Sexualidade Humana: Verdade e Significado – Parte 5

3. A adolescência no projeto de vida

98. A adolescência representa, no
desenvolvimento do indivíduo, o período do projecto de si e portanto da
descoberta da própria vocação: tal período tende a ser hoje – seja por razões
fisiológicas seja por motivos socio-culturais – mais prolongado no tempo que no
passado. Os pais cristãos devem « formar os filhos para a vida, de modo que
cada um realize plenamente o seu dever segundo a vocação recebida de Deus ».25
Trata-se de um empenho de suma importância, que constitui, em definitivo, o
ponto mais alto da sua missão de pais. Se isto é sempre importante, torna-se particularmente
importante neste período da vida dos filhos: « Na vida de cada fiel leigo há,
pois, momentos particularmente significativos e decisivos para discernir o
chamamento de Deus:… entre esses momentos estão os da adolescência e da
juventude ».26

99. É muito
importante que os jovens se não encontrem sós ao discernir a sua vocação
pessoal. São relevantes, e por vezes decisivos, os conselhos dos pais e o apoio
de um sacerdote ou de outras pessoas convenientemente formadas – nas paróquias,
nas associações e nos novos e fecundos movimentos eclesiais, etc. – que sejam
capazes de os ajudar a descobrir o sentido vocacional da existência e as várias
formas do chamamento universal à santidade, visto que o « segue-me de Cristo se
pode escutar ao longo de uma diversidade de caminhos, no meio dos quais seguem
os discípulos e as testemunhas do Redentor ».27

100.
Durante séculos, o conceito de vocação foi reservado exclusivamente ao
sacerdócio ou à vida religiosa. O Concílio Vaticano II, recordando o
ensinamento do Senhor – « sede portanto perfeitos como é perfeito o vosso Pai
celeste » (Mt 5, 48) – renovou o apelo universal à santidade:28 « Este forte
convite à santidade – escreveu pouco depois Paulo VI – pode ser considerado
como o elemento mais característico de todo o magistério conciliar e, por assim
dizer, o seu fim último »;29 e acrescenta João Paulo II: « Sobre a vocação
universal à santidade o Concílio Vaticano II teve palavras sobremaneira
luminosas. Pode dizer-se que foi precisamente esta a primeira incumbência
confiada a todos os filhos e filhas da Igreja por um Concílio que se quis para
a renovação evangélica da vida cristã.30 Esta mensagem não é uma simples
exortação moral, mas antes uma exigência insuprível do mistério da Igreja ».31

Deus chama
à santidade todas as pessoas humanas e, para cada uma delas, tem planos bem
precisos: uma vocação pessoal que cada uma deve reconhecer, acolher e
desenvolver. A todos os cristãos – sacerdotes e leigos, casados ou solteiros –
se aplicam as palavras do Apóstolo dos gentios: « Eleitos de Deus, santos e
amados » (Col 3, 12).

101. É por
isso necessário que nunca falte na catequese e na formação conferida dentro e
fora da família, não só o ensinamento da Igreja sobre o valor excelso da
virgindade e do celibato,32 mas também sobre o sentido da vocação ao
matrimónio, que nunca pode ser considerado por um cristão somente como aventura
humana: « Grande sacramento em Cristo e na Igreja », diz S. Paulo (Ef 5, 32).
Dar aos jovens esta firme convicção, de alcance transcendental para o bem da
Igreja e da humanidade, « depende em grande parte dos pais e da vida familiar
que constroem na sua própria casa ».33

102. Os
pais devem sempre esforçar-se por dar exemplo e testemunho, com a própria vida,
da fidelidade de Deus e da fidelidade de um ao outro na aliança conjugal. Mas o
seu exemplo é particularmente decisivo na adolescência, período em que os
jovens procuram modelos vividos e atraentes de comportamento. Como neste tempo
os problemas sexuais se tornam frequentemente mais evidentes, os pais devem
também ajudá-los a amar a beleza e a força da castidade, com conselhos
prudentes, pondo em destaque o valor inestimável que, para a viver, possuem a
oração e a recepção frequente e frutuosa dos sacramentos, em particular a
confissão pessoal. Devem, além disso ser capazes de dar aos seus filhos,
segundo as necessidades, uma explicação positiva e serena sobre os pontos
firmes da moral cristã como, por exemplo, a indissolubilidade do matrimónio e a
relação entre amor e procriação, assim como sobre a imoralidade das relações
pré-matrimoniais, do aborto, da contracepção e da masturbação. Acerca destas
últimas realidades imorais, que contradizem o significado da doação conjugal, é
necessário recordar ainda que « as duas dimensões da união conjugal, a unitiva
e a procriativa, não podem ser separadas artificialmente sem atentar contra a
verdade íntima do próprio acto conjugal ».34 Acêrca disto, será para os pais
uma ajuda preciosa o conhecimento aprofundado e meditado dos documentos da
Igreja que tratam destes problemas.35

103. Em
particular, a masturbação constitui uma desordem grave, ilícita em si mesma,
que não pode ser moralmente justificada, mesmo se « a imaturidade da
adolescência, que pode algumas vezes prolongar-se para além desta idade, o desiquilíbrio
físico, ou um hábito contraído possam influir no comportamento, atenuando o
carácter deliberado do acto, e fazer com que, subjectivamente, não seja sempre
culpa grave ».36 Os adolescentes sejam portanto ajudados a superar tais
manifestações de desordem que são frequentemente expressão dos conflitos
internos e da idade e não raramente de uma visão egoísta da sexualidade.

104. Uma
problemática particular, que se pode manifestar no processo de
maturação-identificação sexual, é a da homossexualidade, que, aliás, se difunde
cada vez mais nas culturas urbanas. É necessário que este fenómeno seja
apresentado com equilíbrio de juízo, à luz dos documentos da Igreja.37 Os
jovens precisam de ser ajudados a distinguir os conceitos de normalidade e de
anomalia, de culpa sugestiva e de desordem objectiva, evitando induzir
hostilidade e, por outro lado, esclarecendo bem a orientação estrutural e
complementar da sexualidade em relação à realidade do matrimónio, da procriação
e da castidade cristã. « A homossexualidade designa as relações entre homens ou
mulheres que experimentam uma atracção sexual exclusiva ou predominante para
com pessoas do mesmo sexo. Reveste formas muito variadas, através dos séculos e
das diferentes culturas. A sua génese psíquica continua em grande parte por
explicar ».38 É preciso distinguir a tendência, que pode ser inata, e os actos
de homossexualidade que « são intrinsecamente desordenados »39 e contrários à
lei natural.40

Muitos
casos, especialmente quando a prática de actos homossexuais não se estruturou,
podem ser ajudados positivamente por meio de uma terapia apropriada. De
qualquer maneira, as pessoas que estão nesta condição devem ser acolhidas com
respeito, dignidade e delicadeza, evitando todas as formas de injusta
discriminação. Os pais, por seu lado, no caso de advertirem nos filhos, em
idade infantil ou adolescente, o aparecimento de tal tendência ou dos
comportamentos com ela relacionados, façam-se ajudar por pessoas especializadas
e qualificadas para darem todo o auxílio possível.

Para a
maior parte das pessoas homossexuais, tal condição constitui uma prova. « Por
isso devem ser acolhidas com respeito, compaixão e delicadeza. Evitar-se-á em
relação a elas qualquer sinal de discriminação injusta. Estas pessoas são
chamadas a realizar, na sua vida, a vontade de Deus e, se são cristãs, a unir
ao sacrifício da cruz do Senhor as dificuldades que podem encontrar devido à
sua condição ».41 « As pessoas homossexuais são chamadas à castidade ».42

105. O
conhecimento do significado positivo da sexualidade, em ordem à harmonia e ao
desenvolvimento da pessoa, assim como em relação à vocação da pessoa na
família, na sociedade e na Igreja, representa sempre o horizonte educativo a
propor nas etapes de desenvolvimento da adolescência. Nunca se deve esquecer
que a desordem no uso do sexo tende a destruir progressivamente a capacidade de
amar da pessoa, fazendo do prazer – em lugar do dom sincero de si – o fim da
sexualidade e reduzindo as outras pessoas a objectos da própria gratificação:
assim isto debilita seja o sentido do verdadeiro amor entre o homem e a mulher
– sempre aberto à vida – seja a própria família e induz sucessivamente ao
desprezo pela vida humana que poderia ser concebida, considerada então como um
mal que ameaça, em certas situações, o prazer pessoal.43 « A banalização da
sexualidade », com efeito, « conta-se entre os principais factores que estão na
origem do desprezo pela vida nascente: só um amor verdadeiro sabe defender a
vida ».44

106. É
preciso também recordar como nas sociedades industrializadas os adolescentes
estão interiormente interessados, e algumas vezes perturbados, não só por causa
dos problemas da identificação de si, da descoberta do seu plano de vida, e
pelas dificuldades de conseguir uma integração da sexualidade numa
personalidade madura e bem orientada, mas também pelos problemas da aceitação
de si e do seu próprio corpo. Surgem hoje ambulatórios e centros especializados
para a adolescência, muitas vezes caracterizados por intensões puramente
hedonísticas. Uma sã cultura do corpo, que leve à aceitação de si mesmo como
dom e como incarnação de um espírito chamado à abertura para Deus e para a
sociedade, deverá acompanhar a formação neste período altamente construtivo,
mas também não privado de riscos.

Diante das
propostas de agregação hedonística que sejam feitas, especialmente nas
sociedades do bem-estar, é sumamente importante apresentar aos jovens os ideias
da solidariedade humana e cristã e as modalidades concretas de empenho nas
associações e nos movimentos eclesiais e no voluntariado católico e
missionário.

107. Neste
período são muito importantes as amizades. Segundo as condições e os usos
sociais do lugar em que se vive, a adolescência é um período em que os jovens
gozam de mais autonomia nos relacionamentos com os outros e nos horários da
vida de família. Sem lhes tirar uma justa autonomia, os pais devem saber dizer
não aos filhos quando é necessário45 e ao mesmo tempo cultivar nos filhos o
gosto por aquilo que é belo, nobre e verdadeiro. Devem também ser sensíveis à
autoestima do adolescente, que pode atravessar uma fase de confusão e de menor
clareza sobre o sentido da dignidade pessoal e das suas exigências.

108.
Através de conselhos ditados pelo amor e pela paciência, os pais ajudem os
jovens a afastar-se de um excessivo fechamento sobre si mesmos e ensinem-nos –
quando for necessário – a ir contra os hábitos sociais tendentes a sufocar o
verdadeiro amor e o apreço pelas realidades do espírito: « Sede sóbrios e
vigiai! O diabo, vosso adversário, anda ao redor de vós como leão que ruge,
buscando a quem devorar. Resisti-lhe firmes na fé, sabendo que os vossos
irmãos, que estão espalhados pelo mundo, sofrem as mesmas aflições. O Deus de
toda a graça, que vos chamou em
Jesus Cristo à Sua eterna glória, depois de terdes padecido
um pouco, vos aperfeiçoará, vos tornará inabaláveis e vos fortificará » (1 Ped 5,
8-10).

4. A caminho da idade adulta

109. Não é
intensão deste documento falar sobre a preparação próxima e imediata para o
matrimónio, exigência da formação cristã, particularmente recomendada pela
necessidade nosso tempo e recordada pela Igreja.46 Todavia, deve-se ter
presente que a missão dos pais não cessa quando o filho chega à maioridade,
facto que, por outro lado, varia segundo as diversas culturas e legislações.
Momentos particulares e significativos para os jovens são também o momento da
sua entrada no mundo do trabalho ou da escola superior, em que eles entram em
contacto – às vezes brusco, mas que se pode tornar benéfico – com modelos
diversos de comportamento e com ocasiões que representam um verdadeiro desafio.

110. Os
pais, mantendo aberto um diálogo confiante e capaz de promover o sentido de
responsabilidade no respeito da legítima e necessária autonomia, constituem
sempre um ponto de referência para os filhos, seja com o conselho seja com o
exemplo, a fim de que o processo de ampla socialização lhes permita chegarem a
uma personalidade madura e integrada interior e socialmente. De modo
particular, deve-se ter cuidado de que os filhos não cessem, antes
intensifiquem, o contacto de fé com a Igreja e com as actividades eclesiais;
que saibam escolher mestres de pensamento e de vida para o seu futuro; e que
sejam também capazes de empenhar-se no campo cultural e social como cristãos,
sem medo de professar-se tais e sem perder o sentido e a busca da sua vocação.

No período
que precede o noivado e a escolha daquele afecto preferencial que pode levar à
formação de uma família, o papel dos pais não deverá concretizar-se em simples
proibições e ainda menos na imposição da escolha do noivo ou da noiva mas,
antes, deverão ajudar os filhos a definir as condições que são necessárias para
que possa existir um vínculo sério, honesto e prometedor, e também apoiá-los no
caminho de um claro testemunho de coerência cristã no contacto com a pessoa do
outro sexo.

111.
Deverão evitar ceder à mentalidade difusa segundo a qual às filhas se devem
fazer todas as recomendações sobre a virtude e sobre o valor da virgindade,
enquanto para os filhos isso não seria necessário, como se para eles tudo fosse
lícito.

Para uma
consciência cristã e para uma visão do matrimónio e da família, em ordem a
qualquer tipo de vocação, vale a recomendação de S. Paulo aos Filipenses: «
Tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, justo, puro, amável, de boa
fama, tudo o que é virtuoso e louvável, é o que deveis ter em mente » (Fil 4,
8).

VII –
ORIENTAÇÕES PRÁTICAS

112. É
portanto dever dos pais, no que se refere à educação das virtudes, serem
promotores de uma autêntica educação dos seus filhos para o amor: à geração primária
duma vida humana no acto procriativo deve seguir-se, pela sua própria natureza,
a geração secundária, que leva os pais a ajudar o filho no desenvolvimento da
sua personalidade.

Por isso,
retomando sinteticamente o que dissemos até aqui, e colocando-o num plano
operativo, recomenda-se o que é dito nos parágrafos seguintes.1

Recomendações
aos pais e aos educadores

113. Recomenda-se
aos pais que sejam conscientes do seu papel educativo e defendam e exerçam este
direito-dever primário.2 Daqui se segue que qualquer intervenção educativa,
mesmo relativa à educação para o amor, por obra de pessoas estranhas à família,
deve ser subordinada à aceitação por parte dos pais e deva assumir a forma não
de uma substituição, mas de um apoio à intervenção deles: de facto, « a
educação sexual, direito e dever fundamental dos pais, deve actuar-se sempre
sob a sua solícita guia, quer em casa quer nos centros educativos escolhidos e
controlados por eles ».3 Não faltam frequentemente nem conhecimento nem esforço
da parte dos pais. Eles, porém, estão demasiado sós, indefesos e, por vezes,
culpabilizados. Têm necessidade não só de compreensão, mas de apoio e de ajuda
por parte dos grupos, associações e instituições.

1.
Recomendações aos pais

114. 1.
Recomenda-se aos pais associar-se com outros pais, não só com o fim de
proteger, manter ou completar o seu papel de educadores primários dos filhos,
especialmente na área da educação para o amor,4 mas também para se oporem a
formas perniciosas de educação sexual e para garantirem que os filhos sejam
educados segundo os princípios cristãos e em consonância com o seu
desenvolvimento pessoal.

115. 2. No
caso de os pais serem assistidos por outros na educação dos seus filhos para o
amor, recomenda-se que eles sejam informados exactamente sobre os conteúdos e
sobre a modalidade com que é conferida tal educação suplementar.5 Ninguém pode
obrigar as crianças e os jovens ao segredo acerca do conteúdo ou do método da
instrução dada fora da família.

116. 3.
Conhece-se a dificuldade e muitas vezes a impossibilidade, da parte dos pais,
de participar plenamente em cada instrução suplementar fornecida fora de casa;
todavia, revendica-se o seu direito de estar ao corrente da estrutura e dos
conteúdos do programa. Em todo o caso não lhes poderá ser negado o direito de
estarem presentes durante o desenrolar dos encontros.6

117. 4.
Recomenda-se aos pais seguirem com atenção toda a forma de educação sexual que
seja dada aos seus filhos fora de casa, retirando-os sempre que esta não corresponda
aos seus princípios.7 Esta decisão dos pais não deve, porém, ser motivo de
descriminação para os filhos.8 Por outro lado, os pais que tirarem os filhos de
tal instrução têm o dever de lhes dar uma adequada formação, apropriada à fase
de desenvolvimento de cada criança ou jovem.

2.
Recomendações a todos os educadores

118. 1.
Desde o momento em que cada criança ou jovem deve poder viver a sua sexualidade
de maneira conforme aos princípios cristãos, e portanto exercitando também a
virtude da castidade, nenhum educador – nem mesmo os pais – pode interferir com
tal direito (cf. Mt 18, 4-7).9

119. 2.
Recomenda-se que se respeite o direito da criança e do jovem de ser informado
de modo adequado pelos seus pais acerca das questões morais e sexuais de tal forma
que seja auxiliado no seu desejo de ser casto e formado para a castidade.10 Tal
direito é ulteriormente qualificado pela fase de desenvolvimento da criança,
pela sua capacidade de integrar a verdade moral com a informação sexual e pelo
respeito pela sua inocência e tranquilidade.

120. 3.
Recomenda-se que se respeite o direito da criança ou do jovem de se retirar de
qualquer forma de instrução sexual conferida fora de casa.11 Por tal decisão,
nem eles nem outros membros da família serão penalizados ou discriminados.

Quatro
princípios operativos e as suas normas particulares

121. À luz
destas recomendações, a educação para o amor pode concretizar-se em quatro princípios
operativos.

122. 1. A sexualidade humana é um
mistério sagrado que deve ser apresentado segundo o ensinamento doutrinal e
moral da Igreja, tendo sempre em conta os efeitos do pecado original.

Informado
pela reverência e pelo realismo cristão, este princípio doutrinal deve guiar
cada momento da educação para o amor. Numa época em que se suprimiu o mistério
da sexualidade humana, os pais devem estar atentos, no seu ensino e na ajuda
oferecida por outros, em evitar a banalização da sexualidade humana. Em
particular, deve-se conservar o respeito profundo pela diferença entre homem e
mulher que reflecte o amor e a fecundidade do próprio Deus.

123. Ao
mesmo tempo, no ensinamento da doutrina e da moral católica acêrca da
sexualidade, devem-se ter em conta os efeitos duráveis do pecado original, isto
é, a debilidade humana e a necessidade da graça de Deus para superar as
tentações e evitar o pecado. A esse respeito, deve-se formar a consciência de
todo o indivíduo de modo claro, preciso e em sintonia com os valores
espirituais. A moral católica, porém, nunca se limita a ensinar como evitar o
pecado; trata também do crescimento nas virtudes cristãs e do desenvolvimento
da capacidade de se dar a si mesmo, na vocação da própria vida.

124. 2.
Devem ser apresentadas às crianças e aos jovens somente informações
proporcionadas a cada fase do seu desenvolvimento individual.

Este princípio
de tempestividade já esteve presente no estudo das diversas fases do
desenvolvimento das crianças e dos jovens. Os pais e todos aqueles que os
ajudam devem ser sensíveis: a) às diversas fases de desenvolvimento, em
particular aos « anos da inocência » e à puberdade; b) ao modo como cada
criança ou jovem experimenta as diversas etapes da vida; c) aos problemas
particulares associados a estas etapes.

125. À luz
deste princípio, pode-se indicar também a relevância da tempestividade em
relação aos problemas específicos.

a) Na
adolescência tardia, os jovens devem ser introduzidos primeiramente no
conhecimento dos indícios de fertilidade e depois na regulação natural da
fertilidade, mas só no contexto da educação para o amor, da fidelidade
matrimonial, do plano de Deus para a procriação e para o respeito da vida
humana.

b) A
homosexualidade não deve ser discutida antes da adolescência a menos que surja
qualquer grave problema específico numa situação particular.12 Este argumento
deve ser apresentado só nos termos da castidade, da saúde e « da verdade sobre
a sexualidade humana no seu relacionamento com a família, como ensina a Igreja
».13

c) As
perversões sexuais, que são relativamente raras, não devem ser tratadas se não
através de conselhos individuais, que sejam a resposta dos pais a problemas
verdadeiros.

126. 3.
Nenhum material de natureza erótica deve ser apresentado a crianças ou a jovens
de qualquer idade, individualmente ou em grupo.

Este princípio
da decência deve salvaguardar a virtude da castidade cristã. Por isso, ao
comunicar a informação sexual no contexto da educação para o amor, a instrução
deve ser sempre « positiva e prudente »14 e « clara e delicada ».15 Estas
quatro palavras, usadas pela Igreja Católica, excluem qualquer forma de
conteúdo inaceitável da educação sexual.16

Além disso,
representações gráficas e realistas do parto, por exemplo, num filme, mesmo sem
serem eróticas, devem ser levadas à consciência de maneira gradual, para não
criarem medo e atitudes negativas em relação à procriação nas meninas e nas
jovens.

127. 4.
Nunca ninguém deve ser convidado, tanto menos obrigado, a agir de qualquer modo
que possa ofender objectivamente a modéstia ou que, subjectivamente, possa
lezar a sua delicadeza ou sentido de « privacidade ».

Tal princípio
de respeito pela criança exclue todas as formas impróprias de envolvimento das
crianças e dos jovens. A esse respeito podem-se excluir, entre outros, os
seguintes métodos abusivos da educação sexual: a) toda a representação « dramatizada
», mímica ou « papéis », que descrevam questões genitais ou eróticas, b) a
realização de imagens, tabelas, modelos, etc. deste género, c) o pedido de dar
informações pessoais sobre questões sexuais17 ou de divulgar informações
familiares, d) os exames, orais ou escritos, sobre questões genitais ou
eróticas.

Os métodos
particulares

128. Estes
princípios e estas normas podem acompanhar os pais, e todos aqueles que os
ajudam, quando adoptam os diversos métodos que parecem ser idóneos à luz da
experiência dos pais e dos peritos. Passaremos agora a designar estes métodos
recomendados e, além disso, indicaremos também os principais métodos a evitar,
juntamente com as ideologias que os promovem e inspiram.

a) Métodos
recomendados

129. O
método normal e fundamental, já proposto por este guia, é o diálogo pessoal
entre os pais e os filhos, isto é, a formação individual no âmbito da família.
Não se pode, de facto, substituir o diálogo confiante e aberto com os filhos, o
qual respeita não só as etapes do desenvolvimento, mas também a jovem pessoa
como indivíduo. Quando, porém, os pais pedem ajuda a outros, há diversos
métodos úteis que poderão ser recomendados à luz da experiência dos pais e em
conformidade com a prudência cristã.

130. 1.
Como casal, ou como indivíduos, os pais podem encontrar-se com outros que
estejam preparados na educação para o amor para beneficiar da sua experiência e
competência. Estes, então, podem explicar e fornecer-lhes livros e outros
recursos aprovados pela autoridade eclesiástica.

131. 2. Os
pais, nem sempre preparados para enfrentar problemáticas ligadas à educação
para o amor, podem participar com os seus filhos em reuniões orientadas por
pessoas especializadas e dignas de confiança como, por exemplo, médicos,
sacerdotes, educadores. Por motivos de maior liberdade de expressão, em alguns
casos, parecem preferíveis reuniões só com filhos ou só com filhas.

132. 3. Em
certas situações, os pais podem confiar uma parte da educação para o amor a uma
outra pessoa de confiança, se houver questões que requeiram uma competência
específica ou cuidado pastoral em casos particulares.

133. 4. A catequese sobre a moral
pode ser dada por outras pessoas de confiança, com particular atenção à ética
sexual durante a puberdade e a adolescência. Os pais devem interessar-se pela
catequese moral que se dá aos seus filhos fora de casa e utilizá-la como apoio
para o trabalho educativo; tal catequese não deve incluir os aspectos mais
íntimos, biológicos ou afectivos, da informação sexual, que pertencem à formação
individual em família.18

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    Sobre Prof. Felipe Aquino

    O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
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