Sangue de cristãos no Egito, Iraque, Filipinas e Nigéria

Nas
comemorações do Natal e do ano novo

Por Paul De
Maeyer

ROMA,
quinta-feira, 6 de janeiro de 2011 (ZENIT.org) – “Nesta época do Santo Natal, o desejo e a
invocação de paz tornam-se ainda mais intensos. O nosso mundo continua marcado
pela violência, especialmente contra os discípulos de Cristo”, disse Bento
XVI no domingo, 26 de dezembro, por ocasião do Ângelus, expressando
“profunda tristeza” pelos ataques anticristãos que ensanguentaram a
noite do nascimento do Senhor em alguns lugares do mundo, especialmente nas
Filipinas e na Nigéria. Dias depois, a onda de sangue de cristãos atingiu o
Iraque e o Egito.

Egito

A loucura
anticristã teve lugar pouco depois da noite do Ano Novo e atingiu a comunidade
copta de Alexandria, no Egito. De acordo com relatórios recentes, a explosão de
uma bomba na Igreja dos Santos (Al-Qiddissine), localizada no bairro de Sidi
Bishr, causou – 30 minutos após a meia-noite – pelo menos 21 mortos e 79
feridos entre os fiéis, que saíam do culto religioso por ocasião do ano novo.
Embora algumas testemunhas falem da explosão de um carro-bomba, o Ministério do
Interior egípcio acredita que tenha sido um atentado suicida. “É provável que
a bomba tenha sido detonada por um kamikaze, que morreu junto com outros”,
afirmou um comunicado do Ministério enviado à agência AFP.

Em um
discurso transmitido pela televisão egípcia, o presidente Hosni Mubarak
condenou o ataque e o “terrorismo cego”, que “não faz distinção
entre um copta e um muçulmano”. De acordo com o chefe de Estado, é um
“ato criminal” de origem estrangeira que teve como objetivo
“todo o Egito”. O ataque aconteceu após as recentes ameaças de
militantes da Al Qaeda, no Iraque, contra os cristãos do Egito. Segundo a Associated
Press, sua participação direta seria um golpe para o governo de Mubarak, que
sempre havia negado uma presença significativa da Al Qaeda no Egito.

Até mesmo o
patriarca latino de Jerusalém, Dom Fouad Twal, disse: “Esta nova matança
deveria levar a refletir sobre a nossa vocação de cristãos nessa região, que
não pode ser dispensada de abraçar a cruz. O discípulo não está acima do seu
Mestre”.

Durante a
homilia na Missa celebrada na sede do patriarcado, ele concluiu dirigindo-se a
Jesus: “Se nos envias a cruz, dá-nos a coragem para seguir-te”.

Iraque

Depois de
um Natal relativamente calmo, a fúria anticristã atingiu novamente a
martirizada minoria iraquiana em 30 de dezembro. Segundo um funcionário do
Ministério do Interior, a explosão de dez bombas em casas de cristãos provocou
na capital, Bagdá, pelo menos 2 mortos e 16 feridos. “No total – declarou
em 31 de dezembro a agência AFP – 14 bombas foram colocadas perto de casas de
cristãos”, 10 das quais explodiram completamente. “As outras 4 foram
encontradas antes da explosão e as forças de segurança provocaram sua explosão
em segurança”, indicou a mesma fonte.

As duas
vítimas dos atentados, que não foram reivindicados, mas que têm a assinatura de
um ramo iraquiano da rede terrorista Al Qaeda, foram mortas no bairro de
al-Ghadir, no centro da capital, devido à explosão de uma bomba artesanal. Após
o ataque sangrento à catedral siro-católica de Bagdá, em 31 de outubro, que
matou mais de 50 pessoas, a Al Qaeda havia anunciado que todos os cristãos
tornaram-se alvos legítimos.

Filipinas

Nas
Filipinas, uma bomba explodiu na manhã de 25 de dezembro, durante a Missa de
Natal celebrada na capela dentro do quartel policial de Jolo, na Região
Autônoma Muçulmana de Mindanau. A explosão da bomba, lançada sobre o telhado da
capela do Sagrado Coração por alguns homens em uma motocicleta, provocou,
segundo a agência Asianews (27 de dezembro), pelo menos 11 feridos, entre
os quais pelo menos um padre.

Embora o
ataque não tenha sido reivindicado, os especialistas sinalizam o grupo
extremista muçulmano de Abu Sayyaf. Fundada no início dos anos 90, o grupo
armado efetuou inúmeros sequestros para extorquir, além de atentados, incluindo
o incêndio de uma balsa com destino à capital, Manila (fevereiro de 2006), que
causou 116 vítimas.

Nigéria

Na Nigéria,
no entanto, outra onda de violência anticristã já ceifou pelo menos 86 vítimas
no país mais populoso da região centro-norte da África, que em abril próximo irá
às urnas para eleger um novo presidente.

O
“massacre de Natal” começou na noite do dia 24, com o assalto contra
duas igrejas cristãs em torno da capital do Estado de Borno, Maiduguri, no qual
morreram pelo menos 6 pessoas, incluindo um ministro batista, reverendo Bulus
Marwa, segundo informou Compass Direct News em 28 de dezembro. A violência
continuou com uma série de atentados contra alvos cristãos na periferia de Jos,
capital do Estado do Plateau, definido por Avvenire (28 de dezembro) como
o “muro de separação” entre as duas Nigérias: a muçulmana, formada
por pastores de gado, no norte, e a cristã, animista e agrícola, do sul.

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    Sobre Prof. Felipe Aquino

    O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
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