Reiki na “vida diária”

Em síntese: Reiki e’ o nome dado a Energia Universal de Vida, que passa pelas mãos de todo ser humano e pode ser aplicada a pessoas doen­tes ou aflitas para aliviá-las, segundo Earlene Gleisner, monitora de Reiki. A filosofia subjacente a tal pratica é budista e tem traços de monismo, como se o indivíduo humano “pudesse fundir-se com tudo a sua volta” (p.45). A linguagem utilizada pela autora do livro é, por vezes, obscura e confusa.

A cura por meio de Reiki vem sendo preconizada em nossos ambi­entes brasileiros, proveniente do Oriente.

Earlene Gleisner, mestra de Reiki, deixou-nos a propósito um Ii­vro1, que expõe o que seja Reiki e que procuraremos ler nas paginas subseqüentes.

1. Reiki: que é?

A palavra Reiki vem de rake = ancinho ou rastelo em inglês, ferra­menta agrícola usada para revolver o solo superficialmente em vista de plantio em horta ou com a finalidade de retirar folhas secas do chão. Rakey é o solo arado. A palavra Rakey é foneticamente igual a Reiki.

Segundo a sra. Earlene, o Reiki vem a ser “a ENERGIA UNIVER­SAL de Vida no Sistema Usul de Cura Natural” (p.11). É a “Energia Uni­versal de Vida, que verte através de nossos corpos, preenchendo nossa necessidade antes de se transferir para a necessidade do outro” (p.22). “Os nossos corpos são um veiculo através do qual a energia Reiki se transfere do Universo para outrem” (p.42).

É através das mãos que a energia Reiki passa de uma pessoa para outra, de modo que há indicações precisas sobre a maneira de im­por as mãos sobre a cabeça, sobre o tórax, sobre os joelhos, os pés, as costas..A filosofia subjacente a esse conceito de Energia Universal é o monismo: O ser humano é parte integrante do universo no sentido físico. Eis o que se lê à p.55:

“O Preceito final “Seja bondoso para com tudo que possui vida” lembra-me que não estou só, que sou uma parte de todo o Universo vivo e que não estou acima ou abaixo de nada ou ninguém. isso me lembra que somos todos iguais e me coloca em contato com a essência viva de energia que flui através todos os seres e coisas, seja árvore, flor ou animal. Mesmo os elementos da Terra que se tornaram químicos e agora formam plásticos ou tapetes, tem energia. Sou agora mais capaz de entender a filosofia do índio americano: ‘Tudo que projeta sombra possui espírito”‘.

Deste texto deduz-se que tudo o que é corpóreo possui espírito. Que se entende por “espírito” em tal caso? A autora não o diz.

Semelhante concepção volta a p.45:

“Estou continuamente acalmando o inquieto procurar de minha mente racional a fim de perceber as energias sutis que me capacitam a fusão com tudo a minha volta” (p.45).

A suspeita de monismo-panteismo se confirma pelo fato de que Reiki tem suas raízes no budismo, que é uma corrente de pensamento panteísta:

“A Mestre Reiki Victoria Suzanne Crane investigou extensivamen­te as origens de REIKI e as encontrou intrinsecamente ligadas aos ensinamentos budistas. Ela detalhou a correspondência desses precei­tos REIKI com antídotos para os Cinco Obstáculos a todo crescimento, conforme detalhado por Buda nos seus ensinamentos em Deer Pond. Quando observo esses Preceitos sob essa luz, posso ver mais claramen­te como eles podem afetar minha vida e aprendizado” (p.48).

A linguagem pode tornar-se confusa e obscura, como nos seguin­tes trechos:

“A simples idéia de permitir aos nossos corpos serem um veiculo através do que essa energia, REIKI, se transfere do Universo para ou­trem, é uma experiência de deixar ir, de permanecer em nosso centro e “ser”. Ao mesmo tempo em que você” e eu estamos “deixando de ir”, ne­cessitamos estar totalmente presentes para que, como praticantes, possamos estar conscientes de nossas mãos e ter a experiência de sentir a mudança de energia quando uma área é completada. Por sentirmos essa mudança, sabemos quando nos mover para a próxima área do corpo em que estamos trabalhando” (pp. 42s).

“No livro Grist for the Mill (O grão para o moinho), Ram Dass traduz NAMASTE – uma saudação – significando: “Honro o lugar em você” onde todo 0 Universo reside. Honro em você” o lugar do amor, da luz, da verdade, da paz. Honro aquele lugar dentro de você” onde, se você” estiver nesse lugar em você”, e eu estiver nesse lugar em mim, existe apenas um de nós”. Ele continua, um pouco adiante: “Dessa forma, da próxima vez em que você se sentar a espera de que algo comece, você  perceberá que não há nada que necessite começar, pois o começo, o meio e o fim já são o que você é” (p.43).

“Estamos nos libertando dos tentáculos do pensamento e julga­mento e nos acomodando em nossa essência. Estamos nos unindo e nos tornando um com o que quer que exista e com quem quer que estejamos tocando. Estamos vivendo no momento e, de fato, “há somente um de nós”‘ (p.44).

O Mestre por excelência parece ser “O Sr. Hawayo Takata. Grão-­Mestre REIKI de 1940 a 1980” (pp. 47s).

Uma vez expostos os princípios básicos do Reiki, coloca-se a questão:

2. O Cristão e o Reiki

A atitude do cristão perante o Reiki depende da distinção a ser feita entre a técnica e a filosofia do Reiki.

A técnica (…) A imposição de mãos para obter a cura de doenças físicas não condenável, desde que se possa supor que realmente pas­sa pelas mãos uma energia (não divina) física benfazeja. A existência dessa energia meramente natural e humana é questionável; há quem fale de magnetismo do corpo humano – O que é discutível. Facilmente essa concepção se confunde com uma presumida “energia divina” – O que redunda em panteísmo.

A filosofia (…) Os princípios filosóficos Reiki são monistas: tudo o que existe seria apenas urna grande substancia ou a substancia universal:

“Comecei a desenvolver um senso de pertencer não a um grupo social ou a uma organização. “A que então?” eu me perguntava. O “pertencer”, estou começando a acreditar, era e é a mim mesma e a tudo que existe” (p.42).

Ora tal concepção filosófica não é compatível com a fé cristã. O cristão que se põe  na escola do Reiki corre o risco de assimilar, junta­mente com a técnica, as linhas monistas-panteistas do pensamento Reiki.

(Reiki na Vida Diária. Tradução de Nina Barbosa de Oliveira. – Ed. Nova Era, Rio De Janeiro 1990, 108 pp.)

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    Sobre Prof. Felipe Aquino

    O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
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