Ser testemunhas de oração constante e confiante a Deus, exorta o Papa

Vaticano, 30 Nov. 11 / 02:20 pm (ACI/EWTN Noticias) – Na audiência geral de quarta-feira, em uma catequese dedicada à oração de Cristo, o Papa Bento XVI animou os católicos a serem testemunhas de oração constante e confiante a Deus.

Na Sala Paulo VI no Vaticano, Bento XVI explicou que os cristãos estão chamados atualmente a “serem testemunhas de oração, exatamente porque o nosso mundo está muitas vezes fechado ao horizonte divino e à esperança que leva ao encontro com Deus”.

“Na amizade profunda com Jesus e vivendo n’Ele e com Ele a relação filial com o Pai, através da nossa oração fiel e constante, possamos abrir janelas ao Céu de Deus. É mais, percorrendo a via da oração (…) ajudamos os demais a percorrê-la”, disse o Papa.

Em espanhol, Bento XVI convidou os presentes “relação com Deus intensa, a uma oração que não seja ocasional, mas constantes, plena de confiança, capaz de iluminar a nossa vida, como ensina-nos Jesus. E peçamos a Ele o poder comunicar às pessoas que nos são próximas, àquelas que encontramos na nossa estrada, a alegria do encontro com o Senhor, luz para a existência”.

O modelo do cristão, do católico para a oração é Cristo. Sua oração, disse o Papa, “atravessa toda a sua vida, como um canal secreto que irriga a existência, as relações, os gestos e que o guia, com progressiva firmeza, ao dom total de si, segundo o projeto de amor de Deus Pai. Ele é o Mestre também do nosso rezar; mais ainda, Ele é o sustento ativo e fraterno de todo o nosso dirigir-se ao Pai”.

Bento XVI assinalou que um momento especialmente significativo é a oração que segue o batismo de Jesus no Jordão. Segundo a predicação de João, o batismo devia selar o abandono de toda conduta ligada ao pecado para iniciar uma vida nova. Neste contexto, cabe perguntar-se por que Jesus se submete a este batismo de penitência e conversão, posto que não tinha pecados nem necessidade de converter-se.

Daí o estupor de João Batista que lhe pergunta: “Eu devo ser batizado por ti e tu vens a mim”. O Pontífice explicou que “descendo, portanto, ao Rio Jordão, Jesus, sem pecado, torna visível a sua solidariedade com aqueles que reconhecem os próprios pecados, escolhem arrepender-se e mudar de vida; faz compreender que ser parte do povo de Deus quer dizer entrar em uma ótica de novidade de vida, de vida segundo Deus”.

“Nesse gesto, Jesus antecipa a cruz, dá início à sua atividade tomando o lugar dos pecadores, assumindo sobres si o peso da culpa de toda a humanidade, cumprindo a vontade do Pai”, precisou o Papa.

Orando depois do batismo, Cristo mostra sua íntima união com o Pai, “experimenta a sua paternidade, colhe a beleza exigente do seu amor, e no colóquio com Ele recebe a confirmação da sua missão” com as palavras que ressonam do Céu: “Tu és meu Filho, o amado”, e com o Espírito Santo que descende sobre Ele.

“Na oração, Jesus vive um ininterrupto contato com o Pai para realizar até o fim o projeto de amor para os homens”. E é nesta profunda união com o Pai que Jesus cumpre o passo da vida oculta de Nazaré ao seu ministério público.

A oração do Jesus tem suas raízes, como mostram as referências dos Evangelhos, em sua família, fortemente ligada à tradição religiosa do povo do Israel; mas sua origem “profunda e essencial” está no “seu ser o Filho de Deus, em sua relação única com Deus Pai”.

Na narração evangélica, “as ambientações da oração de Jesus colocam-se sempre no cruzamento entre a inserção na tradição do seu povo e a novidade de uma relação pessoal única com Deus. “O lugar deserto” a que frequentemente se retira, “o monte” para onde sai a rezar, “a noite” que lhe permite a solidão recordam momentos do caminho da revelação de Deus no Antigo Testamento, indicando a continuidade do seu projeto salvífico”.

“A oração de Jesus toca todas as fases do seu ministério e todos os seus dias. Os cansaços não a bloqueiam. Os Evangelhos, antes, deixam transparecer um costume de Jesus de transcorrer em oração parte da noite. (…) Quando as decisões se fazem urgentes e complexas, sua oração se faz mais prolongada e intensa”.

Bento XVI afirmou que, contemplando o modo de orar de Cristo, devemos interrogar-nos sobre nossa própria oração e o tempo que dedicamos à relação com Deus.

Neste ponto, sublinhou a importância de “a leitura orante da Sagrada Escritura. Escutar, meditar, calar ante o Senhor que fala é uma arte que se aprende ao praticá-la com perseverança”. A oração é um dom de Deus, mas exige “esforço e continuidade”.

Para ver o vídeo com o resumo da catequese de hoje, visite nosso canal no youtube: http://www.youtube.com/watch?v=OjpxA7KiMyA

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    Sobre Prof. Felipe Aquino

    O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
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