• Como Deus se revela 25/11

    Como Deus se revela 25/11 Como Deus se revela 25/11

    Uma história que não é contada nas escolas 25/11

    Uma história que não é contada nas escolas 25/11 Uma história que não é contada nas escolas 25/11

    Promoção 18/11

    Promoção 18/11 Promoção 18/11

    Lançamentos 18/11

    Lançamentos 18/11 Lançamentos 18/11

    Natal 18/11

    Natal 18/11 Natal 18/11
  • São Tomé

    Categoria: Artigos



    tomeTomé significa “abismo” ou “duplicado’” em grego dídimo; ou vem de thomos, que quer dizer “divisão”, “partilha”. Significa “abismo”, porque mereceu sondar as profundezas da Divindade, quando à sua pergunta Cristo respondeu: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida”.’ Significa “duplicado”, por ter conhecido de duas maneiras a Ressurreição de Cristo, pois enquanto os outros apóstolos conheceram-na vendo-O, ele O viu e tocou. Significa “divisão”, seja porque afastou sua mente do amor às coisas do mundo, seja porque se separou dos outros na forma de crer na Ressurreição. Poder-se-ia dizer ainda que o nome Tomé vem de totus means, por ter-se deixado inundar inteiramente pelo amor a Deus. Tomé possuiu as três qualidades que distinguem os que têm esse amor e que PRÓSPERO formula no Livro da vida contemplativa: desejar com toda sua alma ver Deus, odiar o pecado, desprezar o mundo. O nome Tomé também pode vir de Theos, “Deus”, e meus, “meu”, isto é, “Deus meu”, o que corresponde ao que disse quando reconheceu sua fé: “Senhor meu e Deus meu”.’

    1. O apóstolo Tomé estava em Cesaréia quando o Senhor lhe apareceu e disse: “O rei da Índia, Gondoforo, enviou seu ministro Abanes em busca de um arquiteto hábil. Venha e o enviarei a ele”. Tomé respondeu: “Senhor, envie-me aonde quiser, menos à Índia”. Deus lhe disse: “Vá sem nenhuma apreensão, porque serei seu guardião. Quando você tiver convertido os indianos, virá a mim com a palma do martírio”. Replicou-lhe Tomé: “Você é meu Senhor e eu seu escravo; seja feita a sua vontade”.

    O intendente do rei passeava pela praça e o Senhor indagou: “De que necessita, rapaz?”. Este disse: “Meu amo enviou-me para conseguir escravos hábeis em arquitetura, que lhe construam um palácio à moda romana”. Então o Senhor ofereceu Tomé como homem muito capaz nessa arte. Eles embarcaram e chegaram à cidade na qual o rei celebrava o casamento da filha. Ele mandara anunciar que todos deviam participar das bodas, sob pena de incorrer em sua cólera. Abanes e o apóstolo foram à festa. Ali, uma moça judia que empunhava uma flauta dirigia palavras lisonjeiras a cada um dos presentes. Quando ela viu o apóstolo, reconheceu que era judeu porque não comia e mantinha os olhos voltados para o Céu. Ela se pôs então a cantar em hebraico diante dele: “Foi o Deus dos hebreus que sozinho criou o universo e cavou os mares”, e o apóstolo procurava repetir essas palavras.

    Mas ele não comia nem bebia e mantinha os olhos constantemente voltados para o Céu, o que desagradou um serviçal da corte, que esbofeteou o apóstolo de Deus. Este então disse: “É melhor para você ser punido na terra com um castigo passageiro e ser futuramente perdoado. Eu não me levantarei enquanto a mão que me bateu não for trazida até aqui por cães”. Ora, quando aquele serviçal foi buscar água na fonte, um leão estrangulou-o e bebeu seu sangue. Cães dilaceraram seu cadáver e um deles, preto, levou a mão direita até o local do banquete.

    Vendo aquilo a multidão ficou impressionada, e lembrando-se das palavras que ele dissera a donzela jogou fora a flauta e veio se prosternar aos pés do apóstolo.

    Agostinho em seu livro Contra Fausto afirma que tal episódio foi interpolado na legenda por um falsário, pois o apóstolo não teria agido por vingança. A autenticidade do fato é com efeito duvidosa, mas se admitirmos que aconteceu, ele não deve ser interpretado como vingança, mas como predição. Ademais, examinando com cuidado as palavras de Agostinho, ele não nega completamente a ocorrência do episódio, apenas sugere que ele pode ter sido inventado.

    Eis o que ele diz naquele livro:

    Lemos às vezes relatos apócrifos que compiladores de fábulas atribuíram aos apóstolos, levando mesmo alguns santos doutores dos primeiros tempos da Igreja a reconheceram-nos como autênticos. Os maniqueus também aceitam histórias desse tipo: o apóstolo Tomé estava incógnito, como peregrino, numa festa de casamento e foi agredido por um criado contra o qual teria exprimido imediatamente o desejo de uma cruel vingança. Tendo esse homem saído para buscar água para os convidados numa fonte, teria sido morto por um leão que o atacou, e a mão que havia esbofeteado levemente o rosto do apóstolo foi arrancada do corpo segundo seu voto e suas imprecações, e levada por um cão à mesa do apóstolo. Poderia haver coisa mais cruel? Ora, se não me engano, o mesmo relato diz que o apóstolo pediu que o criado recebesse perdão para a vida futura. Ou seja, a aparente crueldade do gesto escondia benefícios maiores, pois o apóstolo, querido e honrado por Deus, através do medo que despertara tornou-se respeitado por aqueles que não o conheciam, e os presentes ao banquete puderam entender que por detrás de fatos terrenos pode-se encontrar a vida eterna.

    Pouco me importa se este relato é verdadeiro ou não. O que é certo é que graças a ele os maniqueus, que aceitam como verdadeira e sincera essa narrativa que a Igreja rejeita, são forçados a reconhecer que a virtude da paciência, ensinada pelo Senhor ao dizer: “Se alguém bate na sua face direita, oferece-lhe a esquerda”, pode realmente existir no fundo do coração, ainda que não seja demonstrada por gestos e palavras, já que em vez de oferecer ao criado a outra face, o apóstolo esbofeteado pediu ao Senhor que não deixasse aquela falta impune nesta vida terrena, mas que poupasse o insolente na vida futura. Externamente ele pediu uma correção que servisse de exemplo, mas internamente havia o amor da caridade. Sem pretender elucidar se o episódio é verdadeiro ou apenas uma fábula, por que não elogiar no apóstolo o que se aprova em outro escravo de Deus, Moisés, que degolou os artífices e adoradores de ídolos? Se compararmos os castigos, ser morto pelo gládio ou ser dilacerado pelos dentes de um animal feroz são coisas semelhantes, pois seguindo as leis os juízes condenam os grandes culpados a perecer indiferentemente pelos dentes das feras ou pela espada.

    É o que diz Agostinho. Então o apóstolo, a pedido do rei, abençoou o esposo e a esposa dizendo: “Dê, Senhor, a bênção de sua mão direita a estes jovens e semeie no fundo de seus corações os germes fecundos da vida”. Quando o, apóstolo se retirou, surgiu nas mãos do esposo um galho carregado de tamaras. Depois de comerem esses frutos, os recém-casados adormeceram e tiveram o mesmo sonho. Sonharam que um rei coberto de pedras preciosas beijava-os dizendo: “Meu apóstolo abençoou-os para que participem da vida eterna”. Ao despertar, eles estavam contando um ao outro seus sonhos quando o apóstolo apareceu dizendo:

    Meu rei acaba de manifestar-se a vocês, e introduziu-me aqui, apesar das portas fechadas, para que minha bênção lhes fosse proveitosa. Guardem a pureza do corpo, rainha de todas as virtudes, e seu fruto, a salvação eterna. A virgindade é irmã dos anjos, é o maior dos bens, vence as paixões nefastas, é o troféu da fé, a fuga dos demônios e a garantia dos júbilos eternos. A luxúria engendra a corrupção, da corrupção nasce a mácula, da mácula vem a culpa, e a culpa produz a confusão.

    Enquanto expunha essas máximas, apareceram dois anjos: “Fomos enviados para ser seus anjos da guarda. Se puserem em prática com fidelidade os conselhos do apóstolo, apresentaremos todos seus desejos a Deus”. Então Tomé batizou-os e ensinou a eles todas as verdades da fé. A esposa, chamada Pelágia, tomou o véu sagrado e foi mais tarde martirizada, enquanto o esposo, que se chamava Dioniso, foi ordenado4 bispo daquela cidade.

    2. Depois disso, Tomé e Abanes foram encontrar o rei da Índia. O apóstolo desenhou a planta de um magnífico palácio e o rei recompensou-o com consideráveis tesouros que o apóstolo distribuiu aos pobres. O rei partiu para outra província e ficou dois anos ausente, tempo que Tomé aproveitou para se consagrar com ardor à pregação e converter um número incontável de pessoas. Ao voltar, informado do que Tomé fizera, o rei mandou colocar ele e Abanes no fundo de uma masmorra para depois serem esfolados vivos e jogados na fogueira. Nesse meio tempo morreu Gad, irmão do rei. Faziam-se os preparativos para lhe erigir um magnífico túmulo, quando no quarto dia o morto ressuscitou, e todos fugiram apavorados ao vê-lo passar. Ele foi até o rei e disse:

    Meu irmão, esse homem que você mandou esfolar e jogar na fogueira é amigo de Deus e todos os anjos obedecem-no. Os que me levavam ao Paraíso mostraram-me um palácio esplêndido, todo de ouro, prata e pedras preciosas, e enquanto eu admirava sua beleza, disseram-me: “É o palácio que Tomé construiu para seu irmão”. Tendo eu respondido: “Gostaria de ser seu porteiro!”, eles acrescentaram: “Seu irmão tornou-se indigno dele, portanto se quiser morar ali, pediremos ao Senhor para ressuscitá-lo a fim de que possa comprá-lo de seu irmão”.

    Dito isso, Gad correu à prisão do apóstolo, pediu-lhe que perdoasse o irmão, livrou-o dos grilhões e rogou-lhe que aceitasse uma preciosa vestimenta. “Por acaso você ignora”, perguntou o apóstolo, “que nada carnal, nada terrestre, tem valor para os que desejam os bens celestes?” No momento em que ele saía da prisão, chegou o rei que ia lhe pedir perdão. O apóstolo então lhe disse: “Deus concedeu a você um grande favor ao revelar seus segredos. Creia em Cristo e receba o batismo para participar do reino eterno”. O irmão do rei disse: “Vi o palácio que você construiu para meu irmão e gostaria de comprá-lo”. O apóstolo retrucou: “Isto depende do seu irmão”. E o rei falou: “Vou ficar com ele. Que o apóstolo construa outro para você, ou, se ele não puder, nós o possuiremos em comum”. O apóstolo respondeu: “São incontáveis no Céu os palácios que desde o começo do mundo estão preparados para os eleitos, palácios comprados apenas pelas preces, pela fé e pelas esmolas. As riquezas materiais não podem segui-los até o Céu”.

    3 Um mês depois, o apóstolo mandou reunir todos os pobres da região, separou os doentes e os enfermos e orou por eles. Ao terminar a prece, os que já tinham aceito a fé responderam “Amém”, e então brilhou no céu um relâmpago que por meia hora ofuscou tanto o apóstolo como os presentes, a tal ponto que todos se imaginaram mortos. Mas Tomé ergueu-se e disse: “Levantem-se, porque meu Senhor veio em forma de raio e curou a todos vocês”. Todos se levantaram curados e renderam glória a Deus e a seu apóstolo.

    Tomé tratou de instruí-los e demonstrou-lhes os doze graus das virtudes. O primeiro é acreditar em Deus, que é uno em essência e trino em pessoas. Para provar que três pessoas podem ter uma só essência, ele deu três exemplos. Tudo o que o homem sabe forma um conjunto chamado sabedoria, constituído de três partes, o gênio, graças ao qual se descobre o que não foi aprendido; a memória, graças à qual se retém o que foi aprendido; a inteligência, graças à qual se compreende o que pode ser demonstrado e ensinado. Numa videira há três partes, a madeira, as folhas e o fruto, e essas três juntas formam uma só e mesma videira. A cabeça humana é una e única, mas possui quatro sentidos, visão, paladar, audição e olfato. O segundo grau de virtude é receber o batismo. O terceiro é abster-se de fornicação. O quarto é renegar a avareza. O quinto, preservar-se da gula. O sexto, viver na penitência. O sétimo, perseverar nas boas obras. O oitavo, praticar a hospitalidade. O nono, procurar fazer em tudo a vontade de Deus. O décimo, evitar o que a vontade de Deus proíbe. O décimo primeiro, praticar a caridade tanto com os amigos quanto com os inimigos. O décimo segundo, zelar vigilantemente para respeitar esses graus. Quando terminou sua pregação foram batizados 9 mil homens, sem contar crianças e mulheres.

    De lá Tomé foi para a Índia superior, onde se tornou célebre por um grande número de milagres. O apóstolo levou a luz da fé a Sintícia, amiga de Migdomia, esposa de Carísio, cunhado do rei. Certo dia Migdomia perguntou a Sintícia: “Você acha que posso ir vê-lo”. Aconselhada por Sintícia, Migdomia mudou de roupa e foi se juntar às mulheres pobres no lugar em que pregava o apóstolo. Este deplorava a miséria da vida, dizendo entre outras coisas que esta vida é miserável, fugidia e sujeita às desgraças, e que quando pensamos tê-la nas mãos, ela escapa e se desconjunta. E começou a exortar a se ouvir favoravelmente a palavra de Deus por quatro razões que comparou a quatro tipos de coisas: a um colírio, porque limpa o olho da nossa inteligência; a uma poção, porque purga e purifica nossa afeição de qualquer amor carnal; a um emplastro, porque cura os ferimentos de nossos pecados; ao alimento, porque nos fortifica no amor às coisas celestiais. Ora, acrescentou, do mesmo modo que aquelas coisas só fazem bem a um doente se este ingeri-las, a palavra de Deus também só é proveitosa a uma alma sofredora se ela escutá-la com devoção.

    Enquanto o apóstolo pregava, Migdomia passou a crer e a sentir horror em compartilhar o leito com seu marido. Por isso Carísio pediu ao rei que o apóstolo fosse encarcerado. Migdomia foi ter com ele na prisão e pediu-lhe que a perdoasse por ter sido preso por sua causa. Ele a consolou com bondade e garantiu que sofria de bom grado. Carísio pediu ao rei que mandasse a rainha, irmã de sua mulher, tentar fazê-la voltar para casa. A rainha foi enviada e convertida por aquela que queria perverter, e depois de ter visto muitos prodígios realizados pelo apóstolo, disse: “São malditos de Deus os que não crêem em tão grandes milagres e em semelhantes obras”. Então o apóstolo instruiu brevemente todos os ouvintes sobre três pontos: amar a Igreja, honrar os sacerdotes e reunir-se assiduamente para ouvir a palavra de Deus.

    Quando a rainha voltou para casa, o rei perguntou: “Por que demorou tanto?”. Ela respondeu: “Achei que Migdomia estivesse louca, mas ela é bem sensata; levando-me ao apóstolo de Deus, ela me fez conhecer o caminho da verdade, e insensatos são os que não crêem em Cristo”. Daí em diante a rainha recusou-se a copular com o rei. Estupefato, ele disse a seu cunhado: “Querendo reaver sua mulher, perdi a minha, que se comporta comigo pior do que a sua com você”. O rei mandou então amarrar as mãos do apóstolo e trazê-lo à sua presença, e ordenou que ele fizesse as mulheres voltarem para seus maridos. Mas através de três exemplos – o exemplo do rei, o exemplo da torre e o exemplo da fonte – o apóstolo demonstrou que elas não deviam retornar enquanto eles persistissem no erro.

    Não é verdade que você, que é rei, não quer serviçais sujos e exige limpeza de seus escravos e escravas? Com mais razão, Deus exige dos que lhe servem que sejam castíssimos e limpíssimos. Por que você alega ser crime eu pregar aos escravos de Deus que o amem, quando deseja o mesmo de seus próprios escravos? Eu erigi uma torre altíssima e você me diz, a mim que a construí, para demoli–la. Cavei profundamente a terra e fiz jorrar uma fonte do abismo, e você me diz que devo tapá-la?

    Furioso, o rei mandou espalhar pelo solo lâminas incandescentes de ferro colocar o apóstolo descalço sobre elas. Mas imediatamente, por ordem de Deus, surgiram ali diversas fontes que esfriaram as lâminas. O rei, seguindo o conselho de seu cunhado, mandou jogar Tomé numa fornalha ardente, que se apagou, de maneira que no dia seguinte ele saiu de lá são e salvo. Carísio disse ao rei: “Faça com que ele ofereça um sacrifício ao sol, para que suscite a cólera de seu Deus, que o protege”.

    Quando instavam o apóstolo a fazê-lo, ele disse ao rei: “Você vale mais do que essa imagem que mandou fazer. Carísio disse que Deus se irritará contra mim se eu adorar seu deus, mas saiba você, idólatra que despreza o verdadeiro Deus, que Ele ficará muito mais irritado com seu ídolo, e o quebrará. E se adorando seu deus o meu não o derrubar, sacrificarei a seu ídolo, mas se acontecer como eu disse você passará a acreditar em meu Deus”. Irritado, o rei disse: “Você me fala de igual para igual”. O apóstolo ordenou em língua hebraica ao demônio existente dentro do ídolo que assim que se ajoelhasse diante deste, ele o quebrasse.

    Ao dobrar o joelho, o apóstolo falou: “Adoro, mas não ao ídolo; adoro, mas não ao metal; adoro, mas não a um simulacro, porque Aquele que adoro é meu Senhor Jesus Cristo, em nome do qual ordeno, demônio escondido nesta imagem, que a quebre”. E a imagem desapareceu imediatamente, como cera que se derrete. Todos os sacerdotes gritaram e o pontífice do templo tomou de um gládio com o qual trespassou o apóstolo, dizendo: “Eu é que vingarei a afronta feita a meu deus”. Quanto ao rei e a Carísio, fugiram ao ver o povo preparando-se para vingar o apóstolo e queimar vivo o pontífice. Os cristãos levaram o corpo do santo e sepultaram-no com a devida honra.

    Muito tempo depois, isto é, por volta do ano 230, atendendo ao pedido dos sírios, o imperador Alexandre autorizou que o corpo do apóstolo fosse transportado para a cidade de Edessa, que outrora se chamava Rages dos Medas. Desde que Abgar, rei dessa cidade, teve a honra de receber uma carta escrita pelo próprio punho do Salvador, ali nenhum herético, nenhum judeu, nenhum pagão podia viver, nenhum tirano podia praticar o mal. Quando algum inimigo tenta atacar essa cidade, à sua porta uma criança batizada lê aquela carta e no mesmo dia, tanto pelo escrito do Salvador como pelos méritos do apóstolo Tomé, os inimigos fogem e deixam a cidade em paz.

    Eis o que ISIDORO diz desse apóstolo em seu livro sobre a vida e a morte dos santos:5 “Tomé, discípulo e imitador de Cristo, foi incrédulo ao ouvir e fiel ao ver. Pregou o Evangelho aos partas, aos medas, aos persas, aos hircanos e aos báctrios: entrando no Oriente e penetrando no interior da região, pregou até a hora de seu martírio. Foi trespassado por lanças”.

    Assim fala Isidoro. E Crisóstomo acrescenta, por sua vez, que quando Tomé chegou ao país dos magos, que tinham ido adorar Cristo, batizou-os e depois disso eles tornaram-se seus colaboradores na difusão da fé cristã.

    ________________________________________

    1.  J0 14,6.

    2.  J0 20,28.

    3.  Mateus 5.39; Lucas 6,29.

    4. Ordenação (ordinatio) é a cerimônia que confere o sacramento da ordem (ardo), isto é, pela qual por intermédio da imposição das mãos de um indivíduo já sacralizado, o Espírito Santo é transmitido a outro (bispo,padre, diácono), segundo o modelo do que Cristo fizera com os apóstolos e estes com seus próprios discípulos (João 20,21 -22; Mateus 3,16; Atos dos apóstolos 6,6; 13,2-3; 1 Timóteo 4,14; 2 Timóteo 1,6).

    5. Esta obra de prestígio na Idade Média (mas citada apenas três vezes na Legenda áurea) foi recentemente objeto de nova edição e tradução: De ortu etobítu Patrum, ed.-trad. C. Chaparro Gómez, Paris, Belles Lettres. 1985. A passagem referida por Jacopo de Varazze é o capítulo 73, pp. 208-211.

    Fonte: DE VARAZZE, JACOPO. Legenda Áurea: vidas de santos. Tradução do latim, apresentação, notas e seleção iconográfica: Hilário Franco Júnior. São Paulo: Companhia das Letras,2003. P.81-88.


    Prof. Felipe Aquino

    assessoria@cleofas.com.br

    O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.