São João: o evangelista

São João
nasceu na Galiléia em 6 DC e era filho de Zebedeu e Salomé e era o irmão mais
novo de Tiago, o Maior. Os dois irmãos viviam da pesca no Lago Genesare até
serem chamado por Jesus.
João seria o discípulo mais amado do Senhor e é dito que teria escrito o Livro
das Revelações (o Apocalipse), o último livro da Bíblia, quando estava em
exílio na ilha de Patmos perto da costa da Turquia. Este livro é uma soberba
conclusão das sagradas escrituras. O livro do Gênesis começa com a odisséia do
homem ao ser expulso do Éden e o Livro das Revelações seria uma visão de
encorajamento a espera do homem, para o retorno ao Paraíso.

João é o
mais jovem dos apóstolos tendo cerca de 25 anos ao ser chamado. João deve ter
sido um seguidor de João Batista , porque ele relata todas as circunstancias da
vida do Percursor de Jesus e embora, por modéstia, ele esconda , as vezes, o
seu nome em algumas partes do Evangelho que tem o seu nome.( Evangelho de São
João).

Cristo deu
a Tiago e a João o apelido de “Filhos do Trovão” para expressar a sua
natureza apaixonada. Eles queriam chamar o fogo do céu para os Samaritanos que
rejeitaram Cristo(Lc 9:54-56). Queriam sofrer com Jesus como testemunhas
(Mar10:35-41). Este santo heroísmo beneficia a fé, porque permite a eles
propagar a lei de Deus sem medo do poder dos homens.
Era mesmo João o mais amado de Cristo? Primeiro, o amor que João dava a Ele e
depois pela sua humildade e a sua disposição pacífica fazia com que João fosse
muito parecido com Cristo e ainda a sua singular pureza e virgindade, segundo
alguns, teria feito que ele tivesse mais valor perante o Senhor.
Que João era um dos mais próximos de Jesus é evidente já que somente ele, Pedro
e Tiago estavam presentes a eventos importantes, tais como a Transfiguração, a
cura da sogra de Pedro, a ressurreição da filha de Jairus e a Agonia no Jardim
das Oliveiras.
Por essa razão São Paulo nomeia João, Pedro e Tiago como sendo os líderes ou os
pilares da Igreja de Jerusalém. (Gal2:9).
Ele e Pedro foram os primeiros apóstolos na tumba do Cristo ressuscitado. (Jo
20:3-8) Na ultima ceia ele se inclinou e se apoiou no peito de Jesus e foi o
único apóstolo presente a crucificação, onde Jesus deu a ele a tarefa de cuidar
de Sua mãe a Virgem Maria e de Seus amigos.
Ele estava na Corte porque conhecia os altos sacerdotes e ele conseguiu que os
serventes da Corte do Califa deixassem São Pedro entrar.(Jo 18:15-16).

Mais tarde
quando Cristo apareceu para eles no lago e com eles comeu, João por instinto
reconheceu quem era e disse a Pedro (Jo21:7). Juntos eles caminharam ao longo
da margem do lago. Vendo João seguindo Pedro a Ele o que seria do seu amigo,
pensando talvez que Ele iria dar a ele um favor especial . “O que será de
ti?” o Senhor perguntou, “Então eu terei ele aqui até eu voltar e ele
me seguirá. “Alguns discípulos pensaram que isto significava que João não
iria morrer nunca, mas ele mesmo tratou de dizer o que realmente significava .
(Jo21:20-23). Ele viveu por 70 anos após a morte de Jesus. Por muito tempo ele
continuou junto a São Pedro. Eles estavam juntos quando o homem é curado no
Portão do Paraíso(Atos 3:1-11) e foram presos juntos e apareceram diante do
Sanhedrin juntos(Atos 4:1-21) Ele acompanhou Pedro a Samaria para transmitir o
Espirito Santo aos novos convertidos. João permaneceu em Jerusalém alguns anos
após a Ascensão de Jesus embora algumas vezes ele pregou no exterior, visto que
São Paulo (alguns anos após a sua conversão) encontra-se com João e confirma
sua missão aos gentios. Ele provavelmente foi um assistente ao Conselho de
Jerusalém.
A tradição diz que seus afazeres apostólicos foram primeiro para os judeus nas
províncias de Parthia, onde ele plantou a fé cristã.Ele voltou de novo a
Jerusalém no ano de 62 DC para se reunir e conferenciar com outros apóstolos
que ainda viviam. Depois disto ele foi para Éfesus(Turquia) onde deu a Ásia
Menor a sua particular atenção e onde ele estabeleceu igrejas e dirigiu
congregações.. Com quase toda certeza, João estava presente a morte da Virgem
Maria em Éfesus.
Sua autoridade apostólica era universal e embora São Timóteo permanecesse Bispo
de Éfesus, até o seu martírio em 97 , não há diferenças entre eles nos relatos
de jurisdição. É provável que ele tenha colocado bispos em todas as Igrejas da
Ásia porque enquanto os apóstolos viveram, eles supriram as igrejas com suas
próprias nomeações em virtude do poder recebido do próprio Jesus.

Uma linda
historia sobre João é contada por São Clemente de Alexandria. Perto do fim João
escolheu um jovem para ser padre e encarregou o seu tutor para que fosse
instruído, batizado e confirmado.
No seu retorno, algum tempo depois, ele disse ao tutor:
” Devolva-me o que eu dei a você perante esta Congregação e perante
Jesus!”
“Ele está morto”. disse o tutor “Morto?” perguntou João.
“Após a sua instrução e seu batismo, ele caiu em más companhias e foi
caindo nos degraus da honra até chegar ao fim, tornando-se até um ladrão”
disseram eles.
João então disse ao jovem que estava presente: ” Existe ainda espaço para
arrependimento A sua salvação não é irrecuperável. Eu responderei por você
diante de Cristo e implorarei a Jesus por você e estou disposto a sacrificar
minha vida por você, como Jesus sacrificou a dele por todos nós. Acredite,
fique comigo, eu sou um enviado de Cristo”.
O jovem ficou parado com os olhos no chão e cheios de lagrimas. Ele abraçou seu
tutor e implorou o perdão. Ele encontrou um segundo batismo nas lágrimas. João
beijou-o afetuosamente e devolveu a ele os Santos Sacramentos.

Esta veia
de caridade percorre toda a vida de São João e é a grande lei da fé cristã, sem
a qual todas, as pretensões a uma Religião Divina seriam em vão e sem valor.
Outra história conta que um visitante encontrou João jogando bola com os seus
discípulos. O visitante reclamou e como o visitante carregava um arco e flechas
João perguntou a ele se ele poderia jogar todas as fechas sem parar
.”Não” respondeu ele, o arco iria quebrar. João então respondeu que o
nosso espírito também precisa descansar para não quebrar. Assim, no dia a dia,
podemos as vezes brincar e relaxar para acalmar as tensões. Esta a é a
“Regra dos Jogos” que São Tomas de Aquino nos ensina na Questão 169,
artigo 10 na sua “Summa Teológica “.

Nos anos 95
durante a Segunda perseguição do Imperador Domiciano, João foi preso na Ásia e
levado para Roma onde conseguiu escapar ao martírio de forma milagrosa.
Tertuliano diz que ele saiu de dentro de um caldeirão de óleo fervendo sem
nenhum dano aparente. Seus perseguidores atribuíram este milagre a feitiçaria e
ele foi exilado na ilha de Patmos.
Até ser removido do calendário Romano em 1960, este evento era usado para
comemorar litúrgicamente, na Igreja Ocidental, o dia 6 de maio como sendo o dia
de São João. Relatos deste julgamento dão a ele o título de mártir, embora ele
seja o único apostolo que não morreu martirizado. Entretanto, este fato vem de
encontro a previsão de Cristo de que João beberia do cálice do sofrimento.
Na ilha de Patmos, já com idade extremamente avançada, ele teria sido
favorecido com uma visão que foi descrita e relatada no Livro das Revelações.
O seu exílio não teve longa duração visto que, com a morte de Domiciano, seus
éditos foram declarados nulos pelo Senado Romano por serem suas sentenças muito
duras e cruéis. João estava livre para voltar a Éfesus de novo em 97 DC. Alguns
acham que ele escreveu o seu Evangelho quando retornou a Éfesus já com 92 anos
de idade. A tradição identifica João como o autor do 4? Livro do Evangelho já
no século segundo. Com certeza sabemos que os fragmentos descobertos por
Cherster-Beatty, datam os escritos como sendo do inicio do século segundo ou um
pouco mais cedo, no final do século primeiro.

O Livro das
Revelações, também atribuído a ele, e tão diferente em pensamento, conteúdo e
estilo do genuíno escrito joanino, que parece ser mais um produto dos seus
seguidores.

Quando a
fraqueza apoderou-se dele e ele não mais podia pregar, era carregado para a
assembléia dos fiéis e constantemente ele era ouvido dizer : “Minhas
queridas crianças, amai uns aos outros” e quando perguntado porque repetia
sempre as mesmas palavras disse :”Porque é o preceito mais importante do
Senhor e se vocês o cumprirem será o bastante”.

São
Jerônimo diz: “estas palavras deveriam estar incrustado em caracteres de
ouro nos corações de cada cristão”.

São João
morreu em Éfesus quando tinha mais de 92 anos de idade.

Usava cabelos longos, como Jesus e muito comum na época. Mas como estava
sentado a direita de Jesus na Santa Ceia do mestre Leonardo da Vinci (1495),
alguns acreditam ser ele Maria Magdalalena, mas aí ficaria faltando ( na
pintura) um dos doze apóstolos, presentes a Ultima Ceia.

Diz a tradição que ele era o único dos doze apóstolos que sabia escrever (antes
de receberem o Espirito Santo) por isso é representado algumas  vezes
segurando, em sua mão direita, uma pena de escrever, e na outra um
livro.(SãoLucas médico, tambem sabia escrever. Seu Evangelho é o mais longo de
todos, mas São Lucas não era um dos doze apóstolos).
Na arte litúrgica da Igreja, São João geralmente é representado como um jovem
belo, as vezes como um patriarca , as vezes com o livro do Evangelho nas mãos
ou com o “Atos dos Apóstolos”, ou com o Livro das Revelações , ou
escrevendo o Livro das Revelações na ilha de Patmos ( algumas vezes é
representado com o demônio voando para fora do seu tinteiro), as vezes com uma
águia representando a majestade do Evangelho e as vezes dentro de um caldeirão
de óleo, as vezes bem velho lendo ou escrevendo, ou as vezes levantando
Drusilla dos mortos ou ainda sendo carregado pelos anjos ao céu .

Sua festa é
celebrada no dia 27 de dezembro

A sua festa
na Igreja Oriental é celebrada no dia 26 de setembro

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    Sobre Prof. Felipe Aquino

    O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
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