Quem deve se candidatar a um cargo político?

A política é uma ciência moderna, por isso há cursos de graduação, mestrado e doutorado em Ciências políticas, em várias universidades do Brasil e do mundo. Conheço vários cientistas políticos cristãos. Na convivência com eles aprendi que não basta um candidato cristão se lançar sozinho na política, mesmo que tenha muita fé e as melhores intenções. Pode mesmo ser massacrado pela dura realidade política de hoje no Brasil.

O jogo político é complicado, e exercer uma função política hoje, no Brasil, não é nada fácil. Conheço várias pessoas cristãs, boas, de fé, que foram eleitas para um cargo público e se decepcionaram e acabaram renunciando, tendo em vista o mar de corrupção que encontraram pela frente. Outros, infelizmente, acabam cedendo ao “jogo político” nem sempre limpo. O sistema político viciado corrompe a pessoa se ela não for muito forte e íntegra. É quase impossível hoje atuar na política sem aceitar certos pactos e negociatas.

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A importância da Política

O que fica claro é que para se candidatar a um cargo político, não basta ser cristão, não basta ter boa vontade e honestidade; é preciso preparo, conhecer os meandros da vida política, as leis, e estar amparado em uma boa base de sustentação, fruto de um bom trabalho comunitário. Não adianta se lançar sozinho e achar que vai enfrentar uma situação difícil e conseguir fazer a transformação da sociedade, sozinho, doce ilusão. Uma andorinha não faz verão. Então, o que é preciso?

É preciso ter base política, estar amparado por um Projeto consistente, amparado pela comunidade, onde muitos participam em conjunto, apoiem os candidatos escolhido pela comunidade, e lutem por sua eleição, carregando os candidatos, de rua em rua, de casa em casa, de pessoa a pessoa. Assim, eles, escolhidos pela comunidade, serão apoiados por ela em todas as necessidades: financeira, legal, administrativa… Logo, esses candidatos não precisarão correr atrás de corporações que banquem suas campanhas, ficando presas a elas se eleitos.

Não adianta simplesmente lançar vários candidatos cristãos numa mesma região, sem ter conhecimento de quantos será possível eleger. Acaba que vários saem candidatos, tornam-se adversários nas urnas e nenhum deles acaba sendo eleito.

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Mas, para isso é preciso um trabalho de comunidade, de humildade, de abrir mão de uma candidatura tendo em vista um projeto mais amplo e mais real. Isso exige caridade, amor, renuncia a si mesmo diante de um bem maior para a comunidade. Isso exige que os candidatos sejam cristãos de verdade. Que não queiram ser candidatos simplesmente para terem uma profissão. Não. É preciso ser candidato para servir a Deus, ao povo, e ao Reino de Deus. Neste caso, o exercício da política será um verdadeiro sacerdócio, um verdadeiro martírio de trabalho, luta e abnegação. Por amor a Deus e ao próximo.

Paulo VI já disse uma vez que “não há solução fácil para problema difícil”; é o que estamos enfrentando na política em nosso país; o mal é grave, a solução é difícil. Ninguém se iluda de que sozinho vai salvar a Pátria. Deve-se candidatar a um cargo público quem tem vocação para a vida pública, mas ciente de tudo isso que foi refletido acima. Se prepare e busque um projeto consistente para atuar.

Prof. Felipe Aquino

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Sobre Prof. Felipe Aquino

O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
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