São Jorge

sc3a3o-jorgeNaquele tempo, sendo imperador Diocleciano e Maximiano, o governador Daciano desencadeou uma terrível perseguição contra a igreja, com tanta sanha que foram martirizados cerca de 17.000 cristãos e muitos outros foram perseguidos, e outros vencidos pelas torturas, consentindo em renegar a sua fé e a oferecer sacrifícios aos ídolo romanos.

A tradição diz que São Jorge afligido pelo espetáculo, renunciou a carreira de militar e distribuiu seus bens entre os pobres e vestindo-se como somente vestiam na época os cristãos, foi a rua e passou a repetir frases como “Os deuses pagãos são demônios e o único autentico Deus é Cristo”.

O governador ao inteirar-se do fato, chamou a Jorge e perguntou “Com que direito chamas os nossos deuses de demônios? Que queres tu”? E de onde és tu? E em nome de quem está dizendo isto? São Jorge respondeu: “Sou da Capadócia, pertenço a uma família de nobres e sou militar, e com a ajuda de Cristo conquistei as terras da Palestina,mas renunciei a posse de tudo que me foi dado e aos meus títulos e cargos que possuía, para sem honras e riquezas servir a Deus.” O governador tentou convence-lo a renunciar a sua fé, mas não conseguindo ordenou os seguintes tormentos: O ataram a um cavalo, rasgaram suas carnes com garfos de ferro e cobriram com sal todo o seu corpo chagado. Depois de ser assim torturado durante todo um dia, ao chegar a noite, o Senhor Deus rodeado de uma vivíssima claridade, o consolou com doces palavras e o deixou tão confortável que São Jorge parecia que não tinha sido torturado. Em vista de que com ameaças e torturas não conseguia nada, o governador Daciano mudou de tática e o tentou com fortunas e promessas de recompensas. Jorge sorrindo respondeu: “Porque em vez de me torturar não me disseste estas coisas no inicio? Aqui me tens disposto a fazer o que me propõe! “Daciano não se deu conta da tática de São Jorge, e mandou publicar um pregão, convocando o público a assistir aos sacrifícios que São Jorge por fim, iria oferecer ao ídolos romanos. Mandou o governador que a cidade fosse enfeitada. No dia previsto para o grande acontecimento, a multidão curiosa e com grande expectativa, lotou o templo no qual São Jorge iria adorar publicamente os deuses romanos.

Na hora marcada, São Jorge entrou no recinto, ajoelhou e pediu ao Senhor Deus para converter povo dentro do templo, e pediu que o Senhor se dignasse destruir as estátuas dos ídolos e o templo, de maneira a não ficar nenhum vestígio delas. Acabando sua oração desceu dos céus uma rajada de fogo que reduziu as cinzas, todas as imagens do templo e os sacerdotes pagãos que promoviam as idolatrias. Logo que o público presente correu para fora, São Jorge saiu mansamente e de novo fez suas preces. Depois de alguns segundos a terra se abriu, e engoliu todo o templo e se fechou de novo, não ficando o menor vestígio de sua existência. Daciano, inteirado do ocorrido, fez comparecer São Jorge e disse. “És o mais abominável dos homens. Como é possível tamanha malícia a ponto de cometeres um crime tão horrível?”

Ao que São Jorge respondeu calmamente: “Meu rei, não me julgues apressadamente e severamente, venha comigo e verás como oferecerei os sacrifícios”! Daciano respondeu: “Não me enganarás de novo. Você quer que a terra me trague e também as imagens dos meus deuses”. São Jorge então disse:

“Imbecil miserável! Como pode adorar a esses deuses que não podem nem ajudar a eles mesmos?” A esse diálogo assistia Alexandra, a esposa de Daciano e presa de indignação disse que São Jorge tinha razão e que queria também ser cristã. Daciano furioso mandou que a pendurassem pelos cabelos em uma viga e que a açoitassem sem piedade, até a morte. E Alexandra perguntou a São Jorge: “Vou morrer e não sou batizada”. São Jorge respondeu batizando-a e usando para isto o sangue dela derramado em vez de água e disse ainda: “O sangue que está derramando, está te batizando e vale uma coroa de gloria e com o Senhor Jesus Cristo terás tudo.” E, seguida Alexandra expirou santamente.

Daciano enfurecido, mandou que arrastassem a São Jorge pela cidade até o local onde seria decapitado. O santo antes de morrer, rogou ainda ao Senhor que atendesse aos rogos de todos que pedissem por sua intercessão e mediação. Apesar da popularidade de São Jorge, se conhecem poucos fatos de sua vida e as noticias que se tem se baseiam em lendas e tradições que se passou de boca em boca através dos anos. Não obstante todos os escritores e historiadores concordam que foi um soldado um romano, nasceu na Capadócia (Turquia) e morreu em princípios do século IV, provavelmente na cidade de Lydda, atualmente Lod em Israel.

A Lenda do dragão

A lenda do Dragão, a mais difundia e na qual o santo está a cavalo e luta contra um monstruoso animal que vivia em um lago, a aterrorizar a toda a população de Lydda. Do dito animal saia um odor forte que contaminava a todos e o monstro exigia o sacrifício de uma pessoa viva para não se aproximar da cidade. Mas um dia quando o dragão estava para comer a filha do rei, apareceu Jorge e com a ajuda de Cristo matou o monstro que seria na verdade o demônio. Assim ele é considerado o santo padroeiro dos namorados (hoje nos países de língua inglesa é São Valentino e no Brasil é Santo Antônio de Pádua , mas nos outros países latinos da Europa o padroeiro dos enamorados ainda é São Jorge).

Na Catalunha tem uma igreja com o seu nome, e em Girona existem vários templos com o seu nome, e três ermidas situadas em Calonge, Loret de Mary e Sant Llorenço de la Muga têem o seu nome.

É ainda o padroeiro da Grécia, Lituânia, Polônia, Rússia e Sérvia.

Sua festa é celebrada no dia 23 de abril.

NA: Pode-se saber mais sobre São Jorge da Capadócia na

“La Leyenda Dorada” de autoria de Jacopo de Varazze(1229-1298), lançado no Brasil pelo Professor Hilário Franco Junior em seu livro “Legenda Aurea-Vida dos Santos”.

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    Sobre Prof. Felipe Aquino

    O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
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