Radiografia da liberdade religiosa no mundo: Ásia (Parte 4)

Síntese do Informe 2010 elaborado por “Ajuda à Igreja que Sofre”
ROMA, quinta-feira, 2 de dezembro de 2010 (ZENIT.org) – O “Informe 2010 sobre a liberdade religiosa no mundo”, elaborado pela organização Ajuda à Igreja que Sofre e apresentado em Roma no dia 24 de novembro, faz uma radiografia da situação em 194 países.

Neste resumo, são apresentadas algumas particularidades do Informe, segundo as zonas geográficas.

 
Ásia
Ásia Central e Meridional
O governo do Afeganistão parece incapaz de implementar políticas básicas para que se respeitem os princípios fundamentais que garantem a liberdade de religião. O peso da tradição, as imposições das facções radicais fundamentalistas islâmicas e a guerra em curso em muitas províncias resultaram em uma situação muito difícil, não só para a liberdade religiosa, mas também para o respeito pelos direitos humanos básicos.
Em Bangladesh, o Islã é a religião do Estado. Apesar da liberdade de culto garantida oficialmente, foram relatados inúmeros casos de perseguição e discriminação com base na afiliação religiosa e contra minorias étnicas.
 
A República Islâmica do Paquistão declara o país oficialmente secular. A Constituição adotada após a divisão da Índia e as diferentes leis do governo central confirmam o princípio da igualdade perante a lei, “sem distinção de raça ou credo”. Os relatórios mostram que, na verdade, é pura fachada. De fato, a lei contra a blasfêmia causou vítimas não só entre os não muçulmanos e a minoria ahmadi, embora fundamentalmente entre eles e com total indiferença do governo. Entre 1986 e 2010 pelo menos 993 pessoas foram acusadas de terem profanado o Alcorão ou difamado o profeta Maomé. Destas, 479 eram muçulmanas, 120 cristãs, 340 ahmadis, 14 hindus e 10 membros de outras religiões. Esta lei é basicamente uma desculpa para realizar ataques, vinganças pessoais ou execuções extrajudiciais; 33 destes episódios foram perpetrados por indivíduos ou multidões furiosas.
 
A Índia ainda continua sendo um grande ressurgimento da violência de inspiração religiosa e étnica. Enquanto o governo de Nova Deli estuda novos meios jurídicos e políticos para acabar com este fenômeno, demonstrando um compromisso real, vítimas da violência estão reclamando sobre a falta de instituições e a insegurança permanente no local. O caso de Orissa é o mais flagrante. Em seis estados, ainda existem leis “anticonversão”, devido à política hinduísta ultranacionalista. Foram relatadas conversões forçadas ao hinduísmo, agressões físicas e assassinatos de membros das comunidades não-hindus.
 
Nas Maldivas, o islamismo é definido pela Constituição como religião do Estado e proíbe a prática pública de qualquer outra religião. Nenhum estrangeiro está autorizado a fazer qualquer manifestação de fé religiosa em público, se não for muçulmano. A conversão a qualquer outra religião é estritamente proibida. Toda a legislação, incluindo o direito civil, está sujeita ao Alcorão. É obrigatório ensinar religião islâmica nas escolas.
Ásia Oriental
 
Na China, a liberdade religiosa continua sendo violada. As restrições foram agravadas durante os Jogos Olímpicos em 2008 e continuaram durante 2009. Ao longo do ano passado, continuaram prendendo e eliminando comunidades não oficiais e clandestinas. Todas as religiões na República Popular da China têm relatado muitos casos de repressão administrativa e detenções. O comportamento arbitrário das autoridades e o controle absoluto sobre a vida social e cultural ainda são a norma que impede que o país tenha um desenvolvimento equilibrado e humanamente sustentável. No ano passado, houve um indício de abertura quando os bispos foram ordenados com autorização judicial.
 
A República Democrática Popular da Coreia está vivendo em condições desumanas. Não há o menor indício de liberdade religiosa e a informação sobre o que acontece no país é muito escassa e difícil de alcançar. O Estado foi oficialmente declarado ateu e reprime qualquer forma de expressão religiosa, levando à prisão e detenção em campos de concentração.
O Vietnã, como é um país comunista, realizou uma abordagem mais prática para o problema. Deve levar em conta a presença de uma ampla e corajosa comunidade católica que reage à intimidação e que é apoiada por uma grande comunidade no exterior, disposta a protestar.
 
Em 2009, Mianmar, antiga Birmânia, continuou sendo testemunha de uma repressão sistemática da liberdade religiosa e dos direitos humanos. Após os protestos dos monges budistas, em 2007, a repressão contra os mosteiros e líderes religiosos continuou inabalável.
No Camboja se reconhece o budismo como religião do Estado, como na Tailândia, e ambos os países têm garantido o pleno respeito pela liberdade religiosa para todos os seus habitantes.
No maior país muçulmano do mundo, a Indonésia, há relatos de violência contra os cristãos e contra os grupos muçulmanos, como o ahmadis, considerados “hereges” por aqueles que praticam o islamismo ortodoxo.
 
A religião de Estado do Brunei  é o Islã Salafi e fortes restrições se aplicam às demais religiões. É vedado o proselitismo de qualquer religião além do Islã, e de importação de material religioso não muçulmano. São censurados na imprensa os artigos e imagens relacionados a outras religiões.

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    Sobre Prof. Felipe Aquino

    O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
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