Série especial: O Ano Jubilar

Devoção mariana e popular é traço fundamental da Diocese de Lorena

A Virgem Maria ocupa espaço privilegiado no coração dos católicos mundo afora. De modo particular, os fiéis pertencentes à Diocese de Lorena invocam a Mãe de Jesus como Padroeira sob o título de Nossa Senhora da Piedade.

A história desse vínculo remonta ao final do século XVII, quando foi erguida uma capelinha sob esse título na região do famoso Porto de Guaypacaré. Na época, era assim que a cidade de Lorena era conhecida, pois nasceu em função da travessia do Rio Paraíba por bandeirantes e viajantes que íam em direção às Minas Gerais à procura de ouro.

Da modesta construção surgiu uma igreja que, mais tarde, seria a Catedral de Lorena, obra concluída em 1890 sob a responsabilidade de um dos maiores arquitetos de São Paulo na época, Francisco de Paula Ramos de Azevedo, o mesmo que projetou o Teatro Municipal da capital paulista.

Conforme o historiador Francisco Sodero Toledo, já em 1705 a região era um centro de peregrinação religiosa, com o início das festas em honra a Nossa Senhora da Piedade. Em 1714, antes de ser elevada à condição de freguesia, um frei escreve sobre essa devoção mariana que existia em Lorena e aponta esse primeiro centro de peregrinação.

“A imagem de Nossa Senhora da Piedade é grande símbolo de unificação em torno da fé religiosa, contemplação. São mais de 300 anos de festas, louvor, penitência em torno a essa devoção. Através da visita da imagem às casas, o culto feito dentro da catedral e durante os dias da Festa passa a ser feito nos altares domésticos e, durante todo o ano, há uma devoção contínua a Nossa Senhora”, explica Sodero.

A força da oração que brota da religiosidade popular é marcante na diocese. Nesse sentido, a Festa da Padroeira, apesar das modificações que ocorreram ao longo do tempo em termos de estrutura e dinâmica, conserva sua força religiosa e simbólica.

“A Festa é elemento identificador para a população local. Mesmo os que não moram mais aqui tentam voltar para comemorar. A vida lorenense, toda ela, gira em torno da Festa da Piedade. O calendário religioso e as festas tradicionais marcam o ritmo, o sentido da vida na região. A Diocese deve reconhecer a importância dessa fé religiosa que existe e alimentá-la, no sentido de que as pessoas continuem seu caminho de evangelização e oração”, complementa o historiador.

Além de Nossa Senhora da Piedade, outras duas devoções são marcantes na Diocese.


Nossa Senhora da Santa Cabeça

A devoção é muito divulgada no estado de São Paulo e em diversas partes do Brasil. No dia da Festa (2º domingo de dezembro), grande número de peregrinos dirige-se para a pequena igreja, que fica na Estrada dos Tropeiros, região rural de Cachoeira Paulista (SP).

“Fizemos um esforço para que o Santuário ficasse ligado não mais a uma Paróquia, como era antes, mas diretamente à Diocese. Pretendemos, com o tempo, criar uma infraestrutura mais adequada para melhor acolher os peregrinos em cada final de semana, sobretudo no dia da Festa”, explica o Bispo Diocesano, Dom Benedito Beni dos Santos.

O sacerdote que preside a Sacramentos no Santuário, padre Marcio de Jesus, ressalta que há um grande valor histórico e devocional. “A história dos peregrinos que aqui vem, com suas dores, intenções e pedidos. Também é muito importante para a Diocese, pois é o único aqui no Brasil e está crescendo. À medida que vai se expandindo o conhecimento da devoção, valoriza-se a própria história da diocese”.

O casal Roque Justino e Francisca de Oliveira é exemplo dessa devoção. “Eu vinha com meus pais, sempre recebemos graças e hoje continuamos”. Francisca não conhecia Santa Cabeça, mas após o casamento também tornou-se devota. “Peço graças, saúde para meus filhos e sempre sou atendida”.

São Benedito

O Santuário Basílica Menor de São Benedito é ponto de afluência de grande número de fiéis em Lorena. “A devoção a esse santo é muito divulgada aqui na Diocese. Muitos peregrinos visitam o Santuário para conhecer a beleza arquitetônica deste templo”, comenta Dom Beni.

Em 15 de novembro de 1917, durante o pontificado do Papa Bento XV, o Santuário de São Benedito foi agregado à Basílica de São Pedro, em Roma. Dessa forma, a igreja tornou-se o único Santuário Basílica de São Benedito do mundo todo. Assim, os fiéis que visitam o Santuário Basílica em Lorena recebem, de acordo com as leis canônicas, as mesmas indulgências daqueles que visitam a Basílica de São Pedro, em Roma.

De 1868 até agora, são 143 anos passados das origens da construção e manutenção do Santuário. O mesmo substituiu por algum tempo o movimento religioso da Matriz, que passava por uma reforma. O Santuário de São Benedito é uma construção em estilo gótico e seu interior é de estilo barroco.

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CN Notícias – Leonardo Meira

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    Sobre Prof. Felipe Aquino

    O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
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