).

É impressionante como através de uma pobre mulher, considerada pecadora, Jesus converte uma cidade. É o milagre do amor de Deus, que não exclui ninguém, mas tem predileção pelos destruídos pelo pecado. “Eu não vim para os sãos, mas para os doentes”.

Me parece que aquela mulher foi buscar água ao meio dia, na pior hora do calor, talvez para não ser vista por outros. Talvez tivesse vergonha de se encontrar com outras pessoas que a criticassem… Mas, nesta hora Jesus a esperava. Ele marca um encontro com cada pecador no momento oportuno. E na sede do meio dia Ele o sacia com a água da vida, que jorra para a vida eterna.

Ouça também: Querigma: A importância da conversão

Jesus fez a água da vida brotar no seio daquela pobre mulher, para que ela a levasse aos homens de Sicar. Não será isso que Ele quer fazer também conosco? Levar aos outros a água da salvação!

Mais tarde, em Jerusalém, no último dia da Festa dos Tabernaculos, que é o principal dia daquela grande festa, Jesus de pé disse em voz alta:

“Se alguém tiver sede, venha a mim e beba. Quem crê em mim, como diz a Escritura: Do seu interior manarão rios de água viva (Zc 14,8; Is 58,11). Dizia isso, referindo-se ao Espírito que haviam de receber os que cressem nele, pois ainda não fora dado o Espírito, visto que Jesus ainda não tinha sido glorificado” (João 7,37-39).

É Jesus quem nos dá essa Água Viva, o Espírito Santo, que santifica a nossa vida, e nos faz feliz. O mundo está repleto de águas poluídas, que não matam a sede e ainda nos envenenam, e muitos são enganados. Deus precisa de homens e mulheres dispostos a levar esta água a todos.

Deus disse pela boca de Jeremias: “Porque meu povo cometeu uma dupla perversidade: abandonou-me a Mim, fonte de água viva, para cavar cisternas fendidas que não retém a água” (Jer 2, 13).

Não podemos nos deixar enganar, só Jesus pode nos dar a água viva, o Espírito Santo, que traz a nós seus dons (sabedoria, ciência, inteligência, conselho, fortaleza, piedade, temor de Deus) e seus frutos (paz, amor, alegria, bondade, mansidão, paciência, autocontrole… Gal 5,22). E nós devemos levá-la aos outros.

Prof. Felipe Aquino

Compartilhe!

    Sobre Prof. Felipe Aquino

    O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
    Adicionar a favoritos link permanente.