Sexo virtual, carências e consequências

O sexo virtual começou pelo uso do telefone há bastante tempo; algumas agências até se especializaram em oferecer esse tipo de atividade com moças e rapazes “de programa” contratados para isso. Foram os famosos “Teles”: telefantasia, tele-erótico, telessexy, enfim… telepecado.

É incrível a capacidade do ser humano para descobrir novas formas de satisfazer a sede de prazer dos baixos instintos. Seduzido pelo “anjo das trevas” ele se deixa levar e põe os mais sofisticados recursos da inteligência e da técnica a serviço do mal; isto é, daquilo que ofende a dignidade da criatura e atenta contra o Criador.

No entanto, a Internet superou tudo isso; primeiro por causa da privacidade, comodidade e forma anônima com que oferece a fantasia, segundo porque é barata e cômoda. Nunca vi o sexto Mandamento tão violado e Deus tão ofendido como na internet. Nunca se viu tanta permissividade moral invadir os nossos lares! Nunca foi tão avassaladora a onda de lama a nos atingir. O Criador é ofendido e desprezado pela criatura mais bela que ele criou à sua “imagem e semelhança”, para ser a sua maior glória na face da terra.

A luxúria de Sodoma e Gomorra, e também da antiga Pompeia consumida pelo Vesúvio, se globalizaram pela internet. Um meio de comunicação tão útil e prático jamais poderia, por razões éticas e morais, ser transformado em instrumento de promiscuidade moral. A nossa sociedade vive o neopaganismo; o Evangelho, que até alguns anos atrás era a referencia para o comportamento da sociedade, não passa agora de letra morta para muitos.

Definitivamente eliminou-se o “temor de Deus” no meio da sociedade que se torna mais individualista, narcisista, hedonista, pecadora. O ateísmo que se vive hoje é m ateísmo prático, selvagem, não mais filosófico. Não mais se pergunta se Deus existe; apenas se vive “como se Ele não existisse”, disse João Paulo II. Apesar disso, 95 por cento dizem acreditar em Deus, massa ignoram suas leis…

Pior ainda do que o pecado cometido sob o peso da fraqueza da carne, é aquele cometido quando se explora comercialmente aquilo que é imoral, que atenta contra a dignidade do ser humano, transformando-o em um meio de lucro para si e um pecado dobrado, praticado não pela fraqueza da natureza humana, mas pelo amor desenfreado do dinheiro, como disse São Paulo “razão de todos os males” (1Tm 6,10).

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O Catecismo da Igreja Católica, fala sobre o escândalo:

“Quem usa os poderes de que dispões de tal maneira que induzam ao mal torna-se culpado de escândalo e responsável pelo mal que, direta ou indiretamente favorece. ‘É inevitável que haja escândalos, mas ai daqueles que o causar’ (Lc 17,1) (Cat. §2287).

É incrível constatar que há pessoas que consigam dormir em paz sabendo que “faturou” às custas do pecado dos outros, e da morte das suas almas.

É incrível observar que a sede de dinheiro possa ser maior que o respeito à verdade, à pureza, o amor ao próximo… Cristo continua a ser vendido por trinta moedas”

Tenho acompanhado e orientado vários jovens mergulhados nesse vício de assistir a pornografia na internet, e que me pedem ajuda para sair dele.

Tenho também recebido e-mail de esposas que se desesperam quando pegam seus maridos vendo sites pornográficos. A tentação é enorme e a facilidade é muito grande. Outros se enveredam pelos “chats” variados e acabam se complicando.

Tentei ajudar uma jovem e bela mãe que acabou deixando seus dois filhos pequenos e seu esposo, para ir morar com outro homem que conheceu pela internet. Essa moça trazia sérios problemas no casamento e carências que não foram resolvidas. Mas, o pior, é que complicou ainda mais as coisas.

Sem dúvida esse relacionamento virtual atinge em cheio as pessoas mais carentes e que lutam contra uma afetividade não bem controlada e resolvida. Por outro lado, a carne é fraca e que pode arrastar qualquer um, mesmo as pessoas espirituais e que vivem um bom relacionamento com Deus e com o cônjuge. Muitas vezes, embalados pela conversa virtual, a pessoa acaba se expondo a perigos de vários tipos, que não imagina. A internet pode ser traiçoeira.

É preciso dizer também que a atividade sexual virtual diante da internet pode se transformar em vício; e o piro de tudo é que pode levar ao pecado da masturbação, fornicação, adultério ou mesmo uma vivência sexual pervertida no próprio casamento. E tudo isso prejudica a pessoa; em primeiro lugar porque oferece a Deus e polui a alma e a mente com cenas eróticas; isso prejudica o namoro, o noivado e o casamento.

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Nota-se hoje que práticas condenadas há muito tempo, e que não eram aceitas, como sexo anal e oral, começam a se tornar de certa forma aceitas por casais cristãos; fruto da pornografia que foi anestesiando suas mentes.

Nem a pessoa solteira e nem o casal cristão podem se entregar à pornografia. O Catecismo da Igreja é bem claro ao dizer que:

“A pornografia… ofende a castidade porque desfigura o ato conjugal, doação íntima dos esposos entre si. Atenta gravemente contra a dignidade daqueles que a praticam (atores, comerciantes, público), porque cada um se torna para o outro objeto de um prazer rudimentar e de um proveito ilícito. Mergulha uns e outros na ilusão de um modo artificial. É uma falta grave. As autoridades civis devem impedir a produção e a distribuição de materiais pornográficos.” (§2354)

Retirado do livro: “Vida Sexual no Casamento”. Prof. Felipe Aquino. Ed. Cléofas.

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    Sobre Prof. Felipe Aquino

    O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
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