Silêncio e solidão são essenciais para encontrar a Deus, recorda o Papa

VATICANO, 10 Out. 11 / 02:21 pm (ACI/EWTN Noticias) Ao celebrar as Vésperas na cartuxa dos Santos Estevão e Bruno ontem pela tarde na região da Calábria (Itália), o Papa Bento XVI assinalou que quando o homem se retira ao silêncio e a solidão, é capaz de encontrar-se com o mais essencial da vida, com Deus.

Em sua homilia das Vésperas que presidiu, o Santo Padre ressaltou o núcleo da vida da cartuxa: “o forte desejo de entrar em união de vida com Deus abandonando todo o resto, tudo o que impede esta comunhão, deixando-se aferrar pelo imenso amor de Deus para viver só deste amor”, mediante a solidão e o silêncio.

O Papa afirmou logo que o progresso técnico tem feito a vida do homem mais cômoda, mas também “mais agitada, às vezes convulsa”. O desenvolvimento dos meios de comunicação faz que hoje se corra o risco de que o virtual domine sobre o real.

“Cada vez mais, inclusive sem perceber, as pessoas estão imersas em uma dimensão virtual, por causa das mensagens áudio-visuais que acompanham sua vida da manhã até a noite. Os mais jovens, que nasceram já nesta condição, parecem querer encher de música e de imagens cada momento vazio, quase por medo a sentir, precisamente, este vazio. (.) Algumas pessoas já não são capazes de permanecer longo tempo em silêncio e solidão”.

Esta condição sociocultural “ressalta o carisma específico da Cartuxa como um dom precioso para a Igreja e para o mundo, um dom que contém uma mensagem profunda para nossa vida e para toda a humanidade”.

“Eu o resumiria assim: retirando-se no silêncio e na solidão, o homem, por assim dizer, expõe-se’ a esse aparente ‘vazio’ ao que aludia antes, para experimentar em troca a Plenitude, a presença de Deus, da Realidade mais real que há”.

O monge, prosseguiu o Santo Padre, “abandonando tudo (.), expõe-se à solidão e ao silêncio para não viver de outra coisa que do essencial, e precisamente vivendo do essencial encontra também uma profunda comunhão com os irmãos, com cada homem”.

Esta vocação “acha resposta em um caminho, na busca de toda uma vida. (.) Chegar a ser monge requer tempo, exercício, paciência (.) Mas nisto consiste a beleza de toda vocação na Igreja: em dar tempo a Deus para que atue com seu Espírito, e à própria humanidade para formar-se, para crescer segundo a medida da maturidade de Cristo, em um particular estado de vida”.

“Em Cristo está o tudo, a plenitude; nós temos necessidade de tempo para fazer nossa uma das dimensões de seu mistério. (.) Às vezes, aos olhos do mundo, parece impossível permanecer durante toda a vida em um monastério, mas em realidade toda uma vida é apenas suficiente para entrar nesta união com Deus, nessa Realidade essencial e profunda que é Jesus Cristo”.

Finalmente o Papa Bento XVI sublinhou que “a Igreja tem necessidade de vós, e vós necessitais da Igreja. Também vós, que viveis em um isolamento voluntário, estão em realidade no coração da Igreja, e fazem correr por suas veias o sangue puro da contemplação e do amor de Deus”.

Terminada a celebração das Vésperas, o Santo Padre manteve um encontro com a comunidade dos cartuxos no refeitório, assinou o Livro de Ouro dos visitantes ilustres, e visitou logo uma cela e a enfermaria da cartuxa. Mais tarde, retornou ao aeroporto de Lamezia Terme, de onde voltou para Roma.

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    Sobre Prof. Felipe Aquino

    O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
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